Brasileiro gosta de vingança
Causou polêmica um vídeo divulgado pela “Folha de S. Paulo”, no qual dois supostos bandidos agonizam em frente a policiais. Transcrevo o texto da Folha: “Filho da puta, você não morreu ainda? Olha pra cá! Maldito. Não morreu ainda’, diz uma das vozes, enquanto a imagem, em close, mostra a cena forte: um homem pardo, caído, espumando pela boca. Os olhos dele estão paralisados, em choque, com as pupilas dilatadas. A roupa está ensopada de sangue.
(…) “Estrebucha! Filho da puta”, diz uma outra voz. Há um segundo homem estendido no chão. Ele está de bruços, algemado e chora. “Tomara que morra a caminho [do hospital]. Não vai morrer, não?”, diz, com ar de deboche, um outro PM”.
A polêmica foi por conta do apoio de dezenas de leitores ao ato dos policiais. Gilberto Dimenstein escreveu um artigo criticando os PMs e foi trucidado. Depois, escreveu outro artigo dizendo que sentia vergonha pelos seus leitores. Para mim, a reação popular não foi uma surpresa. Desde que os jornais passaram a permitir em suas versões eletrônicas comentários de leitores, como o CORREIO de Uberlândia faz, o que se vê são demonstrações explícitas de que o brasileiro gosta de sangue e vingança. Vagabundo roubou a velhinha? Parabéns ao PM que sentou a mão na cara dele! Playboy assassinou a namorada? Que maravilha que o pai dela o matou! Acusação de tortura de presos? Bem feito para eles! Quem manda fazer coisa errada? Tinha mais é que deixar tudo aleijado!
Não adianta querer argumentar com quem pensa assim, não adianta mesmo. A vingança é fácil, rápida, dá prazer. Olho por olho, dente por dente. Policial não tem que prender bandido apenas, tem que descer o cacete – pensa a maioria. Eu continuo defendendo o meu ponto de vista, embora saiba que sou uma voz isolada. Eu sempre digo: a pena para quem comete um crime é a cadeia. É o que diz a lei e lá não está escrito que o acusado tem que ser humilhado, espancado, torturado ou que tem que pagar com a própria vida pelo crime que cometeu. Se um bandido é preso, com base em que nós o prendemos? Na lei. Mas, como se apoiar na lei só na hora que interessa? A lei só vale para colocá-lo na cadeia, mas não vale para respeitar os direitos do preso?
Por mais bárbaro e repugnante que seja um crime, a reprimenda prevista na lei é apenas a prisão. Não consta lá, como eu disse, tortura, humilhação, trabalho forçado ou pena de morte. Se não estamos satisfeitos com a situação geral, o caminho é mudar as nossas leis, não permitir que atos ilegais sejam cometidos. Sei que não consigo convencer as mentes sedentas de sangue e vingança, mas sempre alerto: amanhã, o sangue a ser bebido pela platéia pode ser o seu, seja você culpado ou inocente.
Alexandre Henry – Escritor
www.dedodeprosa.com
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sincera... disse:31/08/11 9:38
Dificil decisao essa de escolher entre a Lei e o Sangue por vingança,mas tem crimes que deixam muito a desejar,que se fossem com alguem da nossa familia(pai,mae,irmaos,filhos e ate amigos) com certeza nao desejariamos a esses criminosos somente que A JUSTIÇA SEJA FEITA…iriamos querer muito mais que uma simples prisao mesmo que seja o errado a se pensar,mas ai esta a grande diferença entre o PENSAR e o AGIR…cabe a nos mesmos decidirmos se queremos ser comparados com esse tipo de pessoa ou nos contentarmos com a lei do nosso PAIS…
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Fabio E. Turra disse:31/08/11 10:29
Alexandre,
Eu moro na Cidade de São Paulo e li essa notícia que foi trazida pela “Folha de S. Paulo”. Tenho acesso a esse jornal e gosto de postar as minhas mensagens. Mas com relação e essa notícia, definitivamente, não consegui produzir nada. Primeiro porque penso diferentemente das pessoas que acham que matar ou torturar alguém, trará paz à humanidade e resolverá o problema. Mas, por outro lado, posso até entender essa filosofia, embora não concorde com ela. A impunidade que se instalou no nosso País tem deixado às pessoas revoltadas, inclusive a mim, de modo que quando veem um episódio como esse, se sentem vigadas de alguma forma, o que é duma ignorância sem tamanho.
Abraços fraternos. -
Wagner Satel disse:31/08/11 20:31
Outro dia numa cadeira dessas de faculdade ouvi um professor de Direito Penal na sua explanaçao criticar por demais os magistrados LEGALISTAS. Naquele dia discordei porque como aluno acreditava que para resolver uma lide deveria sim seguir a lei sempre. Ocorre meu caro, que sentar numa poltrona confortável e pegar o código e apenar um biltre qualquer é fácil. Difícil é ter um ente da família morto, violado, estuprado e o seu mal feitor dias depois solto pelas brechas da lei. Infelizmente bandido tem que sofrer não apenas a pena obtida. Continuar a impunidade assim como está, VIGIAR E PUNIR deverá ser o livro que magistrados deverão acompanhar.
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Áquila disse:31/08/11 21:01
Alexandre, tenho o mesmo pensamento que você. Primeiramente porque não acho que um erro possa ser a justificativa de outro e segundo que eu sou um ser humano. A minha tendência é sentir compaixão quando vejo outro ser humano nestes tipos de condições. Nestes casos de forma alguma a justiça foi feita. A vingança é que foi feita, nada mais.
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LAURA:) disse:01/09/11 13:27
Alexandre, infelizmente acaba sendo automático o pensamento de que todo bandido tem que sofrer,pois a cada dia eles cometem atrocidades maiores,e como foi veiculado no conexao reporter de ontem a maioria não se arrepende em momento algum, ou seja a simples prisão não faz como que ninguém mude para melhor, em alguns paises a pena na maioria das vezes e no minimo prisão perpétua..
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Anonimo disse:01/09/11 13:30
Se fundamentassemos nas leis de Deus, concerteza viveriamos em um mundo melhor, quem conhece as leis de Deus e as pratica tem sabedoria para agir mesmo que haja impunidade.
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Anonimo disse:02/09/11 12:31
Infelismente vivemos em um mundo muito imperfeito, inclusive até nós cristão somos seres imperfeitos, confesso que apesar do meu comentário acima as vezes tambem me sinto revoltado com algumas situações mesmo conhecendo as leis divinas. Mas irmãos não se esqueça, as nossas leis não são desse mundo.
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Sereno disse:02/09/11 17:25
Acredito que a revolta é um sentimento prejudicial, e que ficar reclamando, ficarmos inconformado e cultivando esse tipo de sentimento é como tentar apagar o fogo com alcool.
Acredito que o primeiro passo é tentar melhorarmos nós mesmo, independente de crença ou religião a revolta não tras nada de positivo. -
Cris Nazaro disse:04/09/11 14:36
Não Alexandre, você não é uma voz isolada não. Concordo com você em número, genero e grau. Minha família já foi vítima de violência que cuminou numa morten violenta e nem por isso, cheguei a pensar e desejar que os algozes devessem pagar com a mesma moeda, porém, acordei a tempo de ver, que pensando assim, eu estaria agindo da mesma forma que os assassinos. Justiça, se combate com justiça, com políticas que realmente façam valer a lei, embora eu pense, que no Brasil a justiça realmente é cega ou não quer ver e que direitos humanos devem ser para humanos direitos, ainda abomino esse tipo de violação. E acredito piamente na justiça divina, e essa eu sei que tarda, mas não falha. Abraços, acompanho sua coluna sempre.
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Joao Roberto Spini Machado disse:05/09/11 11:02
Este senhor Fabio Turra,é Turrão.Se deixar ele escreve um quilometro no jornal.Cruz Credo!
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Renata disse:26/12/11 9:47
Muitas das vezes nos deixamos confundir pelo sentimento de vingança por ódio, raiva, perplexão e desprezo. Neste momento precisamos de sabedoria, para deixar a razão falar mais forte que a emoção, para não cairmos na cilada de nos tornarmos cruéis em tentativas de justiça com próprias mãos. É preciso estrutura, temor a Deus e sabedoria para agir, precisamos mudar as leis, para que a impunidade não seja resolvida as margens com vingança. E que os direitos humanos sejam preservados.
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Ozzy disse:25/04/12 18:39
Concordo com seu argumento…
Comentários (16)