Cargo de confiança
Em qualquer empresa é natural que existam os chamados cargos de confiança e, no futebol, isso não é diferente. É dessa forma que podemos classificar o goleiro. Este jogador é aquele que dentro de campo não pode falhar e os “abacaxis” quase sempre sobram para ele. Uma falha do goleiro pode comprometer o resultado do jogo e até mesmo marcar sua carreira por toda a vida.
Foi assim com o grande Barbosa, goleiro titular absoluto da seleção brasileira na Copa do Mundo de 1950, disputada no Brasil, quando a seleção brasileira foi derrotada pelo Uruguai na final, no episódio que ficou conhecido como “Maracanazo”, quando Ghiggia marcou o segundo gol dos adversários, calando 200 mil pessoas que estavam no Maracanã, palco da final, e outras milhões por todo o Brasil.
Apesar de muitos cronistas terem inocentado o goleiro Barbosa, a maioria o crucificou e ele foi considerado culpado pela derrota brasileira e, consequentemente, pela perda do título. O pobre Barbosa morreu em abril de 2000, aos 79 anos, levando para debaixo da terra uma culpa que não era verdadeiramente sua.
Que profissão ingrata essa de goleiro. É tão amaldiçoada que nem grama nasce onde ele fica. Na última terça-feira, no confronto entre Palmeiras e Tijuana, do México, pela Taça Libertadores da América, que valia vaga para as quartas de final, o jovem goleiro Bruno engoliu um “frangasso” e foi diretamente responsável pela eliminação do time brasileiro. Tomara que não aconteça com ele o mesmo que ocorreu com o Barbosa e ele possa seguir sua carreira sem o peso da culpa.
Recentemente, no Módulo II do Campeonato Mineiro, o goleiro Filipi, do Uberlândia Esporte engoliu um “frango” e o time acabou ficando no empate com o Democrata-SL em pleno Parque do Sabiá. No mesmo campo, contra a Patrocinense, o jovem goleiro Jonathan, também do Uberlândia, cometeu falha grotesca e o time não conseguiu a vitória. Se não fossem esses dois gols, talvez o Uberlândia tivesse conseguido se classificar para o quadrangular final da competição.
Aliás, até hoje, não consigo entender como o gestor de futebol do Uberlândia, Ângelo Márcio, que foi um bom goleiro, e o técnico Wellington Fajardo, que também foi goleiro, não conseguiram contratar um “camisa 1” de respeito, afinal, se um grande time começa por um grande goleiro, e este profissional deve ser da mais absoluta confiança, erraram feio no Uberlândia, que agora terá que amargar mais um ano na pobre Segunda Divisão Mineira.