Acordes em velocidade máxima

Carlim, Marquinho, Serjatz e Sapão tocam juntos há cerca de dez anos não só com o Attero, faziam parte de outra banda de hardcore chamada Krösta e participam de outros projetos
“Não conseguimos nos ver sem uma banda”. A frase de Raphael Sapão resume bem a trajetória da banda de hardcore uberlandense Attero. Eles já passaram dos vinte e poucos anos, para alguns, os primeiros filhos já nasceram e dividem, assim como a família, o espaço com guitarras, baixos, baterias e microfones. Com Sapão no baixo, Carlim Bullet nos vocais, Marquinho na guitarra e Serjatz na bateria a banda lança o segundo CD, “Contraste” (One Voice Rec e Valvulado Discos, R$ 10).
O sucessor do CD “Enemy” (2006) e do EP Ruínas (2009) traz em suas 14 faixas e uma bônus, a velocidade e a ferocidade das observações das injustiças e das correrias do dia a dia, observadas por, mais que músicos, um grupo de amigos. “A gente toca junto há mais de 10 anos, desde a época do Krosta. Mais do que gravar um disco é tocar o que gosta, com os amigos, e levando nas músicas algo que a gente acha relevante”, disse Sapão.
Gravado no Rocklab, em Goiânia, com produção do Attero e de Gustavo Vasquez, “Contraste” foi feito entre as idas e vindas à capital goiana em três finais de semana de fevereiro, em tardes de sábado e domingo. “Sempre ficamos satisfeitos com o resultado, por isso optamos por gravar mais um disco lá. A desvantagem foi a correria para gravar fora de Uberlândia. Foram aproximadamente 33 horas de gravação e 30 horas de viagem para gravar”, afirmou Sapão.
A qualidade sonora é um dos destaques do disco e segundo Sapão, sempre que possível eles sairão da cidade para novos shows, mas reconhece que, principalmente por causa da família, não serão muitos. “Não temos uma frequência de shows fora, é fato. Isso porque temos filhos pequenos e, nesse momento, dedicamos a maior parte do nosso tempo à nossas famílias. Mas a banda continua, mesmo que de férias. Quando a ‘mulecada’ crescer, quem sabe a gente consiga fazer mais shows e viajar mais?”.
Participações
Para dar ainda mais peso ao disco “Contraste”, o Attero convidou amigos e parceiros de longa data. Guilherme Miranda, do Krow toca guitarra solo em “Em Frente” e “Reflexão”, Gregório, do Deceivers, canta em “Nunca Mais”, na qual Luís Maldonalle também participa na guitarra solo, Pedro Poney, do Violator, canta em “Em Minhas Mãos” e Túlio, do DFC, canta “Laranja”. “As participações foram especiais pra gente. Alguns são amigos de longa data, dessa estrada do hardcore e isso pesou na escolha”, disse o baixista do Attero, Raphael Sapão. E tem outro uberlandense ilustre neste disco. Em algumas vinhetas aparece Grande Otelo, em diálogos extraídos do filme “O Assalto ao Trem Pagador” (Roberto Farias, 1962).
A arte do encarte, de Guilherme Batista “Guideki” é um passeio pelas letras de “Contraste”, algo que faz valer a pena ter o CD, mesmo que ele esteja disponível para download grátis pelo www. www.tramavirtual.com.br/attero. O CD estará à venda logo mais, nas banquinhas montadas na Acrópole e pode ser pedido pelo email: atterohc@gmail.com.
Udirock
Festival reúne bandas de diversos estilos
O Attero é uma das atrações de amanhã do UdiRock, festival que surgiu em 2007 como UdiRock Scene, do qual o baixista Raphael Sapão foi um dos idealizadores. “O evento cresceu, passou a ser uma demanda maior, foi aí que criamos o Valvulado (produtora) para dividir tarefas e acabei me afastando das atividades, pois atualmente não tenho tempo para produção cultural, algo q sempre fiz”, disse o baixista. E o UdiRock é uma mistura de estilos do rock de garagem ao hard rock, do reggae ao metal, do experimental ao pós grunge. O festival à cidade bandas de outros estados já consagradas como Jupiter Maçã e Mukeka di Rato e conta também com um bom casting de grupos uberlandenses. Acompanhe abaixo a grade de shows de hoje e amanhã, a partir das 15h na Acrópole. Dois litros de leite longa vida valem o passaporte para os dois dias.
Udirock 2011
Hoje
15h Maldito Sudaka (MG)
15h45 Anil (MG)
16h30 Seu Juvenal (MG)
17h15 Leave Me Out (MG)
18h Rotten Hell (MG)
18h45 Killer Klowns (MG)
19h30 Bang Bang Babies (GO)
20h15 Trampanumbras (MG)
21h Haxixins (SP)
21h45 Júpiter Maçã (RS)
Domingo
15h Combate (MG)
15h45 Benflas (MG)
16h30 Mula Di Freti (MG)
17h15 No Defeat (MG)
18h BurnAHead (MG)
18h45 Lycanthropy (MG)
19h30 WC Masculino (GO)
20h15 Attero (MG)
21h Krow (MG)
21h45 Mukeka Di Rato (ES)
GIRO INDIE
Morte de Mikey Welsh
Há sete dias morreu Mikey Welsh, foi baixista do Weezer entre 1998 e 2001. Ele foi encontrado sem vida em um quarto de hotel em Chicago (EUA), no sábado (8). Quando ele deixou a banda ele havia sofrido um colapso nervoso e nos últimos anos sobrevivia como artista plástico e dedicava-se à pintura. Welsh tinha 40 anos e, apesar das especulações sobre overdose, a causa da morte ainda não foi divulgada pela polícia. Algo curioso é que no dia 26 de setembro, Welsh postou no Twitter (@MikeyWelsh71): “Sonhei que morria em Chicago na próxima semana (ataque do coração em meu sono). Preciso escrever meu testamento hoje”. No site do Weezer, o grupo deixou uma mensagem de despedida para Welsh: “Um talento único, um amigo e pai profundamente amoroso. Um grande artista se foi, mas nós nunca vamos esquecê-lo”.
Mundano
O hardcore e o punk rock estão com força total no segundo e último dia do festival Mundano, na Praça das Fontes, no Parque da Cidade, em Brasília. Tem show do Inocentes (SP), na turnê dos 30 anos, Galinha Preta, lenda do underground de Brasília e a volta aos palcos brasileiros da banda uruguaia Motosierra (foto). Ainda hoje se apresentam Zumbis do Espaço (SP), Clan Bastardo (Ita), DFC, Garage Fuzz (SP), Hellsakura (SP), Terror Revolucionário e Girlie Hell (GO). A formação atual do Motosierra traz Marcos Motosierra, Leroy, Leo e Walo. A última vez que se apresentaram no Brasil foi em 2009. Marcos Motosierra estará em Uberlândia amanhã, para discotecar no UdiRock.
Comentários 0