Vitor Hugo e Danislau

O retrato 3X4 da cultura popular.

Musicais Musicais é publicada às quintas-feiras. Assinam a coluna, em dias alternados, o radialista Vitor Hugo e o músico Danislau Também.

14/07/2011 6:00

Reginaldo Bessa

* A coluna de hoje foi escrita por Vitor Hugo

Nasceu em São Cristóvão, bairro do Rio de Janeiro, no dia 7 de setembro de 1937. Depois dos 12 anos de idade, sua família mudou-se para o subúrbio da Penha, onde viveu sua juventude e encontrou sua vocação artística. O primeiro violão, dado pelo pai quando completou 13 anos, o levou precocemente às serestas, rodas de samba e inesquecíveis festas da Penha. Autodidata, com 15 anos já integrava um conjunto que tocava em bailes por toda a região da Leopoldina.

Sua criatividade sempre o levou a atitudes de pioneirismo no campo das artes. Paralelamente à sua atividade musical, interessou-se por teatro, tendo cursado por um ano, em nível universitário, o curso de direção no antigo Conservatório Brasileiro de Teatro. Fundou um grupo teatral na fábrica “De Millus” em 1960, realizando espetáculos memoráveis com a participação de operários, sobretudo com a peça “Chuvas de Verão”, de Luiz Iglesias, empolgando toda uma população carente de tais manifestações artísticas. Nesse tempo já havia criado muitas músicas, todas na linha romântica, o que se tornou sua grande marca. Bessa trabalhou ainda como redator de propaganda e jornalista profissional por dois anos, nas agências “Norton” e revista “O Cruzeiro”.

Em 1962, residindo na Argentina, gravou o seu primeiro trabalho, “Amor em Bossa Nova”, o que o fez permanecer por dois anos naquele país, trabalhando na sua divulgação. Voltou ao Brasil em 1964, iniciando uma série incontável de gravações, se consagrando especialmente entre os intérpretes da música brasileira, sendo considerado em 1966, uma das mais gratas revelações da música pelo jornal “O Globo”. Participou do “Festival Internacional da Canção”, Festival da Record de 1970 e “Festival Abertura” de 1974, da TV Globo. Compôs músicas para várias novelas dessa emissora, como: “Bandeira 2″, “O Espigão”, “O Homem que Devia Morrer” e “A Viagem”. Também dedicou-se à criação de jingles, sendo um dos mais respeitados profissionais dessa área, recebendo várias premiações.

Foi um dos autores do samba “Figa de Guiné”, primeira gravação oficial de Alcione em 1972. Em 1983 criou especialmente para a “Marrom” o grande sucesso “Qualquer Dia Desses”, canção que se mantém até hoje como uma das mais populares de seu repertório. Foi o produtor do legendário LP “Época de Ouro” em 1973. Reginaldo Bessa, no campo das composições, sempre foi prestigiado por grandes intérpretes, como: Taiguara, Agnaldo Rayol, Roberto Ribeiro, Elza Soares, Maysa, Maria Creuza, Rosemary, Pery Ribeiro entre outros. Seu nome pode até passar despercebido ao sambista menos atento, mas deve ser exaltado pela sua contribuição à mais brasileira das músicas. Salve a cultura popular!

Comentários 0

Ao enviar suas informações de registro, você indica que concorda com os Termos do serviço e leu e entendeu a Política de Privacidade do site do Correio de Uberlândia. Só serão liberados comentários cujos autores estejam identificados por nome e sobrenomes e que não contenham expressões chulas e/ou palavras de baixo calão.