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		<title>A crítica de cinema em tempos de internet</title>
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		<pubDate>Fri, 17 May 2013 12:36:42 +0000</pubDate>
		<dc:creator>Nehac</dc:creator>
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		<description><![CDATA[Os interessados em cinema encontram na internet um amplo conteúdo sobre filmes. Sites especializados oferecem muito material de pesquisa para os amantes da sétima arte e também para os estudiosos. Nesse cenário, a crítica de cinema ganha novos espaços, não mais restritos aos jornais e revistas impressos das décadas passadas. Com o crescente aumento do [...]]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<p>Os interessados em cinema encontram na internet um amplo conteúdo sobre filmes. Sites especializados oferecem muito material de pesquisa para os amantes da sétima arte e também para os estudiosos. Nesse cenário, a crítica de cinema ganha novos espaços, não mais restritos aos jornais e revistas impressos das décadas passadas. Com o crescente aumento do acesso à internet, podemos dizer que os críticos de cinema hoje conseguem alcançar uma quantidade cada vez maior de leitores. </p>
<p>O internauta vê em casa os horários de exibição de um filme e já dá uma olhada nos comentários acerca da obra disponíveis na rede mundial de computadores. Seja nas mídias impressas, seja nas mídias virtuais, o que podemos verificar é que a crítica de cinema muitas vezes interfere na recepção dos filmes por parte do grande público. Como o historiador Alcides Freire Ramos afirma no livro “Canibalismo dos Fracos” (2002), “o crítico possui um papel importante no que se refere à formação da opinião sobre os filmes”.</p>
<p>Posto isso, há algo preocupante que podemos observar na internet: a repetição desvairada das ideias e colocações dos críticos de cinema por parte de muitos espectadores, especialmente nas redes sociais. Sites como o “Cinema com Rapadura”, por exemplo, que divulga críticas de filmes, muitas delas interessantes, diga-se de passagem, oferecem um prato cheio para os papagaios de plantão na web. Nestes tempos de internet, onde impera o “copiar e colar”, a criatividade e a autonomia de pensamento parecem estar fora de moda. </p>
<p>É espantoso ver universitários que se dizem “cinéfilos” e “intelectuais” reproduzindo descaradamente, palavra por palavra, sem dar os devidos créditos às fontes, o que os textos de crítica de cinema dizem sobre certos filmes, não se arriscando a uma interpretação própria das obras. Como afirma Alcides Freire Ramos no livro, “a crítica de cinema não é neutra”. Em outras palavras, os críticos não são donos de uma verdade absoluta sobre os filmes, é preciso ler seus textos de maneira cuidadosa, verificando os méritos e as limitações das análises.</p>
<p>Ler a crítica especializada é um passo importante para entendermos o significado que os filmes adquirem em determinados contextos. Contudo, apenas reproduzir, cega e apressadamente, o que os críticos dizem sobre as películas é, na minha avaliação, um exercício “intelectual” bastante ingênuo e pobre.</p>
<p>*Rodrigo Francisco Dias é mestrando em História pela Universidade Federal de Uberlândia (UFU), bolsista da Fapemig e integrante do Núcleo de Estudos em História Social da Arte e da Cultura (Nehac). E-mail: dias.rodrigof@gmail.com</p>
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		<title>As cartas que se transformaram em livro</title>
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		<pubDate>Fri, 10 May 2013 09:00:34 +0000</pubDate>
		<dc:creator>Nehac</dc:creator>
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		<category><![CDATA[Rodrigo de Freitas Costa]]></category>

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		<description><![CDATA[A leitura nos leva por caminhos diversos. Bom seria se todos os amantes das letras tivessem tempo suficiente para ler o que despertasse seus interesses. Como a vida é breve e os livros são muitos, indico o recém-lançado “Carta ao Filho”, da psicanalista Betty Milan, publicado pela Editora Record.
Autora de diversos livros, Milan formou-se em [...]]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<p>A leitura nos leva por caminhos diversos. Bom seria se todos os amantes das letras tivessem tempo suficiente para ler o que despertasse seus interesses. Como a vida é breve e os livros são muitos, indico o recém-lançado “Carta ao Filho”, da psicanalista Betty Milan, publicado pela Editora Record.</p>
<p>Autora de diversos livros, Milan formou-se em Medicina pela Universidade de São Paulo (SP), especializou-se em Psiquiatria e foi assistente e tradutora de Jacques Lacan em Paris. Viveu entre o Brasil e a França e o interesse por esses países fez com que ela publicasse nos dois idiomas. Neste ano, ela oferece ao público “Carta ao Filho”, onde trata de sua trajetória como mulher e mãe.</p>
<p>A questão central do livro autobiográfico é instigante: mulheres que participaram do movimento de libertação sexual dos anos de 1960 e 1970 se tornaram mães menos opressoras? A relação com o filho de 30 anos, carregada de incertezas e lacunas, levou a autora a publicar suas experiências. Quando o filho deixa o lar e se distancia, a mãe autora redige uma série de cartas na tentativa de deixá-la mais próxima daquele que tem a necessidade de partir. Com isso, ela recupera seu passado, suas relações amorosas, as afinidades e distanciamentos com o pai da criança, pensa em si mesma e na relação com seus pais. É o testemunho emocionado de uma vida na qual os laços amorosos e fraternos podem ser percebidos em profundidade.</p>
<p>É interessante perceber que a mulher, bem formada, psicanalista, que fez parte da geração que rediscutiu padrões de conduta e defendeu relações menos opressoras, quando se viu diante do filho adulto, que precisava seguir a própria vida, foi incapaz de ouvi-lo e de reconhecer que ele era o dono de sua trajetória. A magia do livro está em oferecer ao leitor a capacidade de ver a si mesmo como humano, como alguém que erra, mas que, acima de tudo, é capaz de reconhecer em seus atos a possibilidade da revisão.</p>
<p>Não por acaso, as cartas só se transformaram em livro após a anuência do filho de Milan, que conseguiu perceber em sua mãe uma mulher que vive, age, luta e também falha. Afinal, aquilo que se reconhece como falha, por mais que se queira evitar, faz parte da vida cotidiana e de todas as relações, inclusive das difíceis e, por vezes, duras aproximações e distanciamentos entre mães e filhos. Sob todos esses aspectos, o livro de Betty Milan vale cada linha.</p>
<p>*Rodrigo de Freitas Costa é professor adjunto do curso de História da Universidade Federal do Triângulo Mineiro (UFTM – Uberaba/MG) e integrante do Núcleo de Estudos em História Social da Arte e da Cultura (Nehac). E-mail: rfreitascosta@hotmail.com</p>
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		<title>Histórias Recontadas</title>
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		<pubDate>Fri, 03 May 2013 08:33:24 +0000</pubDate>
		<dc:creator>Nehac</dc:creator>
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		<category><![CDATA[Histórias Recontadas]]></category>
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		<description><![CDATA[O intercâmbio entre as diferentes linguagens artísticas sempre foi uma constante na história da cultura humana. Entretanto, o número de adaptações cinematográficas de histórias consagradas no imaginário coletivo realizadas nos últimos anos é alarmante. Não tanto pela quantidade, mas, sobretudo, pela qualidade do que é oferecido e amplamente consumido.
O clássico infantil “Branca de Neve e [...]]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<p>O intercâmbio entre as diferentes linguagens artísticas sempre foi uma constante na história da cultura humana. Entretanto, o número de adaptações cinematográficas de histórias consagradas no imaginário coletivo realizadas nos últimos anos é alarmante. Não tanto pela quantidade, mas, sobretudo, pela qualidade do que é oferecido e amplamente consumido.</p>
<p>O clássico infantil “Branca de Neve e os Sete Anões”, por exemplo, foi tema de várias releituras para a telona nos últimos anos. A fórmula é, quase sempre, a mesma: atores e atrizes do momento; distorções esdrúxulas dos enredos para atender às necessidades narrativas do grande público; vários efeitos especiais e, infelizmente, poucas ideias interessantes, isso quando estas existem. Tudo isso associado a campanhas de distribuição e exibição mundiais que rendem a estes filmes bilheterias milionárias.</p>
<p>O questionamento não se dá sobre a validade da realização de tais adaptações. Recordo de uma adaptação de “Hamlet” em Cracóvia no ano de 1956, descrita por Jan Kott, realizada poucas semanas depois do 20º Congresso do Partido Comunista da União das Repúblicas Socialistas Soviéticas. Um espetáculo “tenso e feroz”, “moderno e lógico” reduzido ao “único problema do drama político, total e implacável”. </p>
<p>Na atualidade política do drama, surge a célebre afirmação: “Algo existe de podre no reino da Dinamarca”; mais adiante: “A Dinamarca é uma prisão!”, repetida por três vezes. A descrição da atualidade de “Hamlet”, nesse contexto, remete à experiência particular da Polônia no período pós-guerra sob o regime comunista alinhado ao Pacto de Varsóvia durante as tensões da Guerra Fria, ou seja, o texto de Shakespeare é relido à luz das questões suscitadas pelo tempo presente.</p>
<p>É exatamente esta dimensão que falta às adaptações cinematográficas contemporâneas: uma releitura instigante deve saber (re)interpretar tendo em vista a relevância que determinados temas e discussões possuem para a sociedade atual; ou, visto de outro modo, trazer à tona a contribuição que a visão de mundo de hoje pode oferecer a determinados temas consagrados como canônicos pela história da cultura.</p>
<p>*André Luis Bertelli Duarte é mestre em História pela Universidade Federal de Uberlândia (UFU), professor da Eseba/UFU e integrante do Núcleo de Estudos em História Social da Arte e da Cultura (Nehac). E-mail: andrebduarte@gmail.com</p>
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		<title>A música na tela do cinema: “Faroeste Caboclo”</title>
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		<pubDate>Fri, 26 Apr 2013 08:40:36 +0000</pubDate>
		<dc:creator>Nehac</dc:creator>
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		<category><![CDATA[Legião Urbana]]></category>
		<category><![CDATA[Leilane A. Oliveira]]></category>

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		<description><![CDATA[Leilane A. Oliveira*
As trilhas sonoras são elementos importantíssimos no cinema, assim como figurinos, cenários etc. Em alguns casos, ao ouvirmos determinadas músicas e melodias rapidamente rememoramos um filme, tal o efeito da música na produção. No entanto, existem músicas que representam mais do que efeitos em filmes: elas podem ser o próprio filme. São canções [...]]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<p><strong>Leilane A. Oliveira*</strong></p>
<p><strong></strong>As trilhas sonoras são elementos importantíssimos no cinema, assim como figurinos, cenários etc. Em alguns casos, ao ouvirmos determinadas músicas e melodias rapidamente rememoramos um filme, tal o efeito da música na produção. No entanto, existem músicas que representam mais do que efeitos em filmes: elas podem ser o próprio filme. São canções que servem como ponto de partida para o enredo cinematográfico. O olhar da câmera reinterpreta o enredo musical.</p>
<p>Tendo esta possibilidade em vista, alguns cineastas brasileiros estão se aventurando em histórias inspiradas em músicas. Uma das apostas recentes é o filme “Faroeste Caboclo”, inspirado na conhecida música da banda Legião Urbana. A música é uma verdadeira narração da saga de um migrante que foi para Brasília: João de Santo Cristo. A trama é carregada de críticas sociais em que, após uma infância difícil e rodeada de violência, o protagonista se depara com o crime e com uma paixão (Maria Lúcia). Trata-se de uma verdadeira história, contando com 159 versos que não se repetem.</p>
<p>O filme inspirado nesta canção é dirigido por René Sampaio e conta com as atuações de Isis Valverde (Maria Lúcia) e Fabrício Boliveira (João de Santo Cristo). É grande a expectativa do público pela estreia da obra nos cinemas, só o trailer teve mais de dois milhões de acessos na internet. Tamanho interesse certamente está relacionado ao grande sucesso das músicas da Legião Urbana, bem como do próprio Renato Russo. São canções que marcaram gerações, sobretudo a geração de 1980 e 1990 no Brasil: “a geração Coca-Cola”, que apresentou as músicas da Legião às gerações mais jovens.</p>
<p>O efeito poético dessas canções em meio à efervescência política e social do país durante a crise do regime militar e a luta pela redemocratização conquistou jovens do país inteiro. Essas músicas expressaram as inquietações daquele momento com ar de crítica e poesia. Em 2011, foi produzido um curta-metragem de quatro minutos inspirado em outra canção da banda: “Eduardo e Mônica”. O vídeo também foi muito assistido. Recentemente, ao lado de “Faroeste Caboclo”, outro filme inspirado na trajetória da Legião Urbana foi “Somos tão Jovens”, que narra a história de Renato Russo. Essas produções mostram o tamanho da repercussão de suas canções.</p>
<p>Com a mesma inspiração e expectativa, aguardamos a materialização desse enredo que não só embalou uma geração, mas a fez pensar, e cujo tema é tão atual quanto era há vinte anos: pobreza, violência e discriminação social e racial. Não há dúvida de que “Faroeste Caboclo” será um sucesso de público.</p>
<p><strong>*Leilane A. Oliveira é mestranda em História pela Universidade Federal de Uberlândia (UFU) e integrante do Núcleo de Estudos em História Social da Arte e da Cultura (Nehac). E-mail: leilane.ufu@gmail.com.</strong></p>
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		<title>O “Amém” polemiza</title>
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		<pubDate>Fri, 19 Apr 2013 08:19:52 +0000</pubDate>
		<dc:creator>Nehac</dc:creator>
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		<category><![CDATA[Amém]]></category>
		<category><![CDATA[Cia. Teatral Um e Outro]]></category>
		<category><![CDATA[Leandro Longui Hernandes]]></category>

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		<description><![CDATA[por Leandro Longui Hernandes*
Há alguns meses, assisti ao espetáculo “Amém”, encenado pela Cia. Teatral Um e Outro, na cidade de Araçatuba, interior do estado de São Paulo, no teatro Castro Alves. Sem ter lido alguma sinopse, sem ao menos saber, de fato, do que se tratava, deparei-me com uma instigante criação artística, polêmica e dotada de [...]]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<p><em>por Leandro Longui Hernandes*</em></p>
<p>Há alguns meses, assisti ao espetáculo “Amém”, encenado pela Cia. Teatral Um e Outro, na cidade de Araçatuba, interior do estado de São Paulo, no teatro Castro Alves. Sem ter lido alguma sinopse, sem ao menos saber, de fato, do que se tratava, deparei-me com uma instigante criação artística, polêmica e dotada de sensibilidade crítica.</p>
<p>Não por acaso, o título nos parece bem sugestivo: qual o sentido atribuído, afinal, à palavra amém? Será que alguns líderes religiosos não agem de má fé ao fazerem o seu uso, como forma de confortar o que, de fato, continua inquieto em nosso mais profícuo íntimo?</p>
<p>Diante desse impasse, sob o olhar de seus criadores, num palco italiano, a personagem Clara, interpretada pelo ator Laerte Silva Júnior, transita em uma atmosfera estigmatizada por sua própria e traumática vivência. Aos poucos, as suas ações passam a revelar o ambiente repressivo no qual foi criada, junto à intransigência e ao fundamentalismo de um pastor, o seu padrasto, que a violentou sexualmente. Assim, Clara é engravidada pelo padrasto e realiza um aborto mal sucedido.</p>
<p>Nesse drama cômico, a referida personagem, movida por sua lucidez e loucura, talvez, e em sua busca incansável pela liberdade de pensamento, procura se libertar da retórica da autoridade, de tudo o que não lhe pertence mais, do mundo no qual vivemos: asfixiante, tendencioso e hipócrita. Precisamos enxergar que a corrupção reside no próprio homem, podendo ela ser encoberta pelo discurso da bondade preconizado por líderes religiosos.</p>
<p>Convém lembrar que o grupo já conquistou diversos prêmios, ao longo de 15 anos de existência e que o referido espetáculo esteve em Curitiba, no final do mês passado. Em tom de provocação, o espetáculo nos leva à seguinte reflexão: na sociedade dos homens, é necessário gritar ainda pela liberdade de pensamento e de expressão. Assim como é necessário compreendermos que o amor ao próximo, no sentido mais pleno, pode não fluir, se a nossa relutância em descartar velhos hábitos e preconceitos for mais forte.</p>
<p>Nesse sentido, acredito que o espetáculo “Amém” polemiza e provoca o espectador, levando-o a tomar um posicionamento diante do mundo que o cerca, que é tão cruel e desumano, às vezes. Como afirmam os seus criadores: uma valsa pelo respeito à liberdade de pensamento, sentimento e penteado.</p>
<p><strong>*Leandro Longui Hernandes é mestrando em História Social pela Universidade Federal de Uberlândia (UFU) e integrante do Núcleo de Estudos em História Social da Arte e da Cultura (Nehac). E-mail: herlelon@ig.com.br.</strong></p>
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		<title>O Homem versus “O Mestre”</title>
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		<pubDate>Fri, 12 Apr 2013 08:47:29 +0000</pubDate>
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		<category><![CDATA[Paul Thomas Anderson]]></category>

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		<description><![CDATA[O fim da Segunda Guerra foi um “alívio” mundial. Para os Estados Unidos era o início do seu predomínio no cenário global. Mas o que aconteceu com aquelas dezenas de homens que voltavam para a sua terra natal? É nesse ambiente de falso bem estar que encontramos Freddie Quell (Joaquin Phoenix) protagonista de “O Mestre” [...]]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<p>O fim da Segunda Guerra foi um “alívio” mundial. Para os Estados Unidos era o início do seu predomínio no cenário global. Mas o que aconteceu com aquelas dezenas de homens que voltavam para a sua terra natal? É nesse ambiente de falso bem estar que encontramos Freddie Quell (Joaquin Phoenix) protagonista de “O Mestre” (2012), filme dirigido por Paul Thomas Anderson.</p>
<p>Estando perdido em sua própria nação, Quell busca refúgios no alcoolismo e transtornos sexuais, assim se torna uma ferida na hegemonia do “American way of life”, condenado a vagar sem destino. Em uma de suas fugas ele encontra Lancaster Dodd (Philip Seymour Hoffman), mais conhecido como Mestre da seita A Causa.</p>
<p>Aqui é preciso fazer um pequeno parêntese, pois, desde antes da estreia do filme, já havia o rumor de que a obra atacaria a controversa seita da Cientologia, da qual fazem parte muitos artistas norte-americanos. Ao longo do filme percebemos que isso é apenas um pano de fundo para vermos o homem em seu estado natural. Já que em nenhum momento ocorre juízo de valores sobre a seita.</p>
<p>No filme, Quell e Dodd começam uma amizade, onde instinto e controle se embatem a todo o momento. Os dois personagens, tão distantes inicialmente, acabam se ligando brutalmente, formando assim uma consciência única aos olhos da psicanálise, o id e o ego.</p>
<p>Dodd, um homem dono de uma retórica sedutora, nos passa uma imagem de controle profundo de si próprio, mas a todo o momento (principalmente quando está junto de Quell) quer entregar-se aos sentimentos mais mundanos e primitivos, isto é, o exemplo perfeito de ego. Já Quell se associa ao id, quando se encontra no estágio primitivo, onde o sexo é a reposta para tudo.</p>
<p>Se nos espantamos com a falsa imagem que os personagens nos passam, ficamos mais boquiabertos quando vemos que a força regedora da seita está em Peggy Dodd (Amy Adams), a “grande mulher por trás do grande homem”.</p>
<p>Os méritos do filme não são apenas o roteiro e a técnica perfeccionista utilizada na obra. Sem Phoenix, Hoffman e Adams o impacto causado pela película não seria o mesmo.</p>
<p>Ao término do filme a angústia é evidente, pois sabemos que mesmo tentando ser como Dodd, com um controle inabalável de si, somos, na verdade, Quell, um animal preso e deslocado&#8230;</p>
<p><em><strong>Lays da Cruz Capelozi*</strong></em></p>
<p><strong>*Graduanda em História pela Universidade Federal de Uberlândia (UFU), bolsista CNPq e integrante do Núcleo de Estudos em História Social da Arte e da Cultura (Nehac). E-mail: syalcc@gmail.com.</strong></p>
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		<title>O Universo dos Doramas</title>
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		<pubDate>Fri, 05 Apr 2013 13:56:30 +0000</pubDate>
		<dc:creator>Nehac</dc:creator>
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		<description><![CDATA[As sociedades ocidentais recebem, há anos, vários elementos oriundos das culturas orientais. De artes marciais a conteúdos filosóficos, passando por mangás, filmes, músicas e moda, diversos produtos culturais oriundos de países como Japão, Coreia do Sul e China chegam até nós e conquistam fãs e adeptos. Em tempos de internet, esse processo fica cada vez [...]]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<p>As sociedades ocidentais recebem, há anos, vários elementos oriundos das culturas orientais. De artes marciais a conteúdos filosóficos, passando por mangás, filmes, músicas e moda, diversos produtos culturais oriundos de países como Japão, Coreia do Sul e China chegam até nós e conquistam fãs e adeptos. Em tempos de internet, esse processo fica cada vez mais visível, haja vista o exemplo do sucesso alcançado pela canção “Gangnam Style”, do sul-coreano Psy, no mundo todo.</p>
<p>O fato é que, no campo das trocas culturais que permeiam o concerto das nações, os países orientais têm conquistado cada vez mais visibilidade e destaque, algo que certamente vai ao encontro do papel desempenhado por eles na economia contemporânea.</p>
<p>Sob esse prisma, há um tipo de produção oriental que tem chamado a atenção no Ocidente: os “doramas”. Este é o nome usado para designar as séries televisivas produzidas no Japão (os J-Dramas), na Coreia do Sul (os K-Dramas), na China (os C-Dramas) e assim por diante. Os doramas formam um universo bastante particular e têm muito a mostrar das culturas orientais.</p>
<p>Marcados por uma forte carga dramática, os doramas alternam entre momentos de tristeza e de intensa excitação, provocando lágrimas e gargalhadas em quem assiste. Seja em histórias ambientadas no tempo presente seja naquelas ambientadas no passado, essas séries tratam de temas como amor, amizade, a busca pela felicidade e os papéis a serem desempenhados por homens e mulheres nas sociedades orientais.</p>
<p>Não espere ver muitas cenas de beijos nem muitas cenas de carícias e contato físico intenso nos doramas. Nessas produções, os sentimentos dos personagens são revelados e explicitados mais pela força do olhar e pelos expressivos diálogos. Também são comuns cenas de funerais que se desenrolam durante uma chuva, bem como a noção de que as pessoas são destinadas umas às outras.</p>
<p>Doramas como “Aka Faith”, “Arang and the Magistrate”, “To the Beautiful You”, “Boys over Flowers” e “Personal Taste” são disponibilizados gratuitamente na internet, havendo também comunidades online de fãs que trocam informações, divulgam e também traduzem os episódios para diversas línguas. Cativante, o universo dos doramas tem chamado a atenção de pessoas em vários países do mundo, incluindo o Brasil. Vale a pena conferir!</p>
<p>*Rodrigo Francisco Dias é mestrando em História Social pela Universidade Federal de Uberlândia (UFU), bolsista da Fapemig e integrante do Núcleo de Estudos em História Social da Arte e da Cultura (Nehac). E-mail: dias.rodrigof@gmail.com.</p>
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		<title>E a magia  do cinema?</title>
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		<pubDate>Fri, 29 Mar 2013 12:26:29 +0000</pubDate>
		<dc:creator>Nehac</dc:creator>
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		<description><![CDATA[A sala de cinema – que, para os amantes da sétima arte, é um “templo sagrado” – tem se tornado, em Uberlândia e em diversas outras cidades, um local para testar a paciência e não mais para apreciar a magia que lá se pode encontrar.
O comportamento do espectador na sala de cinema tem chamado a [...]]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<p>A sala de cinema – que, para os amantes da sétima arte, é um “templo sagrado” – tem se tornado, em Uberlândia e em diversas outras cidades, um local para testar a paciência e não mais para apreciar a magia que lá se pode encontrar.</p>
<p>O comportamento do espectador na sala de cinema tem chamado a atenção, afinal, ele tem feito deste espaço uma extensão da sua casa, não diferenciando uma sessão de DVD ou futebol com amigos de uma sessão de cinema na sala escura. A falta de respeito desses maus espectadores é absurda. </p>
<p>Sem se importar com aqueles que estão ali (na sala de cinema) para, de fato, assistir ao filme, o mau espectador conversa durante a exibição, atende o celular, faz comentários como se todos fossem obrigados a ouvi-lo, faz piadinhas com a cena, mastiga ruidosamente sua pipoca, chuta o espectador da fileira da frente e mais dezenas de coisas que poderia elencar aqui e que uma ida ao cinema, infelizmente, pode demonstrar. Vale salientar que tal comportamento boçal não é afetado pelo incômodo de outrem, mesmo com “psius” ou qualquer outro tipo de coerção. </p>
<p>Esse problema, se não é exatamente recente, vem ganhando proporções mais notórias em nossos dias e especialmente em nossa cidade. Como as salas de cinema localizam-se, em Uberlândia, exclusivamente em shoppings, assistir a um filme passa a ser complemento de um pacote em que consumo e diversão vêm alinhados à ideia de segurança que os complexos comerciais proporcionam. Neste cenário, o cinema é, para muitos, um complemento do lanche na praça de alimentação e/ou das compras nas lojas. </p>
<p>Mas as próprias empresas de exibição também têm culpa nisso, pois permitem a entrada de pessoas no meio do filme, vendem pipoca, bebida e chocolates dentro da sala, deixam o ambiente na penumbra &#8211; e não na escuridão -, dispõem portas debaixo da tela, enchem a sala de luminosos, acendem as luzes durante os créditos finais e uma série de outras ações que corroboram para a quebra da magia na apreciação fílmica.</p>
<p>Não intento, de maneira alguma, ditar regras de comportamento, apenas apresento alguns apontamentos acerca do comportamento de pessoas que dentro da sala de cinema, se sentem como se estivessem em casa, na sorveteria ou no barzinho. O cinema nos permite viajar para dentro da história contada e, a partir dela, criar a nossa própria. Mas isso fica difícil se o cidadão ao seu lado lhe impõe a quebra dessa magia.</p>
<p><em>*Anderson R. Neves é mestre em História Social pela Universidade Federal de Uberlândia (UFU) e integrante do Núcleo de Estudos em História Social da Arte e da Cultura (Nehac). E-mail: historiador.anderson@gmail.com</em></p>
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		<title>O Papa é pop nas Redes Sociais</title>
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		<pubDate>Fri, 22 Mar 2013 13:37:37 +0000</pubDate>
		<dc:creator>Nehac</dc:creator>
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		<category><![CDATA[papa francisco]]></category>
		<category><![CDATA[papa joão paulo II]]></category>

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		<description><![CDATA[“O papa é pop/ o papa é pop/ o pop não poupa ninguém/ o papa levou um tiro à queima roupa/ o pop não poupa ninguém”. Esse refrão pertence à música “O papa é pop”, que foi um hit marcante cantado pela banda Engenheiros do Hawaii. Composta em 1990, a canção faz uma alusão ao [...]]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<p>“O papa é pop/ o papa é pop/ o pop não poupa ninguém/ o papa levou um tiro à queima roupa/ o pop não poupa ninguém”. Esse refrão pertence à música “O papa é pop”, que foi um hit marcante cantado pela banda Engenheiros do Hawaii. Composta em 1990, a canção faz uma alusão ao encantamento dos meios de comunicação da época, em especial as revistas e jornais impressos, com o então Papa João Paulo II. </p>
<p>Passaram-se vinte e três anos, a sociedade sofreu diversas mudanças e os meios de comunicação eclodiram rapidamente, de forma nunca vista, com destaque para a internet e, consequentemente, as redes sociais. O papa João Paulo II faleceu em 2005. Em seu lugar, entrou Bento XVI, mas que abdicou o trono há algumas semanas. </p>
<p>A mídia esteve exaustivamente presente durante todo esse processo da escolha do novo papa. Muitas apostas foram feitas em torno dos candidatos para ocupar o cargo. No dia 13, deste mês, surgiu o nome do novo Sumo Pontífice: o argentino Jorge Mario Mergoglio, o Papa Francisco. </p>
<p>As redes sociais se deliciaram com essa nova notícia. Uns exaltaram a alegria de o escolhido ser latino-americano e lhe desejaram boa sorte. Outros discordaram por ser argentino e não estão de acordo com as suas propostas. A escolha do nome a ser usado durante o pontificado também foi alvo de comentários, por causa da renúncia do novo papa a certas regalias próprias da sua função, no intuito de levar uma vida simples, como levou São Francisco de Assis.</p>
<p>A frase “o papa é pop” ressurge das cinzas e ganha força nesse momento. Contudo, as revistas foram substituídas pelas redes sociais. O novo papa mal assumiu o posto e já contava com enxurradas de piadas, “memes” e frases de efeito sobre a notícia. Muito se comentou também sobre a sua colaboração na ditadura militar argentina.</p>
<p>O fato é que o Papa Francisco ainda nem teve tempo de entrar em ação e as críticas foram rápidas e ríspidas. Algumas questões como aborto, homossexualismo e o uso de métodos contraceptivos devem ser revistas. Mas julgar se a escolha foi certeira ou não, só o tempo dirá. As redes sociais nos mostram que o pop não poupa ninguém, muito menos o novo papa.</p>
<p>*Grace Campos Costa é graduanda em História pela Universidade Federal de Uberlândia (UFU), bolsita CNPq e integrante do Núcleo de Estudos em História Social da Arte e da Cultura (Nehac). E-mail: gracecamposcosta@gmail.com</p>
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		<title>De “Miseráveis”  eles não têm nada</title>
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		<pubDate>Fri, 15 Mar 2013 18:38:37 +0000</pubDate>
		<dc:creator>Nehac</dc:creator>
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		<category><![CDATA[Lays da Cruz Capelozi]]></category>
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		<description><![CDATA[Em uma rua de Paris do século 19, um homem observa uma troca de olhares, troca esta que já ocorrera milhões de vezes&#8230; Mas o observador nota, desta vez, o ódio do pobre quando o nobre desce da carruagem. Deste modo, o observador percebe que a desigualdade vai além da questão econômica; ela perpassa, principalmente, [...]]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<p>Em uma rua de Paris do século 19, um homem observa uma troca de olhares, troca esta que já ocorrera milhões de vezes&#8230; Mas o observador nota, desta vez, o ódio do pobre quando o nobre desce da carruagem. Deste modo, o observador percebe que a desigualdade vai além da questão econômica; ela perpassa, principalmente, a questão humana.</p>
<p>O homem que assistia à cena, calado, era ninguém menos que Victor Hugo, e aquela simples troca de olhares o inspiraria a escrever “Os Miseráveis”. A obra foi bastante criticada pelos marxistas devido ao excesso de sentimentalismo das massas, enquanto, por outro lado, ficou imortalizada no palco da Broadway.</p>
<p>Depois do aclamado sucesso de “O Discurso do Rei” (2010), o cineasta Tom Hooper decidiu enfrentar o grande desafio de transportar toda a carga teatral para as telas do cinema. Tal comprometimento fica claro na ousada opção do diretor de não colocar diálogos “normais” no filme, mas apenas músicas (falas cantadas), gravadas ao vivo durante as filmagens.<br />
O elenco se doa ao máximo. Anne Hathaway comove no papel de Fantine, uma mãe solteira que se prostituiu para sustentar a filha, quando sussurra/canta “A vida matou os sonhos que sonhei” (trecho da canção “I Dreamed a Dream”).</p>
<p>Outra que impressiona com a voz e a atuação é Samantha Barks, quando sonha alto com um amor impossível. A parte cômica do filme fica a cargo de Sacha Baron Cohen e Helena Bonham Carter, que interpretam um casal de trapaceiros.<br />
O musical não deixou ninguém em cima do muro, recebeu duras críticas por ser extremamente cansativo e por ter quase três horas de canções. Houve também quem o aclamou como um dos grandes musicais de todos os tempos.</p>
<p>Fato impressionante é o de que o filme, mesmo não tendo tantos fãs declarados, chegou ao nosso circuito local de exibição. Muitos apostaram que ele não ficaria nem uma semana em cartaz na nossa cidade. Contudo, o filme completou a terceira semana de exibições com mais de uma sessão por dia. Sinceramente falando, fico muito feliz, pois isso instiga o público a ver a obra (por mais que tal escolha seja feita por conta das poucas opções). O apelo feito aqui não é para que o espectador goste ou não, mas sim para que assista, discuta e formule a sua própria opinião acerca do musical “Os Miseráveis”.</p>
<p>*Lays da Cruz Capelozi é graduanda em História pela Universidade Federal de Uberlândia (UFU), bolsita CNPq e integrante do Núcleo de Estudos em História Social da Arte e da Cultura (Nehac). E-mail: syalcc@gmail.com</p>
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