Nehac

História da Arte e da Cultura

Nehac A coluna é publicada às sextas-feiras por integrantes do Núcleo de Estudos em História da Arte e da Cultura (Nehac)

13/04/2012 6:00

Toda a criatividade dos Beatles

Os beatlemaníacos adoram dizer o quanto essa banda revolucionou não só a história da música, mas também a própria História. Não há como negar isso após apreciar todos os álbuns dos FabFour seguindo a ordem cronológica. É improvável que, depois dessa experiência, não se perceba a evolução, o experimentalismo, e cada nova onda em que os garotos de Liverpool se meteram.

Ao longo de sua trajetória, os Beatles realizaram coisas diferentes deles mesmos e diferentes de qualquer outro som já produzido. Rubber Soul já apontava para a gênese de um novo estilo, novos arranjos, instrumentos inéditos e uma complexidade impensável até então. Mas o álbum seguinte, Revolver, veio para consolidar tudo isso e afirmar que os Beatles estavam inaugurando uma nova música.

As letras de amor cederam espaço à fantasia, ao experimentalismo, às temáticas sociais e às viagens lisérgicas. Contudo, os Beatles se viram impossibilitados de reproduzir fora dos estúdios as loucuras que conseguiam inventar e gravar dentro deles, devido às limitações tecnológicas da época. Logo eles, que tinham praticamente inventado o público e os concertos de rock. Assim, em 1966, logo após o lançamento do álbum Revolver, a banda fez seu último show.

Desenganada com a notícia do fim das apresentações, a imprensa chegou a apostar que era o fim da banda. Muito pelo contrário: era só o começo.

Revolver inaugurou uma nova era. Composições na maioria atribuídas à dupla Lennon/McCartney vieram significativamente acompanhadas da ousadia de George Harrison, marcada pelas influências indianas. O fim dos shows trouxe composições ainda mais complexas, capazes de nos levar ao mundo de viagens e experimentações que eles viviam.

Inaugurava-se também uma nova maneira de produzir LPs. Já não era possível trabalhar um disco como um todo. A única forma era produzir uma faixa de cada vez.

A complexidade das experiências desenvolvidas, dos arranjos (com ruídos “estranhos”, como vidros batendo e barulho de mar) e o uso de novos instrumentos fizeram dessa obra algo revolucionário. Muitos chegaram a dizer que foi este o melhor álbum da banda. No entanto, logo depois viria o Sgt. Peppers, com “A Day In The Life”, fato que não só deixaria os beatlemaníacos para sempre divididos, mas também consolidaria a banda de Liverpool como a maior de todos os tempos!

Letícia Fonseca Falcão

Comentários 0

Ao enviar suas informações de registro, você indica que concorda com os Termos do serviço e leu e entendeu a Política de Privacidade do site do Correio de Uberlândia. Só serão liberados comentários cujos autores estejam identificados por nome e sobrenomes e que não contenham expressões chulas e/ou palavras de baixo calão.