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História da Arte e da Cultura

Nehac A coluna é publicada às sextas-feiras por integrantes do Núcleo de Estudos em História da Arte e da Cultura (Nehac)

17/04/2011 6:00

Cultura Nerd

Dragões cuspindo fogo, samurais gigantescos equipados com pesadas metralhadoras, zumbis nazistas e robôs que protegem bombas e são desafiados por lolitas usando mini-saia, cinta-liga e corpete ao som de música pop com batidas dançantes. Isso é “Sucker Punch – Mundo Surreal” que estreou dia 25 de março nos cinemas e é mais um filme de Zack Snider, conhecido diretor de filmes voltados para o público nerd.

Em sua filmografia constam “300”, “Madrugada dos Mortos”, “A Lenda dos Guardiões” e “Watchmen”. O diretor criou um mundo fantástico, de fato surreal, para contar a história da bela Babydoll (Emily Browning), uma menina que é internada em um hospício após ser acusada injustamente por um padrasto ambicioso de matar a própria irmã.

Planejando fugir do local, Babydoll busca forças e conforto dentro de si mesma. Por meio da dança, ela liberta a mente e transforma o mundo ao seu redor em um local cheio de aventuras onde ela e as amigas devem cumprir certas tarefas para conseguirem escapar. A linguagem, o visual, a temática e a condução da história foram feitos para agradar em cheio fãs de videogame e de cultura nerd. Portanto, se você não é um nerd, talvez fique um pouco “perdido” e não entenda algumas referências ao longo do filme.

Mas o que é um nerd? O termo se difundiu na década de 1960 com uma conotação pejorativa; era aplicado às pessoas com alguma dificuldade em se relacionar socialmente e que não se encaixavam em padrões estéticos e intelectuais vigentes. Hoje essa conotação ainda descreve uma pessoa que tem dificuldades de integração social e que é atrapalhada, mas que nutre grande fascínio por conhecimento ou tecnologia.

O que mudou nesses cinquenta anos foi a tecnologia. Do engatinhar do analógico ao mundo digital e em constante ebulição que caracteriza o início de século. E a tecnologia passou a nos fascinar, nos tornamos cada vez mais dependentes dela. Um termo, ou conceito, possui historicidade; isto é, tem seu lugar no tempo e no espaço. Por isso, sua aplicação de forma indiscriminada nos leva a um “pecado mortal” nos estudos históricos: o anacronismo.

Os ditos nerds desenvolveram, baseados na classificação pejorativa, uma identidade. E o que era motivo de discriminação se tornou motivo de orgulho. Ser nerd hoje é diferente de ser nerd na década de 1970. A história é feita de rupturas e continuações, os conceitos mudam, não são estáticos, pois são meras “ferramentas” usadas para entender o homem e suas relações sociais.

Thaís Corsino – Graduanda em história pela Universidade Federal de Uberlândia e integrante do Núcleo de Estudos em História da Arte e da Cultura (Nehac)

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