Luis Figueira

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Na Geral A coluna Na Geral é publicada às quartas-feiras e domingos.

19 de maio de 2013 7:00

Cargo de confiança

Jornalista

Em qualquer empresa é natural que existam os chamados cargos de confiança e, no futebol, isso não é diferente. É dessa forma que podemos classificar o goleiro. Este jogador é aquele que dentro de campo não pode falhar e os “abacaxis” quase sempre sobram para ele. Uma falha do goleiro pode comprometer o resultado do jogo e até mesmo marcar sua carreira por toda a vida.

Foi assim com o grande Barbosa, goleiro titular absoluto da seleção brasileira na Copa do Mundo de 1950, disputada no Brasil, quando a seleção brasileira foi derrotada pelo Uruguai na final, no episódio que ficou conhecido como “Maracanazo”, quando Ghiggia marcou o segundo gol dos adversários, calando 200 mil pessoas que estavam no Maracanã, palco da final, e outras milhões por todo o Brasil.

Apesar de muitos cronistas terem inocentado o goleiro Barbosa, a maioria o crucificou e ele foi considerado culpado pela derrota brasileira e, consequentemente, pela perda do título. O pobre Barbosa morreu em abril de 2000, aos 79 anos, levando para debaixo da terra uma culpa que não era verdadeiramente sua.

Que profissão ingrata essa de goleiro. É tão amaldiçoada que nem grama nasce onde ele fica. Na última terça-feira, no confronto entre Palmeiras e Tijuana, do México, pela Taça Libertadores da América, que valia vaga para as quartas de final, o jovem goleiro Bruno engoliu um “frangasso” e foi diretamente responsável pela eliminação do time brasileiro. Tomara que não aconteça com ele o mesmo que ocorreu com o Barbosa e ele possa seguir sua carreira sem o peso da culpa.

Recentemente, no Módulo II do Campeonato Mineiro, o goleiro Filipi, do Uberlândia Esporte engoliu um “frango” e o time acabou ficando no empate com o Democrata-SL em pleno Parque do Sabiá. No mesmo campo, contra a Patrocinense, o jovem goleiro Jonathan, também do Uberlândia, cometeu falha grotesca e o time não conseguiu a vitória. Se não fossem esses dois gols, talvez o Uberlândia tivesse conseguido se classificar para o quadrangular final da competição.

Aliás, até hoje, não consigo entender como o gestor de futebol do Uberlândia, Ângelo Márcio, que foi um bom goleiro, e o técnico Wellington Fajardo, que também foi goleiro, não conseguiram contratar um “camisa 1” de respeito, afinal, se um grande time começa por um grande goleiro, e este profissional deve ser da mais absoluta confiança, erraram feio no Uberlândia, que agora terá que amargar mais um ano na pobre Segunda Divisão Mineira.

12 de maio de 2013 6:22

Parece que sem muleta não dá

Jornalista

No período de entressafra do futebol brasileiro, quando a maioria absoluta dos times foi eliminada dos campeonatos estaduais e nem sequer vai disputar os campeonatos promovidos pela CBF, é muito natural que surjam especulações quanto ao futuro dessas equipes. Este é o caso do Uberlândia Esporte Clube (UEC), que foi eliminado precocemente do Módulo II do Campeonato Mineiro, e, agora, vive a incerteza em relação ao segundo semestre e até mesmo à temporada 2014.

Em matéria produzida pelo nosso repórter Éder Soares publicada na edição de hoje, a terceirização do departamento de futebol do clube aparece como uma hipótese que é admitida por algumas pessoas e contrariada por outras. Segundo o presidente do UEC, Guto Braga, existem pelo menos oito empresas ou empresários interessados em assumir o futebol do clube, mas, por enquanto, ninguém colocou isso no papel, ou seja, não há nenhuma proposta oficializada.

O próprio Verdão terceirizou seu futebol, em uma experiência única, em um período na década de 1990, quando disputou a série C do Brasileirão. Naquela época, o grupo Nevada assumiu o departamento de futebol e, por muito pouco, o time não conseguiu o acesso para a série B. Desconheço os termos do contrato celebrado entre as partes, por isso não dá para dizer aqui se o Uberlândia ficou ou não no prejuízo.

Em outro molde, em sistema de parceria, o Uberlândia Esporte obteve sucesso pelo menos no aspecto técnico em outras fases por meio de parcerias com outros clubes. Foi assim, em 1999, que o time conseguiu o acesso ao Módulo I do Mineiro, com uma parceria com o Atlético Mineiro. Em 2000, na Copa João Havelange, o time alviverde, amparado pelo próprio Atlético, foi vice-campeão da série C e até hoje não sei por que o time não disputou a B no ano seguinte. Os outros acessos para o Módulo I ocorreram em 2005, ajudado pelo Cruzeiro e, em 2008, mais uma vez apoiado pelo Atlético.

Isso quer dizer que, ao longo desses últimos anos, o Uberlândia Esporte não obteve sucesso dentro de campo com suas próprias pernas. Houve a necessidade de ajuda de alguém. Quero deixar claro aqui que nunca fui a favor de parcerias com clubes do próprio Estado, até porque, quando o campeonato termina, todo mundo vai embora e o clube fica sem nenhum jogador, sem comissão técnica e precisa começar o trabalho novamente (quase sempre) em cima da hora, com muito pouca estrutura.

A verdade é que, nos últimos anos, o Uberlândia Esporte não tem conseguido montar elencos capazes de passar pelo Módulo II com competência, lembrando que, a cada ano, esse campeonato vem tendo um nível técnico baixíssimo. Não adianta querer inventar, tem que procurar fazer o simples. Tem que seguir exemplos de modelos que deram certo por outros clubes. Não adianta ficar por aí dizendo que fez o trabalho certo e que o time que disputou o último Módulo II era superior a todos os outros. O que vale mesmo é o que acontece dentro de campo, é a pontuação na tabela de classificação. O que vale é ganhar jogos. Ter uma excelente estrutura, pagar salários mais altos e em dia não é suficiente para ganhar um campeonato, tem que ter algo mais: é preciso ter competência. Nos últimos anos, o Uberlândia precisou ter uma muleta para se firmar. Quem sabe o caminho para o sucesso continue sendo a utilização de uma muleta.

5 de maio de 2013 7:09

A jiripoca vai piar

Jornalista

A União Recreativa dos Trabalhadores (URT) pode garantir hoje, matematicamente, o seu acesso ao Módulo I de 2014, a verdadeira Primeira Divisão de Minas Gerais. O time patense tem sete pontos e pode chegar a dez, desde que vença a Patrocinense, às 16h, no Estádio Júlio Aguiar, em Patrocínio. Na primeira fase, a URT fez 19 pontos e neste quadrangular final tem duas vitórias e um empate.

Morei em Patos de Minas em meados da década de 90 e sei o quanto a torcida da URT é grande e apaixonada, mas sei também que lá seus dirigentes sempre trabalharam enfrentando muitas dificuldades, mas têm um grande amor pelo azul-branco da URT.

Hoje, acompanho a URT à distância e imagino que as dificuldades, principalmente financeiras, são semelhantes às de anos anteriores. Então, o sucesso do time neste Módulo II deve ser creditado ao trabalho certo, à humildade e, principalmente, ao espírito de união, que com certeza está dentro do Estádio Zama Maciel.

Para nós que vivemos em Uberlândia e torcemos pelo Verdão, fica uma certa dose de inveja, afinal de contas, Patos de Minas é menor do que Uberlândia, uma economia inferior à nossa e o Estádio Zama Maciel nem chega aos pés do Parque do Sabiá.

Será que os dirigentes da URT são mais inteligentes ou mais espertos do que os do Uberlândia Esporte? Será que o clube patense paga salários maiores? Os seus dirigentes têm muita moral na Federação Mineira de Futebol? Ou será que lá eles contrataram jogadores com perfil de Segunda Divisão?

Não dá para dizer de maneira nenhuma que a URT está dando sorte. Temos que calçar a sandália da humildade e reconhecer que, em Patos de Minas, a turma da URT foi mais competente do que a turma do Verdão, por isso, o time está fazendo por merecer o acesso.

Ainda não tem nada definido, mas se a URT não conseguir o acesso hoje, poderá garantir nas duas últimas rodadas deste quadrangular. Sob o comando do técnico Luis Eduardo, que no ano passado subiu o Araxá, a URT deve fazer um jogo cauteloso diante da Patrocinense, dentro de suas características, que são muita marcação e saída rápida nos contra-ataques.

Mas não será nada fácil, porque o time de Patrocínio, que está com três pontos, ainda tem chances de conquistar o acesso. Conhecendo as coisas de lá como conheço, neste jogo vai sair faísca, vai feder chapéu velho e jiripoca vai piar.