Nehac

História da Arte e da Cultura

Nehac A coluna é publicada às sextas-feiras por integrantes do Núcleo de Estudos em História da Arte e da Cultura (Nehac)

11/05/2012 6:00

Em cena: “Cortiços”

A arte teatral, conhecida e praticada no mundo inteiro, consolidou-se na Grécia Antiga, há mais de dois mil anos e permanece até os dias atuais, tendo sofrido consideráveis transformações ao longo do tempo. Mesmo diante das várias possibilidades de entretenimento que nos são ofertadas, o teatro continua atraindo milhares de espectadores, chamando a atenção das plateias por meio de distintas e inúmeras apresentações, sejam elas realizadas por amadores ou artistas profissionais.

Entre os dias 30 de Abril e 5 de Maio foi apresentada em Uberlândia a 4ª edição do Festival Latino-Americano de Teatro Ruínas Circulares, evento vinculado ao curso de Teatro da Universidade Federal de Uberlândia. Além das apresentações de espetáculos latino-americanos, nacionais e locais, o Festival também abarcou algumas oficinas, conferências e demonstrações técnicas. Parte da programação abrangeu assuntos referentes ao “Teatro de Rua” e esteve presente em vários espaços da cidade.

Um dos espetáculos apresentado no evento foi “Cortiços”, encenado por atores da companhia de teatro Luna Lunera, da cidade de Belo Horizonte. A peça é baseada na obra “O Cortiço”, de Aluízio Azevedo, publicada em 1890. Em seu livro, o autor aborda aspectos da sociedade brasileira na República recém-nascida, apontando a disputa de alguns por dinheiro e poder ao lado da miséria vivenciada por outros, destacando um cortiço insalubre, propício a imoralidades, situado no Rio de Janeiro.

Com a direção de Tuca Pinheiro, o espetáculo retoma a história focada no cortiço do ganancioso João Romão, homem avarento que explora e engana a escrava Bertoleza. O português Jerônimo, casado com Piedade, é contratado por Romão para trabalhar em seus negócios. Jerônimo trai sua esposa com a mulata Rita Baiana; um homem honesto acaba transformando-se em um novo malandro carioca. Sua mulher, depois de muito sofrer, torna-se uma alcoólatra. Outra personagem que também é retratada no espetáculo é a Pombinha. Moça íntegra, era ela quem lia os jornais e escrevia cartas para os indivíduos que residiam no cortiço. No final do espetáculo, também acaba se desvirtuando.

Por fim, é possível perceber que a história sugere importantes reflexões acerca da exploração do homem pelo próprio homem, além do debate em torno da possibilidade ou não do caráter do indivíduo ser transformado pela influência do meio em que ele vive. Um belo espetáculo que nos instiga à reflexão!

Fabrícia Vieira de Araújo

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