Histórias de Noel
“Feitiço da Vila”, samba com “s” maiúsculo, foi feito em homenagem à Rainha da Primavera de 1934, Lela Casatle de Vila Isabel tornando-se ao mesmo tempo um hino de amor à Vila. Este samba é um dos grandes sucessos da Música Popular Brasileira. Por aqueles tempos, Wilson Baptista aproveitando-se do sucesso crescente de Noel, não deixou passar a oportunidade de fazer um samba resposta e reascender a polêmica musical: compôs “Conversa Fiada”. Noel, reconhecendo as qualidades do samba de Wilson, não deixou passar em branco o desafio e respondeu magistralmente com “Palpite Infeliz”. A gravação, também do ano de 34, foi feita por João Petra de Barros com a Orquestra Odeon.
Um outro samba histórico, “Feitio de Oração”, selou uma das maiores parcerias da nossa música: Noel Rosa e Vadico. No final do ano de 1932, Noel Rosa gravava no estúdio da Odeon, quando ao passar por um corredor ouviu um piano magicamente executado. O maestro Eduardo Souto que o acompanhava, ao perceber o seu êxtase, pegou-o pelo braço, entrou na sala do pianista e os apresentou. Após os cumprimentos de costume, o maestro pediu a Vadico que tocasse, a melodia que executava ainda a pouco, para Noel. Dois dias depois, o Poeta da Vila chegava aos estúdios com a letra e o título. Disse, alegremente a Vadico: – Chama-se “Feitio de Oração”. Mais onze músicas sucederam e a parceria passou a ser respeitada em todo o meio musical.
“O orvalho vem caindo” provocou grande estranheza pela parceria de Noel com Kid Pepe, famoso ex-pugilista que tinha por hábito usar os músculos para conseguir “parcerias”. Além de ser um samba tipicamente noelino, a letra retoma o tema de Com Que Roupa? , tão ao gosto de Noel, um autor temático, falando da situação do povo brasileiro, do atraso do pagamento dos funcionários públicos, enfim da precariedade do país. O “Pierrô apaixonado” foi introduzido no filme “Alô, Alô Carnaval”, dirigido por Ademar Gonzaga e que estreou em 20 de janeiro de 1936. Foi a única parceria de Noel com Heitor dos Prazeres. Nessa música, Noel reescreveu a história de Pierrô, Colombina e Arlequim, num tom carnavalesco e debochado. Este samba foi gravado por Joel e Gaúcho com os “Diabos do Céu”, em 1936 pela RCA Victor. Falei um pouco do poeta da Vila. Contei algumas passagens de Noel Rosa. Viva o samba e sua gente. Salve a cultura popular!
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