Nehac

História da Arte e da Cultura

Nehac A coluna é publicada às sextas-feiras por integrantes do Núcleo de Estudos em História da Arte e da Cultura (Nehac)

2/09/2011 6:00

Bulling: crime sem definição?

Recorrente nos debates na mídia, na escola, na família, o Bulling – palavra utilizada pela primeira vez em 1970 para se referir a um fenômeno cada vez mais emergente – preocupa as autoridades que buscam medidas efetivas para a diminuição de sua incidência.

De origem inglesa, do adjetivo Bully, a palavra significa valentão ou brigão. Definido como um crime de ordem psicológica e/ou física é reconhecido observando-se o comportamento das vítimas e dos agressores. A fim de assegurar sua masculinidade ou para se impor sobre o outro como superior, estes atingem aqueles – que, em geral, se silenciam – provocando medo por meio da agressão física ou psicológica repetitiva e incessantemente. Por se tratar de uma atitude em sua maioria obscura, torna-se difícil uma resposta ao crime, principalmente com a nova categoria: o cyberbulling. É necessário definir o que está sendo combatido e qual a metodologia utilizada, avaliemos: ela é eficaz?

Tal violência não está restrita a nenhuma faixa etária, o que dificulta mais o combate, contudo, a maior preocupação é nas escolas. É neste ambiente de transmissão da educação que a intervenção deve ser imediata e em parceria da escola (no papel do professor e da direção) com a família, tanto da vítima, como do agressor. No Brasil, pesquisas comprovam que pelo menos um terço dos jovens está envolvido com o Bulling, seja como agressores, cúmplices ou vítimas, e em determinados casos a vítima é atingida por problemas psicológicos graves podendo até chegar ao extremo de cometer suicídio.

O Bulling não mais se restringe a ambientes físicos, agora há o Cyberbulling, que é a agressão realizada por meios eletrônicos (em geral a Internet) o que pode ser pior, uma vez que a vítima pode não ter um agressor determinado, o anonimato e a pressão psicológica e as ameaças causam mais pavor e torna-se mais complicado de ser combatido.

Mediante isso, e com o intuito de diminuir a incidência do Bulling, as secretarias de ensino estão oferecendo cursos com apoio técnico e psicológico à família e à vítima, bem como propiciando o debate entre professores e alunos, em um trabalho conjunto. Alguns Estados brasileiros como o Piauí e Maranhão tomaram medidas legais de prevenção e tratamento do problema. Outros propuseram e estão colocando em prática idéias tais como um comitê anti-bulling, convênios e parcerias com órgãos públicos e privados, ONG’s, mas sem excluir a importância do apoio da sociedade civil.

E senadores estão com propostas para serem aprovadas de leis que regulamentariam os debates sobre assunto, definindo, por exemplo, o papel do Estado frente a essas atitudes. Em uma ação conjunta e imediata o Bulling pode ser combatido no Brasil, auxiliando o desenvolvimento dos cidadãos.

Para se informar mais sobre leia “Fenômeno Bullying: Como Prevenir a Violência nas Escolas e Educar” (Ed. Verus), de Cléo Fante.

Aline Ferreira Antunes
Discente do curso de História da Universidade Federal de Uberlândia e integrante do Núcleo de Estudos em História da Arte e da Cultura (Nehac)

Comentários 1

Ao enviar suas informações de registro, você indica que concorda com os Termos do serviço e leu e entendeu a Política de Privacidade do site do Correio de Uberlândia. Só serão liberados comentários cujos autores estejam identificados por nome e sobrenomes e que não contenham expressões chulas e/ou palavras de baixo calão.

 

  1. Robson Carlos Antunes disse:02/09/11 15:22

    Prezada Aline Ferreira Antunes, seu texto é bastante esclarecedor sobre este problema que sempre esteve presente nas escolas. Pergunto: há pesquisas realizadas nas escolas de Uberlândia sobre a incidência deste tipo de crime e sobre as medidas adotadas para coibí-lo?

    Responder