Nehac

História da Arte e da Cultura

Nehac A coluna é publicada às sextas-feiras por integrantes do Núcleo de Estudos em História da Arte e da Cultura (Nehac)

18/11/2011 6:00

Formas de Sentir

“We are satisfied with our mediocrity, because we have had no experience of anything better.” Estamos satisfeitos com nossa mediocridade, pois não tivemos experiência de qualquer coisa melhor. Essa frase é atribuída a David Hume, famoso filósofo e historiador escocês do século 18. Gosto dela, pois me lembra o quanto a arte pode ser importante para a construção de novas formas de percepção do sujeito. Junto com a filosofia, a relação entre o sujeito e a arte constitui um dos maiores estratagemas já criados para enfrentarmos o mundo e nós mesmos.

Sentimentos. A arte trata deles. Ao mesmo tempo lhes busca, procura dar-lhes vazão. O que o artista sente é o que nos une a ele. Pois por mais diferente que sejamos em termos culturais, e ainda bem que somos tão ricos e variados nisso, nossos sentimentos podem aproximar-nos. O que muda é a forma, a essência é o que fica. Japoneses amam, brasileiros amam. Mas a expressão, o trato, a resistência, a arte que disso deriva, seja reafirmando ou renegando, é diferente. Existe uma forma correta de arte? Existem formas melhores, mais adequadas que outras? Música clássica ou sertaneja? Filmes do Pier Paolo Passolini ou Michael Bay? Ir ao teatro ou assistir à novela?

Ora, quem disse que é necessária a polarização? Ou isso ou aquilo? O erudito não sobrevive sem o popular, que não sobrevive sem o erudito. Cada forma de expressão nos “dá algo”, por mais marginalizada que seja. E cada uma possui limites, mesmo as obras consideradas geniais. É claro que existem diferenças qualitativas, é claro que não é tudo a mesma coisa. Mas é tudo obra humana, tudo é parte dessa gigantesca, bela e deslumbrante existência humana. É o homem no tempo e no espaço exprimindo, criando, gozando, sofrendo. E mesmo que isso pareça insignificante e banal, é, para quem possui “olhos de ver”, algo magnífico.

A frase de Hume ao mesmo tempo que nos coloca diante de nossa mediocridade, revela que há a possibilidade de novas percepções, novos sentimentos; arte pode nos libertar do tédio.

Thaís Corsino
Discente do curso de graduação em História da Universidade Federal de Uberlândia e Integrante do Núcleo de Estudos em História da Arte e da Cultura (Nehac)
taticorsino@hotmail.com

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