Adreana Oliveira

Novo Som

Novo Som A coluna Novo Som traz destaques do mundo da música pop, rock e alternativa. Aos sábados no Correio de Uberlândia. Na internet a qualquer hora!

25/02/2012 7:04

Evolução do death metal mineiro

Jornalista

Humberto Costa, Guilherme Miranda, Jhoka Ribeiro e Lucas the Carcas

De 2009 para 2012 o Krow não mudou muita coisa. Evoluiu. E isso para os fãs de metal é o que faz a roda girar. De “Before the Ashes”, que apresentou o quarteto não só ao Brasil, como para o mundo, e rendeu uma turnê pela Europa, para “Traces of the Trade”, que acaba de sair, dois integrantes deram um novo fôlego ao grupo.

Guilherme Miranda (guitarra e vocal) e Jhoka Ribeiro (bateria), ganharam a companhia de Lucas the Carcass na guitarra e Humberto Costa no baixo, que, junto a Guilherme Miranda, é um dos principais compositores das 11 “sobreviventes” que entraram no disco.

Sobreviventes porque, à medida que o tempo passa, os músicos tornam-se seus maiores críticos. “Para este disco fizemos uma seleção pré-produção minuciosa, ensaiamos exaustivamente as músicas antes de entrar em estúdio e nesse processo jogamos muita coisa fora”, afirma o vocalista.

CONFINADOS

Antes de chegar ao Rock Lab, estúdio goiano onde o “Traces of the Trade” foi gravado, as salas de ensaio eram parada frequente do Krow. “Gravamos algumas músicas antes para termos a noção exata de como elas soariam no disco. Foram meses trancados em uma sala de ensaios para tirar o melhor da banda em conjunto”, disse Guilherme Miranda. Após tentarem os tempos, os riffs e acrescentarem alguns detalhes, a triagem final ficou concisa, de “Eidolon”, que abre o disco, até “System Unfolds”, que fecha. Mas esse círculo só se fechou desta forma porque hoje a bagagem da banda é maior, a experiência, que sempre começa como brincadeira de moleque, virou coisa séria. “A entrada do Humberto e do Carcassa soma no trabalho, montamos uma equipe mais coesa”, afirma Guilherme.

O vocalista e guitarrista almejava ter alguém para dividir as composições. “O Humberto é inteligente, e a gente queria fazer letras mais densas, sem sair da estética death da banda”. Guilherme afirma que a parte lírica foi bem estudada, fizeram um trabalho de pesquisa que contou até com um sociólogo, Christian Lima, que fez o parágrafo introdutório do encarte do disco. “O Carcassa é criativo e foi bom ter ele nas composições, a banda fluiu bem, todos participaram de tudo”.

PROFESSOR METAL

Percebe-se que o Krow é uma prioridade na vida de seus integrantes, porém, não é a única. Seria tudo de bom viver do death metal, mas, enquanto isso não é possível, eles não reclamam de uma vida dupla. Como Guilherme Miranda diz, “é uma vida saudável com restrições”. Além de músico ele é professor de História.

Seus alunos têm entre 12 e 19 anos e, em algumas vezes, no curso pré-vestibular em que leciona, ele é o caçula na classe. Além disso, ele atua como produtor quando tem a chance. “Não é fácil conciliar todas essas atividades, minha vida é uma loucura. Não tenho um final de semana sem fazer nada. Quando não estou em sala estou gravando algo, respondendo e-mails, ensaiando. A banda hoje demanda responsabilidades maiores e não é mais uma brincadeira adolescente”. Para ele, ser “headbanger”, para não dizer “metaleiro”, ajudou a abrir as portas como professor. “A meninada acha massa, eu tiro a maior onda com eles, é bem engraçado tem hora, pois eu não tenho o visual do típico professor”, afirma.

RUMO AO CHILE

Na próxima sexta-feira (2) o Krow tem um grande show. Será a banda de abertura para os noruegueses da Dimmu Borgir no Teatro Teletón, em Santiago, no Chile. “Dimmu Borgir está entre as maiores bandas com as quais já tocamos. Mas esse show terá uma produção grande. Creio que será a primeira vez que estaremos envolvidos em uma produção desse porte. E esta é uma banda de black Metal que chegou ao mainstream, vai ser excepcional tocar com eles”, diz Guilherme, que também no dia 2, completará 25 anos.

INCENTIVO

A turnê de “Traces of the Trade” ainda está sendo negociada. Enquanto isso, o Krow já pensa em um videoclipe para ser lançado no próximo semestre. O disco teve uma verba de R$ 27 mil da Prefeitura de Uberlândia, por meio do Programa Municipal de Incentivo à cultura. O dinheiro foi investido todo no disco e eles ainda gastaram um pouco mais, e no fim, valeu o investimento.

As participações especiais no disco são Jack Will, do Porcas Borboletas, (percussão em “March of Vendetta”), Luis Maldonalle (guitarra em “Outbrake of a Maniac”) e o baixista chileno, de carreira internacional no metal, atualmente Watain, Alvaro Lillo em “Retaliated”. “Foram todos muito legais e fiquei surpreso com a atenção do Lillo. Foi atencioso, brother mesmo e ele gostou do resultado”, disse Guilherme Miranda.

Saiba mais sobre “Traces of the Trade” (Valvulado Dicos, TBonTB, R$ 15), no site da banda.

GIRO INDIE

SOUFLY

Hoje tem o segundo show do Soufly no Brasil. Max Cavalera e companhia se apresentam na Via Marques, em São Paulo, esta noite. A Novo Som vai acompanhar isso de perto e você confere aqui na semana que vem o que rolou de mais legal no show.

DYLAN EM BH

Os ingressos para os shows de Bob Dylan em Belo Horizonte começam a ser vendidos na segunda-feira. O show acontece o Chevrolet Hall dia 19 de abril. A classificação é 16 anos. A capacidade do local é 5.500 pessoas. O preço dos ingressos varia de R$ 90 (meia-entrada, 1º lote) a R$ 240 (inteira, 4º lote). Ingressos para esta apresentação e para as outras cidades por onde a lenda passará podem ser adquiridos pelo www.ticketsforfun.com.br.

DURAN DURAN

Para ninguém dizer que a Novo Som de hoje está muito pesada, vai um pouco do velho e bom pop. O Duran Duran voltará ao Brasil para uma turnê que passará por Brasília (28/04), Rio de Janeiro (30/04) e São Paulo (02/05). Hora de relembrar hits como ”Ordinary World”, “Come Undone” e “Save a Prayer”, entre outras. Informações sobre venda de ingressos, preços e locais definidos em breve!

Tenha um ótimo final de semana. E já sabe: contato direto: adre@correiodeuberlandia.com.br.

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