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História da Arte e da Cultura

Nehac A coluna é publicada às sextas-feiras por integrantes do Núcleo de Estudos em História da Arte e da Cultura (Nehac)

25/11/2011 6:00

99 anos de Obsessão

Homens traídos, mulheres traídas, triângulos amorosos, inocência e nudez. Essas e outras situações cotidianas fazem parte do universo de Nelson Rodrigues (1912 -1980), que no dia 23 faria 99 anos.
Nascido no dia 23 de novembro de 1912, na cidade de Pernambuco, Nelson foi para o Rio de Janeiro muito novo, movido pelo sonho da mãe de melhorar a condição de vida e, assim, juntar-se ao pai que havia acabado de conseguir abrir o próprio jornal.

Ainda jovem, o primeiro emprego dele foi como jornalista policial, no qual traições e romances proibidos eram os principais ingredientes para suas noticias. A maioria das reportagens eram sobre o bairro em que morava, o Aldeia Campista, situado na Zona Norte da cidade. Em algumas entrevistas quando perguntado quais eram suas inspirações, Nelson dizia que o segredo para se escrever tais peças eram apenas ouvir as histórias que as pessoas tinham a contar. Mas é evidente que experiências pessoais, sendo suas vivências e descobertas na infância como as tragédias ocorridas no âmbito familiar, também foram de enorme importância para a criação de suas peças.

A peça “A Mulher sem Pecado” (1941), no qual enfatiza a obsessão que o ciúme pode causar, abre as portas do teatro para sua escrita realista, mas sua consagração como “criador” do teatro moderno brasileiro se dá com a peça “Vestido de Noiva” (1943).

Escrevendo sobre temas sempre polêmicos e críticas ferrenhas sobre a sociedade carioca, Nelson sofreu com a censura de algumas de suas peças, por isso nunca abandonou o jornal, escreveu crônicas sobre futebol e também uma coluna com suas memórias. Mas a que mais fez sucesso foi à coluna “A Vida como ela é…” que se expandiu para o rádio, televisão e recentemente para o DVD.

A comemoração do centenário de Nelson Rodrigues será em grande estilo, pois está programado na cidade de São Paulo a montagem de todas as suas peças, a exibição de filmes baseados em suas obras, o relançamento de um livro a seu respeito e uma exposição. No Rio de Janeiro, o dramaturgo será samba enredo da escola de samba Viradouro.

Ironia ou não, Nelson, em uma de suas frases mais famosas, afirmou que toda unanimidade é burra, mas esta nunca se sentiu ofendida o bastante para esquecê-lo, ao contrario, até hoje sua obra é referência em diversas obras.

Ao longo da carreira, muitos o chamaram de tarado ou obsessivo, mas o adjetivo que mais combina com Nelson Rodrigues é curioso. Deste modo, não podemos esquecer de uma fala dele: “Sou um menino que vê o amor pelo buraco da fechadura. Nunca fui outra coisa. Nasci menino, hei de morrer menino. E o buraco da fechadura é, realmente, a minha ótica de ficcionista. Sou (e sempre fui) um anjo pornográfico(desde menino).”

Lays Capelozi
*Discente do curso de graduação em história da Universidade Federal de Uberlândia e integrante do Núcleo de Estudos em História da Arte e da Cultura (NEHAC) syalcc@gmail.com

Comentários 1

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  1. Anatholy Guimarães disse:12/12/11 19:35

    quero saber como posso saber baixar google para realplayer

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