A decepção das universidades brasileiras
Foi publicado nesta semana o resultado de 2011 do “QS World University Rankings”, que avalia as principais universidades do mundo. Quanto ao Brasil, duas de nossas universidades melhoraram no ranking de forma considerável: a USP passou para a 169ª colocação e a Unicamp para a 235ª. E só.
A avaliação é feita com base em diversos critérios, mas fica claro que os países de língua inglesa levam vantagem na pesquisa. Porém, isso não prejudica totalmente o ranking. O que me chamou a atenção foi a mediocridade das instituições brasileiras. Entre as 100 primeiras colocadas, nenhuma nossa. Estados Unidos e Inglaterra dominam o ranking, com destaque ainda para Austrália, China, Japão, Canadá e Alemanha. Coréia do Sul, Holanda e Suíça também foram bem. Quando o critério é engenharia e tecnologia, que são atualmente os grandes propulsores da economia mundial, a USP até que melhora, pulando para a 97ª colocação. Porém, nossa situação ainda é dramática perante as outras grandes nações em desenvolvimento nessa área específica. A China tem 9 instituições à nossa frente e a Índia tem 6. Ter boas universidades ligadas à tecnologia e à engenharia é essencial para liderar a economia mundial. Você já viu quantos carros coreanos estão invadindo o Brasil? Pois aquele pequeno país asiático tem 3 universidades tecnológicas mais bem avaliadas que a USP, nossa primeira colocada. EUA, Japão, Alemanha, Canadá, Inglaterra e outros líderes industriais têm instituições que nos fazem passar vergonha.
Qual o problema das universidades brasileiras? São tantos! Em primeiro lugar, o sucateamento, que graças a Deus vem sendo corrigido ao longo dos últimos anos, com a contratação de novos professores, estímulo ao aprimoramento deles, investimento – ainda baixo – em pesquisa, ampliação do número de cursos etc. Mas, há outro problema: a distância entre universidade e mercado. Há um viés esquerdista em nossas instituições que rejeita o contato delas com o mercado. Pura bobagem! A universidade tem que andar ao lado das empresas, produzir conhecimento com valor de mercado e diminuir a quantidade de estudos que apenas discutem o sexo dos anjos. É preciso também aumentar o ensino tecnológico ao invés de privilegiar a área de humanas. Segundo a OAB, o Brasil tem mais cursos de Direito do que todo o resto do mundo! Se essa realidade fosse ligada à engenharia, com certeza nosso país estaria em melhores condições.
Enfim, eu queria dizer muita coisa aqui sobre o problema da educação brasileira, mas me falta espaço. Vamos continuar a discussão no site do CORREIO? Entre na seção de “Colunas”, escolha “Modo de Ver” e dê a sua opinião!
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Tiago disse:07/09/11 9:32
Concordo com você, acho que o país estaria bem melhor se investisse cada vez mais nas engenharias e em tecnologia, mas não podemos deixar a área de humanas de lado, lembrando que humanas não é apenas direito, que está saturado no mercado brasileiro.
deve haver um equilíbrio entre as duas áreas que são de suma importância para o desenvolvimento do país.
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Danilo disse:07/09/11 10:02
Não concordo. Não acho que o objetivo principal da universidade deva ser econômico, como é o das empresas. A universidade não precisam se aliar às empresas para conseguir dinheiro e fazer grandes projetos de pesquisa para aparecer em rankings como esse. Esses rankings só servem para manipular as instituições com informações muito parciais para conseguir avaliar uma universidade. Por que nenhum ranking considera qualidade de ensino? Ou suas contribuições diretas para a sociedade? Não, só consideram produção científica que gera dinheiro.
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Murilo Alves disse:07/09/11 10:53
Alexandre, entendo que o problema da educação no Brasil vai muito além (não discordando do que você citou). Nessa análise a educação básica e a forma de ingresso na universidade não pode ser desprezada! Quem está se tornando universitário e em que condições, reflete exatamente a excelência da academia nacional e os resultados que teremos quando estes profissionais forem para o mercado de trabalho.
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Sandra Alvim disse:07/09/11 16:43
Concordo totalmente com seu ponto de vista e ainda acrescento mais alguns outros que creio serem importantes na avaliação do nosso ensino superior: já há bastante tempo em que a maioria de nossos adolescentes não têm alguma “vocação” a perseguir; talvez (e aqui ainda geraria outra discussão), porque hoje existam muitas profissões a serem escolhidas, de forma a “acompanhar o mercado” como voce diz; os professores (em sua maioria) não buscaram atualização para formarem profissionais prontos para o mercado de trabalho – quem quiser precisa complementar seu curso com outros específicos; e ainda, muitas outras questões que interferem na qualidade do ensino. Enfim, se nossas escolas não acompanharem a necessidade dos alunos e do mercado, a tendência é que, realmente, fiquem cada vez mais longe dos primeiros lugares nos rankings mundiais.
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Wagner Satel disse:07/09/11 19:44
Na Coréia do Sul, desde criança, o estudante é estimulado a aprender e desenvolver-se tecnológicamente. O governo investe pesado na educação e o saldo é: um grande desenvolvimento intelectual. Aqui no Brasil, não existe investimento na educação. Alunos são literalmente “passados de ano” nas escolas para esta obter algum resultado frente a que se presta. E o resultado, as universidades acolhem uma enchurrada de alunos semi analfabetos que mal sabem escrever o portugues correto.
Daí, a imensidão de curso existentes no Brasil de Ciencias Jurídicas pode refletir que a maioria dos alunos estão lá em busca de um trabalho público, pois o curso de Direito tem um leque enorme para isto. Deveria estimular as crianças desde pequenas dando infraestrutura econdições básicas para estudar. Aí sim, teríamos melhores resultados e diminuiria até a violência.
Pense nisto. -
Sereno disse:08/09/11 13:45
Concordo com você, existem muitas faculdades no Brasil, mas boas são poucas, há muita quantidade e pouca qualidade.
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Alunaunitri disse:08/09/11 23:19
É muito triste saber disso!!!!
Mais acredito em uma melhora com os novos programas de intercambio….aumento do número de vagas e bolsas de pós-graduação. -
Lígia disse:09/09/11 17:10
Você falou em privilégio da área de humanas, o que consigo ver na UFU e na maioria das universidades brasileiras é o contrário, privilégio para áreas de engenharia e abandono e esquecimento da área das humanas, principalmente nas licenciaturas, ou você acha que alguma empresa está interessada em investir nas áreas de licenciatura? Que de acordo com o “mercado” não gera lucro algum.
Não creio que exista esse viés esquerdista que você citou, acredito que exista uma generalização, pois hoje todo posicionamento crítico dentro de uma universidade é rotulado como de esquerda. Ninguém quer saber de investir em pesquisas sobre educação, saúde, cotidiano e comportamento humano, porque geralmente essas pesquisas são bastante críticas, ao contrário de pesquisas no ramo de engenharia.
Todo mundo que já fez faculdade sabe que se a pessoa quiser formar “nas coxas” consegue, ter um diploma não garante ninguém, ainda mais nos cursos de direito em Uberlândia, onde se ensina muito mais decoreba de leis do que a discussão do direito, assim fica fácil pra qualquer mané entrar em um curso de direito, se formar e falar pro papai que é doutor, e não estou falando somente das particulares, isso inclui o curso de direito da UFU também. -
Jose Roberto Camacho disse:11/09/11 8:18
Caro Alexandre.
Escrevo estas linhas para expressar a minha concordância com você. O desempenho das nossas universidades está bem aquém do que é necessário em um país da importância do Brasil.Em nossas universidades existem problemas mais graves do que estes citados por você. A endogenia é um problema gravíssimo, outro problema muito grave é a dificuldade de implantar o gerenciamento e premiação por competência, tanto de alunos como de professores.
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joao roberto spini machado disse:19/09/11 10:49
Lygia,Uberlandia sempre foi fraca e omissa no ensino tão importante das Areas Humanas,como voce disse.E muitas Psicologas,Advogadas,e homens também,vão trabalhar em outras coisas (Vendas,Marketing),por não terem Formação e Campo especifico de trabalho consentaneo com o que estudaram.Old Times,Old Errors.;;
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Rodolfo disse:18/03/12 23:05
As universidades podem até criar produtos para o mercado, mas isso somente deve ocorrer, no caso das universidades públicas, em decorrência de um serviço à comunidade que rodeia a universidade; quer seja um município, estado ou o próprio país.
Agora, se uma instituição privada quiser apenas produzir produtos para o mercado, a decisão é dela; afinal, é o que as empresas fazem.
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beiramar costa disse:15/09/12 18:14
Claro que aqui só poderia ser uma bosta mesmo. Primeiro porque não é típico da sociedade brasileira valorizar estudo e conhecimento, só se valoriza futilidades. Depois que a “lógica” aqui não é profissionalismo nem funcionalidade: com o ENEM o que importa é ter um curso superior qualquer com a nota do ENEM no sistema, e com o fato de se ser preto ou pobre por questões de cotas. E finalmente que o sistema todo é regulado por “pedagogas e especialistas de merda”. Esse pessoal cretino querem se achar melhor que os professores,inventam um monte de normas besteiras e teorias furadas,que não servem pra nada ,só pra encher o saco…
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ádila disse:01/03/13 17:38
Acho que estes rankings só servem para provocar a competição entre os países.Do jeito que o mundo anda,acredito que num é disso que ele precisa,mas de pessoas menos voltadas para si mesmas ,até onde eu sei vivemos num mundo em que cada um é por si.E o capitalismo incentiva demais esse tipo de pensamento.Se fosse tão bom viver assim hoje o mundo estaria vivendo as mil maravilhas. Quanto a questão das Universidades,acho que a falta de investimento necessário na Universidade como um todo,de professores dedicados realmente a sua função e de alunos mais interessados nas questões humanas. Entendo que a questão financeira é imortante.porém é preciso que haja o equilíbrio,o financeiro e o lado humano.
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