Protestar com os seios nus
O seio não é um objeto sexual, é uma arma de protesto.” Com esse lema, multiplicam-se pelo mundo passeatas femininas nas quais as mulheres protestam contra diversos temas, especialmente a exploração que elas mesmas sofrem há milênios, caminhando pelas ruas com cartazes e seios à mostra.
É um direito feminino protestar assim e não há, em tese, ofensa moral à sociedade por conta de um corpo semidesnudo. A gente já vê toda hora na TV coisa bem pior e, convenhamos, ofende muito mais toda essa sujeira a que as mulheres estão sujeitas desde sempre. Pouca vergonha é uma menina ser molestada ou uma mulher ser tratada como simples objeto sexual do desejo masculino. Além disso, embora os seios realmente sejam um símbolo de sensualidade (se não fossem, por que tanta corrida ao silicone?), eles não são órgãos sexuais na acepção pura do termo e não há justificativa para condenar uma eventual exposição. Já teve época em que exibir a canela era considerado um ato de cunho erótico. E um biquíni? Já foi um tabu! Mas a sociedade evolui e a tendência é que as partes do corpo que não são órgãos sexuais passem a ser exibidas com mais naturalidade.
Porém, é preciso estar atento a dois pontos. O primeiro deles é a efetividade desses protestos. Deve-se refletir se a exposição de um seio chama a atenção para a causa ou, ao contrário, serve tão somente para desviar a atenção e dar ainda mais conotação sexual ao corpo feminino. Eu não sei a resposta a essa indagação, já adianto. O que sei é que ela não pode ser deixada de lado, até para evitar que mulheres desvinculadas da causa aproveitem a ocasião para fazer promoção pessoal. O segundo ponto é quanto à parcela de responsabilidade feminina na opressão que sofrem quanto ao culto à beleza. Isso precisa acabar. Vá à praia com uma turma de homens e mulheres e preste atenção. Assim que aparece uma moça com um pouco mais de celulite, a tendência é que ela seja alvo de críticas mortais por parte das próprias mulheres, não dos homens. As revistas femininas são dirigidas, em boa parte, por mulheres que teimam em publicar reportagens que estimulam meninas a comportamentos bizarros em busca de uma beleza impossível.
Enfim, os homens ainda são culpados por grande parte da opressão sofrida pelas mulheres. Mas há uma parcela em que as maiores culpadas são elas mesmas, especialmente essa cobrança por um corpo perfeito, esse desejo de parecer sexy e atraente mesmo quando a idade já não permite. Protestando ou não com os seios à mostra, se não houver uma revolução entre as próprias mulheres, para que valorizem mais suas capacidades intelectuais e menos a aparência física, a situação feminina não melhorará.
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GG disse:27/06/12 8:08
Os comentários que eu ouvi a este respeito eram de como estas mulheres tinham coragem de mostrar seios tão feios. Mas acrescento eu: se os seios fossem bonitos, perfeitos as pessoas diriam que elas queriam é se exibir.
Também não sei se funcionam protestos como este. -
cnaz disse:27/06/12 16:02
Certa vez, ouvi um comentário em que a pessoa dizia que não existe ninguém mais machista que o homem e nem mais preconceituoso que o negro. E depois desse bafafá com os protestos de seios a mostra me parece que tem sim um fundo de verdade nesse comentário. Nós somos muito machistas, eu, por exemplo, sou mulher, amo futebol, mas não vejo a menor graça de ver futebol feminino, prefiro folhear a revista Playboy a G Magazine e por aí vai. Mas também sou muito favorável a essas manifestações, assim como sou favorável as manifestações do Green Peace. Já tivemos greve dos balaios, revolta das calcinhas e por que não a revolução dos peitos de fora? Se no carnaval pode, todo mundo adora. O que não pode é esse falso moralismo, que debocha, detona essas manifestações, porém aplaude e dá audiência para os programas onde a bunda é o melhor conteúdo. Se o corpo é meu, quero ter o direito de fazer dele o que bem entender e é minha obrigação arcar com as consequências que vier das minhas escolhas. Alexandre Henry, como sempre, ótimo texto e muito interessante as suas colocações.
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cnaz disse:28/06/12 9:13
Corrigindo, o comentário era que não existia ninguém mais machista que a mulher e não homem como escrevi anteriormente.
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Comentários (3)