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História da Arte e da Cultura

Nehac A coluna é publicada às sextas-feiras por integrantes do Núcleo de Estudos em História da Arte e da Cultura (Nehac)

9/03/2012 6:00

“Foi mal”

“Errar é humano”, nos diz a sabedoria popular. De fato, é impossível para qualquer ser humano atingir a perfeição, não conseguimos acertar sempre, às vezes magoamos outras pessoas. “Perdoar é divino”, nos lembra a mesma sabedoria popular. Perdoar é um ato de amor, uma atitude nem sempre fácil de tomar, mas sempre útil para que possamos seguir em frente no dia a dia, sem mágoas.

Contudo, os problemas surgem quando o ato de perdoar passa a ser visto por muitos como uma obrigação em si mesmo: aquele seu amigo pisa na bola, vai até sua casa para te pedir desculpas e você tem que perdoá-lo. Se não o perdoar, será rotulado como uma pessoa rancorosa, sem Deus no coração. O perdão não pode ser uma obrigação, pois, se o for, as pessoas não deixarão de cometer os mesmos erros. “Não há nada de mau se eu fizer isso, se ele não gostar, eu vou lá, peço desculpas e ficará tudo bem de novo”, certamente pensam muitas pessoas.

A filósofa Hannah Arendt afirmou com razão no livro “A Condição Humana” que o perdão não é uma faculdade isolada, mas forma um par com outra faculdade: a de prometer e cumprir promessas. Segundo a autora, as ações humanas são irreversíveis e imprevisíveis, ou seja, é impossível voltar ao passado e desfazer o que foi feito, as nossas ações muitas vezes levam a consequências que somos incapazes de prever. Por isso, se alguém nos pede desculpas por uma falha, devemos perdoar, mas a pessoa que nos magoou deve prometer e cumprir uma promessa, ou seja, tem que se comprometer a mudar suas atitudes.

Infelizmente, para muitas pessoas é mais fácil dizer “foi mal” do que se comprometer a mudar o próprio comportamento. Há gente que até promete mudar, mas não muda. O perdão, por si só, não contribui para que melhoremos as nossas relações com as outras pessoas. Para se viver bem em sociedade, não basta pedir desculpas, é preciso estar disposto a aprender com os próprios erros e a transformar as próprias práticas. O perdão deve ser dado a quem o merece.

Ninguém é perfeito, em alguns momentos as pessoas vão nos magoar, assim como nós também vamos errar com os outros. Que tenhamos a capacidade de aprender cada vez mais a agir bem com os outros, só assim seremos merecedores do perdão que nos libertará das nossas falhas.

Rodrigo Francisco Dias
*Mestrando em História pela Universidade Federal de Uberlândia e integrante do Núcleo de Estudos em História Social da Arte e da Cultura (Nehac). E-mail: dias.rodrigof@gmail.com.

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