Adreana Oliveira

Novo Som

Novo Som A coluna Novo Som traz destaques do mundo da música pop, rock e alternativa. Aos sábados no Correio de Uberlândia. Na internet a qualquer hora!

15 de junho de 2013 7:00

Criolo

Jornalista

“Poesia não é mercadoria”

Há dois anos, ele foi o maior nome do Video Music Brasil (VMB), premiação da MTV brasileira, emissora com um público jovem e descolado. Dividiu o palco com Caetano Veloso, um dos grandes nomes da música brasileira, cantando uma música dele, “Não existe amor em SP”. No ano passado, ele se destacou na 23ª edição do Prêmio da Música Brasileira, com critérios mais rígidos e jurados mais exigentes que aquele da MTV, por exemplo. O nome do artista? Kleber Cavalcante Gomes, mas pode chamá-lo de Criolo.

Nascido em Santo Amaro, São Paulo, em 1975, Kléber Cavalcante Gomes hoje é reconhecido tanto nas rodas dos intelectuais quanto dos alternativos. Com o disco “Nó na orelha”, lançado em 2010 – e que ganhou versão ao vivo gravada no Circo Voador (RJ) –, o rapper mostrou que acerta quando aposta em ritmos como reggae e funk e na utilização de metais no palco.

Outros Tempos

Para uma carreira iniciada em 1989, muitos devem pensar que demorou para Criolo “aparecer”. “‘Nó na orelha’ foi construído como a oportunidade de deixar um documento para minha família. No meio do caminho, Cabral e Daniel [Daniel Ganjaman e Marcelo Cabral, produtores] me pediram para dividir as músicas com todos e aconteceu o que vem acontecendo”, disse Criolo, em entrevista à Novo Som.

Ele conta que colocou o primeiro disco na rua ainda em 2006. Mas não foi tão fácil. “Foram 2 anos gravando e pagando aos poucos o estúdio, depois o disco ficou engavetado por mais um tanto de tempo. Quando foi para a rua, foram 500 cópias apenas e depois mais 500”, disse o músico. “Para pôr o disco na rua foi a mesma história. Toda a parte dos beats foram presentes dos amigos”, afirmou.

Convicções

Com a notoriedade alcançada e a facilidade de intercâmbio graças à internet, Criolo não descarta uma investida no mercado internacional. “Para tudo existe mercado e, assim, vamos à lida. Só peço para não deixar o mercado colocar de lado o pouco que nos alegra a vida, que é a poesia. E poesia não é mercadoria”, disse o rapper.
O músico mantém a humildade: questionado sobre seu papel no cenário atual da música brasileira, ele não se vê como um marco. “Estou apenas fazendo meu trabalho”, afirmou.

Criolo viaja geralmente com um mínimo de 16 pessoas durante as turnês. Quando possível, agrega mais gente à comitiva. “Estrada é cansativo. O que revigora é conhecer pessoas.” E ele conhecerá novas pessoas amanhã, em Uberlândia, onde se apresenta no Festival Goma, com entrada franca, que começa às 15h no campus Santa Mônica da Universidade Federal de Uberlândia (UFU). Saiba mais sobre o artista: www.criolo.net.

Assista ao videoclipe de “Subirusdoistiuzin”, de Criolo

Giro Indie

Rock and Roll

Hoje, chega a Uberlândia a banda de rock nacional que tem como praxe fazer um dos melhores shows ao vivo da atualidade. Falo do Matanza (foto), grupo carioca que está em uma maratona de shows desde o dia 5 de maio passando por 18 cidades de 12 estados. O CD mais recente dos caras é “Thunder Dope”, lançado pela Deck no ano passado. Jimmy (vocal), Donida (guitarra), China (baixo) e Jonas (bateria) se apresentam hoje no Rock City Festival, que começa às 21h no Gran Hall. Outras atrações da noite são os goianos do Black Drawing Chalks, os mineiros do Uganga, também ótimos ao vivo, e ainda Multus e Hangover.

Morrissey

Depois de cogitar até mesmo aposentadoria, após turnê que passou pelo Brasil em março do ano passado, Morrissey estará de volta. O britânico se apresentará desta vez em São Paulo (30/7), em Brasília (2/8) e no Rio de Janeiro (4/8). Os ingressos já estão à venda pelo www.ticketsforfun.com.br.

Pixies

Não gostei do que li ontem em um comunicado do Pixies, divulgado de manhã. A baixista Kim Deal está fora da banda. “Estamos tristes em anunciar que Kim resolveu deixar o Pixies. Estamos orgulhosos em ter trabalhado com ela pelos últimos 25 anos. Apesar da sua decisão de seguir em frente, nós vamos sempre considerá-la integrante da banda, e seu lugar sempre estará disponível. Desejamos a ela o melhor”, segundo o comunicado. Em julho, a baixista virá ao Brasil com sua outra banda, The Breeders, para shows em São Paulo e no Rio, em show comemorativo do “Last Splash”, que comemora 20 anos.

 

8 de junho de 2013 7:00

Dirtyloud

Jornalista

O peso do eletrônico mineiro

Quem está antenado nas noites das grandes cidades percebeu que música eletrônica domina as paradas. E Minas Gerais tem um dos grandes representantes dessa cena, o duo de DJs Dirtyloud, de Belo Horizonte. BH é o lar, mas nos últimos dois anos Marcus e Eduardo têm parado pouco em casa. No mês passado foram headliners no BH Dance Festival. “A gente adora BH, é diferente tocar em casa. Tentamos fazer isso pelo menos uma vez a cada dois meses, mas, por causa das turnês, nem sempre conseguimos”, disse Marcus, em entrevista por telefone ao CORREIO de Uberlândia.

Ele e Eduardo se conheceram em 2007 e, com a experiência que acumulavam de outros projetos, fizeram as primeiras parcerias entre 2008 e 2009, quando passaram a responder por Dirtyloud. Em 2010 tinham uma produção com potencial para o mercado internacional. E, a partir daí, têm colhido os frutos no Brasil e no exterior. Já fizeram três turnês pela América do Norte (EUA e Canadá), duas turnês na Oceania (Austrália e Nova Zelândia), uma na Coreia do Sul, uma na África do Sul e na Europa.

Linha de Frente

Um dos maiores nomes da música eletrônica, como performer e produtor, Davit Guetta é um dos fãs declarados da dupla mineira. Marcus e Eduardo emplacaram o remix de “Vandalism”, de Porter Robinson e Amba Shepherd, na rádio BBC 1 na Inglaterra. No Soundcloud, o duo ultrapassou os dois milhões de plays. Com um portfólio desses, foram destacados para remixar a música “Hold me”, de Yoko Ono. “Recebemos o convite do produtor dela, que já conhecia a gente desde o primeiro lançamento. Temos uma boa aceitação no mercado por quem é antenado na e-music, pessoal que conhece e entende”, disse Marcus.

Camaradagem

Entre os DJs com as agendas mais lotadas percebe-se que a parceria é algo constante. Como os festivais de música eletrônica têm aumentado, eles viajam mais e estão sempre em contato com novos talentos. Mas a distância entre headliners como Deadmau5 e Skrillex, por exemplo, e os mineiros do Dirtyloud é puramente geográfica. Eles se encontram nos festivais e nas primeiras posições dos rankings do estilo. Segundo Marcus, a receptividade entre os artistas é grande. “Hoje ajudam mais uns aos outros principalmente na hora de circular por aí.”

Tempero Brasileiro

É possível que o leitor da Novo Som saiba que o território da música eletrônica não é minha especialidade. Porém, é bom quando artistas mineiros, no caso o Dirtyloud, têm um reconhecimento nacional e internacional. O duo é uma dupla de música eletrônica brasileira. Mas talvez o maior mérito deles seja conseguir destaque mundial sem apelar para aquelas misturas com ritmos brasileiros em uma tentativa de chamar a atenção por algo exótico apenas. “O Brasil tem sua representatividade no mercado da música eletrônica, fazendo música eletrônica. Esse tempero brasileiro se vê em pequenas doses no nosso trabalho. Somos reconhecidos pela qualidade do que fazemos e não somente por ser uma dupla brasileira”, disse Marcus. Para ele, tais estilos podem até entrar em uma produção ou outra, mas não são elementos fundamentais na música deles.

“Artistas como DJ Marky misturava muito drum n´ bass e bossa nova, por exemplo. O que a gente faz é electrohouse e doub step, um som com uma pegada mais pesada, mais para frente”, disse Marcus. Ele e Eduardo estão em turnê pelo Brasil e, em breve, estarão em novos giros pelo mundo.

Assista ao vídeo da dupla Dirtyloud

Serviço

Saiba mais: www.facebook.com/dirtyloud. Ouça o trabalho da dupla: www.soundcloud.com/dirtyloud.

Giro Indie

Dom Capaz

A banda uberlandense Dom Capaz (foto) está com uma boa agenda de shows. Depois de passar pelo projeto UFUzuê, em Patos de Minas, onde se apresentou na semana passada ao lado dos acreanos do Los Porongas, hoje é dia de voltar à Calourada da UFU, que termina amanhã, no campus Santa Mônica (veja programação na página B7).

Lucas Paiva (guitarra, piano e voz), Vinícius Vascon (Bateria), Guilherme Fontoura (guitarra e sintetizador) e Márcio Torella (baixo) também lançaram, nesta semana, o videoclipe da música “Na sala ao lado”, pelo projeto Laboratório Ao Vivo. Neste mês eles ainda se apresentam no Festival Goma (16) e no Teatro T.E.U., em Uberaba (23).

João Rock

Hoje acontece um dos maiores festivais pop do interior de São Paulo, o João Rock, em Ribeirão Preto. E, na 12ª edição, a abertura será da banda uberlandense Venosa, que venceu o Concurso de Bandas com mais de 500 candidatos. Boa viagem e bom show!

Game of Thrones

O Coldplay anunciou uma pausa no final do ano passado. Mas os fãs da banda acompanham as atividades dos integrantes. Na semana em que Chris Martin, vocalista do Coldplay, foi visto deixando o estúdio onde o U2 grava novo álbum, o Electric Studio, em Nova York, o baterista da banda também foi notícia. Will Champion (foto) participou do nono episódio da 3ª temporada da badalada série “Game of Thrones”. A participação do baterista é breve, porém, em uma cena importante tanto para o episódio quanto para a série. Champion toca tambor durante o “casamento sangrento”, termo com o qual os fãs da série estão familiarizados.

 

1 de junho de 2013 7:00

Caetano Veloso ao vivo

Jornalista

É Proibido

Alguns artistas são como instituições intocáveis, pelo serviço que prestaram à cultura de seus países e pelo trabalho que fizeram, que, mesmo após décadas, continuam a dar o que falar. São insuperáveis pelas barreiras que quebraram e pelo ineditismo do que criaram e depois foi amplamente copiado.

Por essas e por outras, dependendo do meio em que você circula é proibido falar que “não gosta” de Led Zeppelin, The Doors, Iron Maiden, Caetano Veloso… É assim que funciona, algo velado que convém respeitar.
Caetano Veloso e a BandaCê apresentaram o show “Abraçaço” na última quinta-feira (30) em Uberlândia, no Center Convention. Esta foi a primeira vez que vi Caetano ao vivo e muito já ouvi falar sobre suas apresentações. Para alguns, “chato”, para outros “fantástico”.

Para mim, ele fez uma péssima versão de “Come as you are”, do Nirvana. Como se atreve? Ele é Caetano, ele pode tudo… E eu não sou especialista em Caetano Veloso nem no movimento transformador do qual ele fez parte. O que não me impede de experimentar.

Sem teto

Caetano começou o show com alguns minutos de atraso. Não por vontade própria. O aeroporto de Uberlândia estava fechado para pousos quando o voo dele passou por aqui. Caetano, banda e equipe foram parar em Uberaba, de onde vieram de carro para cumprir a agenda no Center Convention.

Um artista com um domínio incrível de sua voz. Foi minha primeira impressão durante as primeiras músicas. Um artista desprendido. Foi minha segunda impressão quando ele trocou o nome do baterista Marcelo Callado por Marcelo Serrado. Ambos caíram na risada diante da plateia, que ria junto. E Caetano se justificou: “Minha cabeça está ruim, paramos em Uberaba porque não tinha como descer aqui… eu ia falar sobre esse negócio do avião mais tarde… estou transtornado”. O fato acabou então antecipando o primeiro diálogo do músico com sua audiência do interior mineiro.

Bandacê

A jovialidade deste senhor de 70 anos está em harmonia com os “meninos” da BandaCê, que o acompanham desde 2006. O guitarrista Pedro Sá é um virtuoso em seu instrumento e um ótimo backing vocal. O baixista Ricardo Dias Gomes, também responsável pelos teclados, parece mais introspectivo e, em alguns momentos, me lembrou o guitarrista Jonny Greenwood, do Radiohead. Marcelo Callado tem tamanha leveza nas mãos e nos pés, só perceptível nos melhores bateristas.

Pouco papo

Caetano falou pouco e cantou muito no show de Uberlândia. Ponto para o artista, que tem uma expressão corporal que dispensa aqueles diálogos intermináveis com a plateia. Para o público, o Caetano sempre vai ser o lindo, o sexy, aquele que sempre estará um pouco à frente de seu tempo. E o sorriso do Caetano… Ah, aquele sorriso sincero e maroto que carrega toda a tranquilidade que vem no sangue baiano, a tranquilidade que nem tempos de escuridão conseguiram apagar.

Veja mais fotos do show “Abraçaço” de Caetano Veloso em Uberlândia

Giro Indie

ROCK IN RIO

Com o cancelamento do show do Bullet for my valentine (foto) no Rock in Rio, a produção anunciou a parceria entre as bandas República e Dr. Sin com o guitarrista Roy Z no palco Sunset no dia 19 de setembro. O BFMV não virá por “problemas pessoais”, segundo comunicado. Outras atrações do mesmo palco no festival, que propõe parcerias inusitadas, estão Almah e Hibria e Sebastian Bach e com Rob Zombie. O Rock in Rio acontece de 13 a 15 e de 19 a 222 de setembro no Rio.

GLASTONBURY

Um dos maiores festivais da Europa anunciou o line-up completo nesta semana. De 26 a 30 de junho o Glastonbury, em Pilton, receberá dezenas de atrações em seus palcos. Entre os headliners estão Rolling Stones, Sinead O´Connor, The Vaccines, Arctic Monkeys, Cat Power, Phoenix e Mumford & Sons (foto). O Brasil terá um representante, o pianista e compositor Sérgio Mendes. Confira a programação completa no site: www.glastonburyfestivals.co.uk.