Alexandre Henry

Modo de Ver

Modo de Ver A coluna é publicada às quartas-feiras no CORREIO

23/05/2012 7:01

Louco por elas: a nova família

Escritor

Uma das boas surpresas da atual temporada da TV brasileira é o seriado “Louco por elas”, transmitido toda terça-feira pela Globo. Léo, interpretado por Eduardo Moscovis, vive com sua avó e é de certa forma bancado pela ex-esposa, como contrapartida por ele criar a filha do casal e também a filha que a ex-esposa teve em um relacionamento anterior. Glória Menezes, a avó, está genial!

Além da qualidade, a série me chamou a atenção também por outro motivo: a naturalidade com que é encarada uma família diferente do padrão “marido, esposa e filhos”. Em “Louco por elas”, a dona do imóvel em que todos residem é a avó do personagem principal, que é sustentado pela a ex-esposa. Léo trabalha, mas em uma atividade recreativa, e leva a sério a criação de sua ex-enteada e da pequena filha, enquanto a mãe das duas sofre por privilegiar a carreira e não cuidar delas. E tudo isso é transmitido com a maior naturalidade! Por que essa naturalidade? Porque esse tipo de família é cada vez mais comum no Brasil. Mais do que isso, porque não há nada de errado em uma família que não segue a estrutura tradicional pai/mãe/filhos. Ok, você pode me dizer que essa é a família ideal, tal como está lá na Bíblia. Mas, e se você não tiver o “ideal” à sua disposição? E se o que não for o “ideal” ainda assim representar a solução que deixa todo mundo mais feliz? É certo uma pessoa não ter uma vida completa só para perpetuar um formato tradicional de família?

Filhos de pais divorciados já não causam espanto. E vem mais por aí. A última novela da Globo mostrou a questão da doação de óvulos, algo que vai ser cada vez mais comum, pois as mulheres estão adiando a maternidade e a natureza é cruel com algumas. A tendência, pois, é que mais filhos sejam gerados com material genético doado. O reconhecimento do direito de adoção e da fertilização in vitro por casais do mesmo sexo também é um caminho sem volta, embora ainda muito polêmico.

Não me diga que é por conta disso que temos a violência e a desestruturação social atual. Sim, falta família hoje em dia, o que não significa que falte a família tradicional. Esta não faz falta por si só. O que estamos carentes é de pais, sejam eles casais do mesmo sexo, adotivos ou pais que geraram filhos a partir de material genético doado, que verdadeiramente cumpram a função que lhes cabe: amar, educar e dar atenção. Vejo muitas famílias tradicionais abandonarem seus filhos para a TV, o computador e a escola, procurando compensar a ausência com presentes e mais presentes. Esse é o mal da sociedade atual. Se uma criança for educada com carinho, amor e atenção, não interessa que tipo de família ela tenha, certamente será uma criança feliz e um adulto completo.

www.dedodeprosa.com

Comentários (19)

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  1. Gededaia disse:23/05/12 8:12

    COMO SEMPRE CONCORDO COM TUDO QUE VOCE ESCREVE. ESTA DE PARABESN POR SUAS IDÉIAS.

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  2. chaiane lopes disse:23/05/12 9:47

    Brilhante abordagem como sempre, concordo em gênero, número e grau, o formato da família bíblica muitas vezes nem cumpre a função que lhe cabe de ser uma “família”.

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  3. valciana disse:23/05/12 22:27

    amor! com uma dose de regrinhas básicas, respeito ai próximo formmam o carater do ser humano…tem sorte quem hoje em dia tem uma”familia”

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  4. webstter rodrigues disse:24/05/12 8:12

    o plano original de Deus é a familia tradicional.O modelo é perfeito, o problema nao esta no plano mais sim nas pessoas.

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    • Alexandre Henry disse:24/05/12 10:16

      Não tenho nada contra o modelo tradicional de família, até porque a minha própria família é assim. O que defendo é apenas que esse não é o único modelo de família viável.

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      • webstter rodrigues disse:24/05/12 11:19

        pode ate ser mais fora do modelo original.

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  5. webstter rodrigues disse:24/05/12 11:23

    essa certeza de qualidades que vc cita em qualquer tipo de familia é preocupante.

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    • Alexandre Henry disse:24/05/12 11:43

      Mas eu não falei que uma família “não tradicional” sempre será uma família de qualidade! O meu texto é no sentido de que uma família “não tradicional” pode ser de qualidade, assim como uma família “tradicional” pode não ter qualidade. Tudo vai depender de como os pais, sejam eles casados ou não, do mesmo sexo ou de sexos diferentes, vão atuar no lar em relação aos filhos e a si mesmos.

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  6. webstter rodrigues disse:25/05/12 11:44

    nao depende somente do modo como os pais vao atuar ou vice verso mais sim se estao no modelo em que Deus deixou.

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    • Alexandre Henry disse:25/05/12 11:52

      Rodrigues, contra visões religiosas, não há argumento. Aliás, não há nem discussão, debate, nada disso. Engraçado é que Cristo ensina, nos Evangelhos, que só há duas regras a serem cumpridas: amar a Deus acima de todas as coisas e ao próximo como a si mesmo. As demais regras são responsáveis pelos milhares de igrejas cristãs, cada uma interpretando a Bíblia à sua maneira. Agora, se ficarmos só nas duas que Cristo ressaltou, então acredito que seja possível amar a Deus acima de todas as coisas e ao próximo como a si mesmo, não importando se esse “próximo” é do mesmo sexo, filho adotivo, filho gerado a partir de fertilização in vitro, barriga de aluguel, nada disso.

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  7. Juliana Maioli disse:25/05/12 12:16

    Alexandre, concordo plenamente com suas considerações. O modelo ideal de família burguesa está sendo modificado no século XXI. Não importa como seja a nova configuração das famílias, o que interessa são os valores e o amor passado às crianças. Abraços!

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  8. Gustavo Enoque disse:25/05/12 13:33

    Como sempre fiquei encantado com o texto, em especial com a conclusão que identifica com perfeição o fator real que caracteriza uma família.

    Gostaria de acrescentar que, na minha opinião, a família é o presente mais extraordinário que foi dado por Deus para a humanidade. É o lugar de ouro escolhido por Deus para que nela seja expressa toda a sua graça. A família tem importância fundamental, já que É NELA QUE O SER HUMANO APRENDE A AMAR.

    Nesse contexto, ou seja, se é tão bom pertencer a uma família, é muito bacana observar essa tendência de evolução do conceito de família como sendo o conjunto de pessoas ligadas única e exclusivamente pelos laços de afeto e mais legal ainda observar a disposição efetiva do Estado em dar tutela jurídica a essas situações.

    Como católico, tenho absoluta certeza que o meu Deus misericordioso e bondoso olha com compaixão e reconhece cada uma dessas novas famílias formadas por pessoas que simplesmente se amam.

    Ao ler o seu texto, Dr., me lembrei daquele trecho belíssimo do voto do Ministro Celso de Melo no julgamento da ação das células tronco que até hoje muito me emociona: “o luminoso voto proferido pelo eminente Ministro Carlos Britto permitirá a esses milhões de brasileiros, que hoje sofrem e que hoje se acham postos à margem da vida, o exercício concreto de um direito básico e inalienável que é o direito à busca da felicidade e também o direito de viver com dignidade, direito de que ninguém, absolutamente ninguém, pode ser privado.”

    Mais uma vez: PARABÉNS!!!!!

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  9. webstter rodrigues disse:26/05/12 11:47

    Amar alguem nao quer dizer que tenho que aprovar as atitudes de certas pessoas.Era assim que Cristo fazia aqui na terra

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  10. webstter rodrigues disse:26/05/12 11:49

    Quem ama o seu proximo tentara conduzilo aos planos deixados por Deus.

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  11. Joao Roberto SPINI Machado disse:26/05/12 11:52

    Vamos respeitar o Dr.Alexandre,gente de Uberlandia.Nos dias de hoje,ninguem faz frente a ele,em seus comentarios,opiniões e amor a cidade.E,tudo discretamente,como bom Mineiro que ele deve ser.

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  12. webstter rodrigues disse:26/05/12 11:54

    Temos que ter o cuidado de atribuir normas regras da biblia a homens e normas humanas como divinas.

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  13. Gustavo Enoque disse:27/05/12 14:52

    O Dr. Alexandre já expôs a questão com precisão em comentário anterior, mas gostaria de dar a minha opinião nesse espaço democrático.

    Acho que a Bíblia, livro contendo a Palavra de Deus, é um texto e, assim como qualquer texto, é passível de interpretação.

    Nesse processo de interpretação eu pessoalmente sigo dois princípios e assim eu procedo não por vontade própria, mas por indicação da própria palavra de Deus (Mateus 22, versículos 34 a 40):
    E os fariseus, ouvindo que ele fizera emudecer os saduceus, reuniram-se no mesmo lugar. E um deles, doutor da lei, interrogou-o para o experimentar, dizendo:
    Mestre, qual é o grande mandamento na lei? E Jesus disse-lhe: Amarás o Senhor teu Deus de todo o teu coração, e de toda a tua alma, e de todo o teu pensamento.
    Este é o primeiro e grande mandamento. E o segundo, semelhante a este, é: Amarás o teu próximo como a ti mesmo. Destes dois mandamentos dependem toda a lei e os profetas.

    Como está expresso no último versículo (versículo 40), toda a palavra de Deus deve ser interpretada a partir desses mandamentos. Assim, o plano de Deus para mim é o efetivo amor entre as pessoas!! Quem está a margem do plano de Deus, na minha opinião, é somente quem não tem o amor no coração.

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  14. webstter disse:28/05/12 7:42

    a biblia nao é qualquer texto,mais a palavra de Deus uma verdadeira inspiraçao.

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  15. webstter disse:28/05/12 7:43

    respeitar é uma coisa,discordar é totalmente diferente.

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