Vitor Hugo e Danislau

O retrato 3X4 da cultura popular.

Musicais Musicais é publicada às quintas-feiras. Assinam a coluna, em dias alternados, o radialista Vitor Hugo e o músico Danislau Também.

22/03/2012 7:06

O talento de Cyro Monteiro

Filho do capitão Monteiro, um dentista e funcionário público, Ciro Monteiro foi um dos mais típicos cariocas. Nasceu em 28 de maio de 1913 no bairro do Rocha, do qual ele tinha muito orgulho e se proclamava símbolo.

O destino só poderia reservar-lhe a música como futuro. Sobrinho do pianista Nonô, na época um dos mais famosos do Rio de Janeiro, acompanhador de Sílvio Caldas. Ensaiavam na casa da família Monteiro e assim Cyro cresceu em ambiente musical. Passou a infância e a juventude em Niterói.

Cantava em festas e rodas de amigos fazendo dueto com o irmão Careno, inspirados na dupla Sylvio Caldas e Luiz Barbosa. Numa emergência, já que conhecia todo o repertório deles, a pedido do próprio Sylvio, foi substituir Luiz Barbosa num programa da Rádio Educadora. No ano seguinte, foi levado para um teste na Rádio Mayrink Veiga. Aprovado, foi escalado para um programa diurno, mas logo subiria para os noturnos, com Carmen Miranda, Francisco Alves, Mário Reis, Custódio Mesquita, Noel Rosa, Gastão Formenti e outros grandes cantores. Se Luiz Barbosa marcava o ritmo no chapéu de palha, e Joel de Almeida foi seu seguidor, Cyro descobriu na caixa de fósforos sua característica instrumental.

No ano seguinte, Ciro estava no “Programa das Donas de Casa”, da Rádio Mayrink Veiga, já batucando sua caixinha de fósforos, que o acompanharia por toda a carreira. Como de hábito naquele momento, cantava em todas as emissoras, ao lado dos grandes artistas, até ter seu maior sucesso, que veio do compositor gaúcho Lupicínio Rodrigues, com o samba “Se Acaso Você Chegasse”, em 1937, que ele gravaria na Victor, em 1938.

Figura humana de raras qualidades, Ciro que faleceu em 1973, é até hoje exaltado por todos quantos o conheceram. Sua simpatia, bondade e bom caráter proverbiais abriram-lhe todas as portas durante a longa carreira, que nem uma enfermidade pulmonar conseguiu interromper. Recuperado, conservou a bossa, a divisão e o vibrato, suas características marcantes, Ciro Monteiro foi senhor de uma das mais bonitas carreiras da música popular brasileira.

Cyro Monteiro, tio de Cauby Peixoto, o “Formigão” para os amigos e “O cantor das mil e uma fãs” para o Brasil, deixou vasta obra musical. É jóia do samba e talento inesquecível da música brasileira. Salve a cultura popular!

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