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História da Arte e da Cultura

Nehac A coluna é publicada às sextas-feiras por integrantes do Núcleo de Estudos em História da Arte e da Cultura (Nehac)

24 de maio de 2013 6:04

“Curtindo” (n)as redes sociais

Texto: Ana Carolina Passos Aun

O homem, como ser sociável que é, sempre interagiu e trocou experiências com o semelhante. Os laços criados sempre surgiram dos lugares frequentados, como o trabalho, a escola, os passeios de fim de semana e, também, as reuniões de família, seja para conversar ou apenas para ver televisão juntos.

Não muito diferente do que acontece hoje, essas relações ainda existem, mas é praticamente impossível ver alguém que não olhe pelo menos uma vez em alguma rede social enquanto está no convívio com os outros. A interação se modificou. O acesso fácil à internet, seja pelo notebook, tablet, celular ou smartphone, faz com que as pessoas permaneçam mais tempo conectadas na rede, e desconectadas do que está acontecendo à volta.

A internet proporciona uma grande quantidade de conhecimento, contudo, ela também nos isola, até certo ponto, do convívio social, pois transformou a maneira pela qual nós nos comunicamos. As redes sociais, meio de comunicação e entretenimento, surgiram com a popularização da web e se tornaram a forma mais popular de conectar-se com o mundo.

As redes sociais têm os benefícios. Elas servem para negócios, entretenimento, projetos, eventos, divulgação de pensamentos e, também, como uma forma diferente de socialização. Todavia, os malefícios surgem quando há excesso no uso. Nelas há muita exposição pessoal, algo que pode ser verificado quando uma conversa entre amigos no bar é pautada no que foi postado na rede, quem curtiu uma foto ou não e etc.

Recentemente, o Comida di Buteco, concurso nacional de cozinha de raiz, mostrou na campanha a necessidade do retorno ao convívio fora das redes sociais, com frases divertidas como “se for para curtir, que seja com os amigos no buteco”.

A nossa relação com a internet e as redes sociais pode sim ser saudável, para isto é necessário limites, saber a hora de trabalhar, estudar, interagir no ambiente virtual, sair com os amigos, entre outras coisas. Quando bem utilizadas, as redes sociais podem ser espaços de ações relevantes para a sociedade.

Enfim, mesmo com essa mudança na forma de interagir com o mundo, devemos estar atentos à necessidade de curtir  com as pessoas para o nosso bem-estar psíquico e físico, pois o ato de encontrar o outro possibilita o crescimento, traz oportunidades, desperta sentimentos, enriquece a vida!

* Ana Carolina Passos Aun é mestranda em História pela Universidade Federal de Uberlândia (UFU), bolsista da Capes e integrante do Núcleo de Estudos em História Socialda Arte e da Cultura (Nehac). E-mail: passos.aun@gmail.com.

17 de maio de 2013 10:36

A crítica de cinema em tempos de internet

Os interessados em cinema encontram na internet um amplo conteúdo sobre filmes. Sites especializados oferecem muito material de pesquisa para os amantes da sétima arte e também para os estudiosos. Nesse cenário, a crítica de cinema ganha novos espaços, não mais restritos aos jornais e revistas impressos das décadas passadas. Com o crescente aumento do acesso à internet, podemos dizer que os críticos de cinema hoje conseguem alcançar uma quantidade cada vez maior de leitores.

O internauta vê em casa os horários de exibição de um filme e já dá uma olhada nos comentários acerca da obra disponíveis na rede mundial de computadores. Seja nas mídias impressas, seja nas mídias virtuais, o que podemos verificar é que a crítica de cinema muitas vezes interfere na recepção dos filmes por parte do grande público. Como o historiador Alcides Freire Ramos afirma no livro “Canibalismo dos Fracos” (2002), “o crítico possui um papel importante no que se refere à formação da opinião sobre os filmes”.

Posto isso, há algo preocupante que podemos observar na internet: a repetição desvairada das ideias e colocações dos críticos de cinema por parte de muitos espectadores, especialmente nas redes sociais. Sites como o “Cinema com Rapadura”, por exemplo, que divulga críticas de filmes, muitas delas interessantes, diga-se de passagem, oferecem um prato cheio para os papagaios de plantão na web. Nestes tempos de internet, onde impera o “copiar e colar”, a criatividade e a autonomia de pensamento parecem estar fora de moda.

É espantoso ver universitários que se dizem “cinéfilos” e “intelectuais” reproduzindo descaradamente, palavra por palavra, sem dar os devidos créditos às fontes, o que os textos de crítica de cinema dizem sobre certos filmes, não se arriscando a uma interpretação própria das obras. Como afirma Alcides Freire Ramos no livro, “a crítica de cinema não é neutra”. Em outras palavras, os críticos não são donos de uma verdade absoluta sobre os filmes, é preciso ler seus textos de maneira cuidadosa, verificando os méritos e as limitações das análises.

Ler a crítica especializada é um passo importante para entendermos o significado que os filmes adquirem em determinados contextos. Contudo, apenas reproduzir, cega e apressadamente, o que os críticos dizem sobre as películas é, na minha avaliação, um exercício “intelectual” bastante ingênuo e pobre.

*Rodrigo Francisco Dias é mestrando em História pela Universidade Federal de Uberlândia (UFU), bolsista da Fapemig e integrante do Núcleo de Estudos em História Social da Arte e da Cultura (Nehac). E-mail: dias.rodrigof@gmail.com

10 de maio de 2013 7:00

As cartas que se transformaram em livro

A leitura nos leva por caminhos diversos. Bom seria se todos os amantes das letras tivessem tempo suficiente para ler o que despertasse seus interesses. Como a vida é breve e os livros são muitos, indico o recém-lançado “Carta ao Filho”, da psicanalista Betty Milan, publicado pela Editora Record.

Autora de diversos livros, Milan formou-se em Medicina pela Universidade de São Paulo (SP), especializou-se em Psiquiatria e foi assistente e tradutora de Jacques Lacan em Paris. Viveu entre o Brasil e a França e o interesse por esses países fez com que ela publicasse nos dois idiomas. Neste ano, ela oferece ao público “Carta ao Filho”, onde trata de sua trajetória como mulher e mãe.

A questão central do livro autobiográfico é instigante: mulheres que participaram do movimento de libertação sexual dos anos de 1960 e 1970 se tornaram mães menos opressoras? A relação com o filho de 30 anos, carregada de incertezas e lacunas, levou a autora a publicar suas experiências. Quando o filho deixa o lar e se distancia, a mãe autora redige uma série de cartas na tentativa de deixá-la mais próxima daquele que tem a necessidade de partir. Com isso, ela recupera seu passado, suas relações amorosas, as afinidades e distanciamentos com o pai da criança, pensa em si mesma e na relação com seus pais. É o testemunho emocionado de uma vida na qual os laços amorosos e fraternos podem ser percebidos em profundidade.

É interessante perceber que a mulher, bem formada, psicanalista, que fez parte da geração que rediscutiu padrões de conduta e defendeu relações menos opressoras, quando se viu diante do filho adulto, que precisava seguir a própria vida, foi incapaz de ouvi-lo e de reconhecer que ele era o dono de sua trajetória. A magia do livro está em oferecer ao leitor a capacidade de ver a si mesmo como humano, como alguém que erra, mas que, acima de tudo, é capaz de reconhecer em seus atos a possibilidade da revisão.

Não por acaso, as cartas só se transformaram em livro após a anuência do filho de Milan, que conseguiu perceber em sua mãe uma mulher que vive, age, luta e também falha. Afinal, aquilo que se reconhece como falha, por mais que se queira evitar, faz parte da vida cotidiana e de todas as relações, inclusive das difíceis e, por vezes, duras aproximações e distanciamentos entre mães e filhos. Sob todos esses aspectos, o livro de Betty Milan vale cada linha.

*Rodrigo de Freitas Costa é professor adjunto do curso de História da Universidade Federal do Triângulo Mineiro (UFTM – Uberaba/MG) e integrante do Núcleo de Estudos em História Social da Arte e da Cultura (Nehac). E-mail: rfreitascosta@hotmail.com