Estão Todos Bem. Será?
O que fazer diante do vazio gerado pela aposentadoria após mais de 30 anos de trabalho ininterrupto e mecânico para prover o sustento familiar? O que fazer quando este vazio é agravado pela perda recente da esposa após 41 anos de casamento estável? O que fazer diante do fato de que os “meninos e meninas” crescerem e se tornaram adultos ocupados, sem tempo nem mesmo para um fim de semana em família?
Todos estes questionamentos são vivenciados por Frank, personagem de Robert de Diro em “Estão todos bem” (Kirk Jones, 2010), refilmagem do filme homônimo do italiano Guiuseppe Tornatore. A situação de Frank se vê agravada com a morte da esposa, até então tida como o elo entre ele (pai autoritário e exigente) aos quatro filhos. Diante da recusa de seus quatro filhos em reunir a família no feriado de fim de ano, Frank resolve fazer uma surpresa aos filhos, que estão espalhados pelos EUA, a fim de reunir a família novamente.
Durante a viagem, no entanto, Frank se vê diante de intrigas e mistérios no interior da própria família, ocultados durante anos pela dedicação exclusiva ao trabalho e pela omissão da esposa. Desse modo, as questões postas por Frank permitem uma reflexão de nossa sociedade de modo bastante original: Qual o lugar do ser humano quando ele se aposenta, quando ele deixa de trabalhar (produzir) em uma sociedade em que o ser é definido pela sua capacidade produtiva? Qual o sentido de toda uma vida dedicada ao trabalho em prol da família se este mesmo trabalho o tolheu do convívio e intimidade familiar?
Assim, “Estão Todos Bem” é daqueles filmes que tocam fundo, fazendo com que nossos próprios valores sejam questionados, degluitos e sublimados em emoção; inevitável, diante do desenvolvimento da história.
André Luis Bertelli Duarte
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