E o modelo?
Vivemos atualmente em meio a relações sociais cada vez mais superficiais e que, inevitavelmente, encontramos no que tange a produção artística uberlandense e também no âmbito nacional.
É lugar comum o modo como as novas produções artísticas, principalmente no âmbito da música, se tornaram obsoletas cada vez mais rápido. Assim, seguindo a lógica e exigência do mercado, as produções tendem a ser cada vez em maior número e sua apreciação quase que descartável. Posto isso, percebemos então a criação de certos modelos de produção artístico-cultural que forçam seus idealizadores a adaptarem ao molde, exatamente pela ausência de um bom funcionamento e de imparcialidade nas políticas de incentivo à produção artístico-cultural.
Em nossa sociedade, criamos dois extremos: o da chamada “arte enlatada” que não propõe maiores problemáticas para além das quais já estão evidentes na sua apreciação primaria – esses encontram facilmente mecanismos para produção, seja na música, cinema, teatro entre outras, pois o intuito primário e principal é a vendagem do produto arte. No outro extremo, temos os considerados cults, que sobre uma suposta ilustração colocam-se como os produtores da arte intelectualizada, sendo esses os detentores do conhecimento e, sob uma espécie de pseudo-erudição, produzem para eles mesmos – esses também não têm dificuldades para execução de seus projetos artísticos, pois encontram no Estado um financiador perfeito.
Nossa proposta não é desconsiderar a arte produto ou a arte de grupinhos, mas sim apontar para a necessidade de valorização de artistas que, por não conseguirem espaços no mercado cultural ou nos programas de incentivos, acabam por ficar à margem do processo de criação e apreciação artística. A valorização cultural e artística não precisa ser limitada, a diversidade se faz necessária para o enriquecimento das relações entre produção e apreciação. Deve-se valer as mais diversas possibilidades e para isso devemos ter o cuidado de não simplificar tudo a certos modelos sejam eles quais forem.
Anderson Neves
Mestrando em História pela Universidade Federal de Uberlândia e membro no Núcleo de Estudos em História Social da Arte e da Cultura (Nehac)
-
Junior disse:11/02/11 12:04
Vale lembrar que a grana que financia esses grupos sai da sociedade, e necessariamente tem que voltar pra ela de alguma maneira.
parabéns
-
Loga disse:11/02/11 12:15
O pior é que “arte enlatada”vem no momento atual com um rótulo enorme escrito funk e,em latas maiores ainda sobre rodas ,nos empurrando guela abaixo seu sub- produto.
-
Carlos disse:11/02/11 21:04
Me lembrou adorno, só que com incômodos atuais.
Gostei.
Comentários (3)