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História da Arte e da Cultura

Nehac A coluna é publicada às sextas-feiras por integrantes do Núcleo de Estudos em História da Arte e da Cultura (Nehac)

17/02/2012 6:00

Nelson Rodrigues para historiadores

O ano de 2012 será de culto e festas pelo centenário de um dos nossos mais renomados dramaturgos, Nelson Rodrigues. É legada a ele, nos livros da historiografia teatral nacional, a façanha de ter inaugurado nova face ao teatro brasileiro com a encenação de sua peça “Vestido de Noiva”, em 1943.

A referida peça além de reforçar o movimento de instituição da prosódia brasileira nos palcos inovou por incorporar à sua narrativa temporalidades múltiplas. A tradicional narrativa linear dava espaço a um drama desenvolvido em três níveis de narração: o plano da alucinação; da memória e da realidade. Tais inovações sugeridas no texto de Nelson tomaram corpo na encenação de Ziembinski. Nelson viveu a glória com a encenação de “Vestido de Noiva”, para logo após viver uma carreira por algum tempo maldita por alguns setores da sociedade.

Tais intempéries, no entanto, não o privaram do ato da escrita. Escreveu inúmeras peças que, se num primeiro momento foram analisadas negativamente pela crítica, com o passar do tempo o colocaram como um de nossos mais importantes dramaturgos.

Mas Nelson não foi sempre dramaturgo, pode-se mesmo arriscar a dizer que o teatro foi mais uma de suas obsessões. Profissão mesmo foi o jornalismo, inicialmente como jornalista de crimes passionais para depois assinar por inúmeras colunas de importantes jornais do país. Foi nesses espaços que Nelson registrou o seu olhar sobre o cotidiano do Rio de Janeiro e do Brasil. Nelas ele registrou as obsessões, taras e falsos moralismos das classes mais abastadas. Retirou as máscaras da granfinagem e mostrou “a vida como ela é”.

Além de denunciar os grã-finos, ele também deixou o seu retrato sobre os episódios da vida nacional durante o regime militar. São confissões do autor registradas sob os títulos “O Óbvio Ululante” e “A Cabra Vadia”. Perturbadoras e provocantes suas confissões servem de contraponto a qualquer debate sobre o regime militar, a nossa esquerda e a nossa intelectualidade. Cheios da ironia e inventividade que caracterizou o autor, lidos de forma mais cuidadosa, tais textos são também “provas” de um tempo passado, se não servirem para discutirmos certas verdades intocáveis que sirvam para legitimarmos o delicioso auto denominado reacionário que foi Nelson Rodrigues, num tempo em que até para ser reacionário exigia-se inteligência e talento.

Amanda Maira Steinbach
*Mestranda do Instituto de História da Universidade de Uberlândia e participante do Núcleo de Estudos em História Social da Arte e da Cultura (Nehac). amanda_steimbach@yahoo.com.br

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