Do vinil ao DVD
* A coluna de hoje foi escrita por Vitor Hugo
Lembro-me, ainda criança, no início da década de setenta, dos vinis que meu pai comprava e de alguns outros discos, de um material mais duro, quebrável, que ficavam empilhados no armário da sala. Martinho da Vila foi o meu primeiro contato com o samba e com o vinil. No disco de 1969, ele de chapéu Panamá, esbanjava na capa, sua plástica jovial e trazia sucessos como “O pequeno Burguês”, “Casa de Bamba”, “Quem é do Mar não Enjoa”, “Pra Que Dinheiro” entre outros.
Chegou para nós, no início dos anos noventa o Compact Disc (CD). Trazia a novidade da fidelidade, o que para nós era, naqueles tempos inimaginável. Veio de forma avassaladora, solapando as antigas discotecas com suas radiolas, vitrolas e eletrolas. O CD era o som digital. Era pura tecnologia e, por ser coisa de primeiro mundo, chegou como novidade que veio dar na praia. Em meio a propagandas do produto e artistas que propalavam as maravilhas do CD, surgiam, vez por outra, um ou outro “corajoso saudosista”, dizendo-se discotecário e amante dos vinis.
Mas com a adoção da novidade pelo público consumidor, logo vieram as primeiras incertezas sobre a vida útil do CD. Como se não bastasse tal dúvida, a pirataria da noite para o dia tomou conta do mercado, pois o “novo produto” apresentava extrema vulnerabilidade para regravações clandestinas. Com a pirataria veio a queda no mercado fonográfico e falência de várias gravadoras. As de médio e pequeno porte pereceram por falta de liquidez e as gigantes (algumas multinacionais), chegaram a, como dizia o célebre Osmar Santos, balançar mais não caíram. O mercado do samba, neste particular, foi muito afetado, pois grande parte dos grupos que surgiam, pelo início dos anos 90, eram provenientes de gravadoras de pequeno porte.
Pouco a pouco o CD foi cedendo espaço para o DVD que, ganhou mercado antes do esperado, afinal a imagem agregada ao som era o sonho de consumo de todo e qualquer amante da boa musica. O problema é que, os produtores, voltados para um nicho novo dentro do segmento, começam a investir na gravação ao vivo destes DVDs. O “ao vivo” repercute a realidade dos shows, dá ao artista uma dose de emoção adicional para realizar o trabalho com sucesso e ao público telespectador a sensação de estar ali presente.
Em compensação, perde-se muito na fidelidade sonora. A pirataria continua. Mas as gravadoras trabalham dia e noite tentando descobrir um “plus” que cerceie no nascedouro o processo de reprodução clandestina das obras autorais. No samba, os últimos lançamentos têm sido somente de DVDs ao vivo. Radialistas do Brasil que se acostumem com os aplausos e assovios de fundo, ruídos no background, pois o DVD ao vivo é a bola da vez. Salve a cultura popular!
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LAURA disse:12/08/11 10:50
BOM DIA!!
NO VEU VER A PIRATARIA SO EXISTE POR QUE AS GRAVADORAS QUERENDO LUCRAR CADA VEZ MAIS COLOCAM O PREÇO LA EM CIMA E AS CAMADAS MAIS POBRES QUE TAMBEM GOSTAM DE MUSICA NAO TEM ACESSO AOS CDS E DVDS ORIGINAIS ACABAM COMPRANDO MESMO OS PIRATAS QUE TEM UM PREÇO BEM BAIXO EM VISTA DO ORIGINAL..
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