Nehac

História da Arte e da Cultura

Nehac A coluna é publicada às sextas-feiras por integrantes do Núcleo de Estudos em História da Arte e da Cultura (Nehac)

9/09/2011 6:09

Uma câmera na mão e muitas ideias na cabeça

Por Anderson Neves

Ao final do mês de agosto, várias e merecidas homenagens marcaram os trinta anos do falecimento de um dos maiores cineastas do Brasil e do mundo, Glauber Rocha (1939-1981). Sua obra, comumente lida a partir do histórico de questionamentos políticos conferidos ao diretor, vai além dessa esfera, suscitando discussões que perpassam a cultura brasileira de uma maneira ampla.

Em uma extensa filmografia, o seu argumento é construído a partir de diálogos diretos com o campo religioso, educacional, musical, político e etc. de um país em constantes mudanças, tanto nas obras anteriores ao golpe militar, ocorrido no país em 1964, quanto nas posteriores ao cerceamento das liberdades.

Sua filmografia, no geral, apresenta balanços e perspectivas para um Brasil precisando entender os seus próprios caminhos. Glauber, intelectual e partidário do movimento do Cinema Novo, militou incessantemente para o sucesso desse movimento que se dizia “vanguarda” brasileira. Brilhantemente, por meio de alegorias, atuou pelas brechas da censura, para questionar a ordem estabelecida. Em alguns filmes, fez uso da extravagância para acenar à necessidade de resistência a ditadura instaurada no Brasil, em outros, a crítica explicitada era posta nas telas. Glauber também se mostrou um leitor da bíblia conduzindo, em diversos momentos, suas alegorias para o campo religioso.

Filmes como “Barravento” (1962), “Deus e o Diabo Na Terra do Sol” (1964) e “Terra em Transe” (1967) nos mostram o caldeirão de problemáticas levantadas na obra de Glauber, e como aparecem os referidos diálogos que aproximam o político, do religioso para pensar a identidade do brasileiro e os rumos que o país esta tomando.

Glauber Rocha, com uma produção riquíssima, transformou e foi transformado pelo cinema, trabalhou para conferir o status adquirido pelo Cinema Novo, e do mesmo modo, decretou seu fim do movimento na década de 1970.
Ligado ao que se produzia no mundo, buscou estabelecer diálogos com matrizes estéticas como o neo-realismo italiano, o western “americano” entre outras. Nesse ínterim, suas obras fílmicas permanecem por meio das décadas suscitando instigantes debates e ainda hoje ecoam como leituras atuais da sociedade brasileira.

Há trinta anos falecia Glauber Rocha, fica aqui a nossa elogiosa homenagem.

Comentários (2)

Ao enviar suas informações de registro, você indica que concorda com os Termos do serviço e leu e entendeu a Política de Privacidade do site do Correio de Uberlândia. Só serão liberados comentários cujos autores estejam identificados por nome e sobrenomes e que não contenham expressões chulas e/ou palavras de baixo calão.

 

  1. Fabio disse:09/09/11 11:12

    Muito bom, justa homenagem e fora dos clichês comuns.

    Responder
    • Anderson Neves disse:09/09/11 11:15

      Obrigado Fábio.

      Responder