Todo mundo está morando nas redes sociais
Popularizou-se o acesso às redes sociais, “todos” estão criando seus perfis! Nunca vimos uma sociedade tão feliz e, ao mesmo tempo, tão carente, a ponto de expor seus mais íntimos dilemas cotidianos. Tudo se resume em curtir e compartilhar! As pessoas amam os animais, amam a natureza. O politicamente correto está na pauta do dia. Todos denunciam a corrupção, mas deixam-se corromper pelas vaidades mais inescrupulosas.
Quanta gente inteligente! As pessoas “postam” frases e citações eruditas, descaracterizando o contexto de obras e autores. Há citações para tudo: umas reforçam aspectos de grande “felicidade” pessoal, outras trazem mensagens de auto-ajuda para denotar que ninguém é perfeito e assim mesmo são felizes.
Estamos compartilhando desse universo, a moda é estar na rede, ter um vídeo no YouTube, publicar seu próprio showbiz. Pessoas ficam famosas porque outras curtiram e compartilharam suas postagens. Há vídeos que recebem milhões de acessos, simplesmente porque divertem uma massa que se diz inteligente, feliz e que habita esse universo.
“Para nossa alegria”, ter amigos significa ter muitos seguidores. A felicidade sempre está reforçada por algum trecho de música, poemas no estilo Carlos Drummond de Andrade e/ou Clarice Lispector e citações das quais não se sabe quem são os autores, mas que se popularizaram entre tantos “compartilhar” e “curtir”. As pessoas não se dão conta do quanto são solitárias.
Certo dia, em uma rede social li um texto interessante intitulado “Quero Morar no Facebook!”, que trata dessas mesmas questões. E quem não quer morar em um universo em que tudo e todos são perfeitos, onde os piores problemas do mundo se encerram entre um curtir e um compartilhar?
Neste grande consultório de psicanálise online, percebemos o quanto as pessoas são contraditórias, carentes e exibicionistas. Percebemos como a mágoa e o ressentimento ganham cada vez mais voz nos corações dilacerados. As pessoas cultivam a inteligência emocional, com mensagens de autoestima, mesmo que não se tenha nenhuma; divulgam a felicidade e alguns até as suas tragédias pessoais, ou as tragédias pessoais dos outros.
Compactuamos desse universo: eu posto, tu comentas, ele curte, nós compartilhamos, vós publicais, eles riem e ninguém faz nada. Absolutamente nada! E o mundo segue bem diferente do lar chamado “Facebook”, esse lar em que todos querem morar!
Leilane A. Oliveira
Mestranda em História pela Universidade Federal de Uberlândia e integrante do Núcleo de Estudos em História Social da Arte e da Cultura (Nehac). E-mail: leilane.ufu@gmail.com
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