Camargo e Lúcio estão certos
Copa América termina hoje, com uma final inesperada, pelo menos para nós, brasileiros, entre Uruguai e Paraguai. Esperava-se que as principais potências sul-americanas (Brasil e Argentina) estivessem em campo hoje para a decisão da mais antiga competição de seleções do planeta.
As duas seleções favoritas, a Argentina, anfitriã, com o melhor do mundo, Messi, e o Brasil, pentacampeão mundial, com Neymar e cia., decepcionaram, deram vexame e foram eliminadas por uruguaios e paraguaios, respectivamente.
Nos tantos anos, e olha que são muitos, acompanhando futebol, acho que nunca vi uma competição de nível técnico tão baixo. O que vou dizer aqui não é oportunismo e quem acompanha esta coluna sabe bem disso, porque, quando substituíram Dunga por Mano Menezes, eu disse que este não seria o técnico ideal para comandar o escrete canarinho.
Para mim, Mano Menezes tem um currículo ainda fraco e, além disso, não tem pulso forte como deveria ter. Acredito que trabalhar com um grupo de jogadores badalados e, em sua maioria, milionários, não deve ser nada fácil. Administrar as vaidades de cada um não me parece ser uma tarefa muito simples.
Tenho cá comigo o pensamento que, em qualquer grupo de trabalho, a união, a disciplina e a concentração são aspectos fundamentais para se alcançar um objetivo. É preciso que todos empurrem a carroça no mesmo sentido, é necessário que a corda seja puxada para o mesmo lado por todos. Em um grupo tão badalado como o da seleção brasileira, em que muitos jogadores são alvo dos grandes clubes europeus e tão assediados pela imprensa mundial, é preciso ter um comando forte.
O nosso comentarista esportivo Camargo Neto, que tem sua coluna (Bola em Jogo) aos sábados e segundas-feiras, que me ensinou muita coisa na vida, é da filosofia que técnico ajuda ou atrapalha e que treinador não pode ser o todo-poderoso dentro de uma equipe. Concordo em gênero, número e grau com o Camargo, principalmente no que se refere à hierarquia.
Em qualquer time, seja de futebol, basquete ou vôlei e aqui, especificamente, na seleção brasileira, o treinador, hoje o Mano Menezes, não pode ser o dono de todas as decisões. Tem que ter alguém acima, com mais poderes. Como disse o Camargo Neto, tem que existir a figura daquele diretorzão, aquele que fecha a cara ou diz não quando for preciso. Aquele que vai concordar ou discordar do treinador e terá a sua opinião ou decisão respeitadas. O Camargo está certinho.
Entre tantas coisas que foram faladas durante a vexatória participação do Brasil na Copa América, o zagueiro Lúcio, capitão da seleção, deu bronca depois do empate com a fraca Venezuela e acertou em cheio quando falou que o escudo da CBF na altura do peito da camisa é muito mais importante do que o nome do jogador que aparece nas costas. O Lúcio também está mais do que certo.
O Brasil sediará a próxima Copa do Mundo, portanto, não disputará as Eliminatórias Sul-Americanas e, consequentemente, não terá um calendário tão forte daqui até 2014. É preciso resgatar a força do futebol brasileiro para que, dentro de casa, a seleção não dê o fiasco que a Argentina deu diante de sua torcida.
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