Um final de semana para não se esquecer
Os dias 14 e 15 de abril de 2012 fazem parte de um final de semana que tinha tudo para ser memorável para a cena undergound de Uberlândia. Os dias de eventos voltados para o público roqueiro – do pop rock ao metal extremo – Rock Contra a Fome (14) e um festival de death metal (15) até que tornaram-se memoráveis, mas não pelos melhores motivos. É bom que não se esqueça mesmo desses dois eventos para que a tal cena na cidade ganhe mais em profissionalismo.
Vamos começar pelo festival death que traria à Uberlândia a maior atração no segmento já visto por aqui. Adiei minha viagem de férias em alguns dias para comparecer e dar uma força, afinal, um show do Obituary, banda com mais de 20 anos de carreira e respeitada na cena death mundial, teria tudo para ser marcante na história do underground uberlandense.
Teria. Ficou assim, no passado mesmo. A banda esteve em Uberlândia, provou da culinária mineira mas não fez o show mais aguardado entre os cinco previstos para aquela noite no Gran Hall. O que se viu após o show da norte-americana Acheron foi uma massa de fãs frustrados e revoltados.
A Aliança Underground, produtora de Brasília, responsável pelo evento, não comunicou, na hora o por que de os portões da casa serem abertos logo após o show do Acheron. Muita gente não entendeu e acreditava que o Obituary estava prestes a subir ao palco.
Quando a polícia entrou perguntei ao sargento Kaisson por que eles estavam ali. Segundo ele, os organizadores não conseguiram em bilheteria o dinheiro necessário para pagar o cachê do Obituary e o show não se realizaria. O principal problema ali foi este comunicado não ter sido feito no palco, não ter sido explicado no local. Ficou todo mundo perdido.
Em nota divulgada posteriormente, a Aliança Underground se responsabiliza pela não realização do show, afirma que quem quiser pode tomar as medidas legais cabíveis e diz ter sido ingênua quando contou com um bilheteria de 400 pagantes para o festival. Foi mais ou menos este o público do domingo, pagantes, 297.
Em nota a Aliança Underground afirma que não visava lucro e quem trabalha neste meio sabe que é difícil alguém lucrar algo com este tipo de show. É muita gente que trabalha na raça para viabilizar esses eventos. E eles fizeram um bom trabalho. Os shows começaram no horário, o som estava muito bem regulado e a iluminação de acordo com a ocasião, profissional mesmo.
Se o Obituary tivesse subido ao palco seria tudo perfeito. Acredito que se a situação tivesse sido explicada na hora a revolta não seria tanta. O que mais ficou evidente entre o público, inclusive de cidades de outros estados, foi a falta de respeito a eles no local, na hora do ocorrido. Na nota, a Aliança Underground admite ter deixado o local por medo de represálias e foi isso que mais pesou contra eles.
Fica a lição para quem pensa que é fácil trazer uma produção internacional para Uberlandia principalmente para um publico tão seleto. E que essa visão romântica desapareça logo da mentalidade de quem acredita que qualquer cena sobrevive sem investimento, sem organização e seriedade.
Se você quer algo de qualidade tem que pagar por isso. E não adianta culpar apenas os organizadores. Tem muita gente que só sabe reclamar. É incapaz de pagar um ingresso de R$ 50 para ver 3 bandas brasileiras e duas norte-americanas em um mesmo festival mas se gaba por pagar R$ 500 para ver o Iron Maiden em São Paulo, por exemplo.
Se você esteve no show e precisa de mais informações sobre ressarcimento entre em contato com a Aliança Underground: underground.alianca@gmail.com.
Por mais que não tenha sido com seu line up completo, o festival de death metal no dia 15 de abril em Uberlandia aconteceu e merece registro.
O primeiro grupo, o quarteto ESCARAVELHO DO DIABO, de Araguari, representante black metal, começou o show com aceitáveis cinco minutos de atraso e na concepção de palco se mostrou profissional. O público ainda morno e espalhado pelo Gran Hall respeitou a banda de abertura, que nunca tem uma tarefa fácil nessas ocasiões.
A banda seguinte foi a uberlandense SCOURGE, que traz no baixo e vocal Juarez Tavora, uma das pessoas mais respeitadas na cena do metal extremo uberlandense, fiel às raízes. Com músicas do primeiro CD, eles empolgaram o público e tiveram participação de Manu Henriques (vocalista do Uganga) na bateria e de Ingrid, da Aliança Underground, nos vocais, em uma das músicas apresentadas. Juarez, inclusive, foi alvo de críticas após o não comparecimento do Obituary. Vale lembrar que ele não estava diretamente envolvido na produção, ajudou, como pôde, a divulgar o festival.
De São Paulo foi a terceira atração, o NERVO CHAOS, que se apresentava pela primeira vez em Uberlândia. Eles aproveitaram a oportunidade para mostrar músicas que estarão no próximo CD do grupo, com lançamento previsto para junho. A esta altura as rodas aumentaram, a adrenalina subiu e o público estava mais intenso na pista, principalmente nas rodas.
A banda norte-americana ACHERON, quarta atração da noite, fez um show de primeiro mundo e digno de um grupo que está na estrada desde 1988 nesse maldito underground. Competência não faltava ali a nenhum dos músicos. Mas o grupo não é para principiantes e chocaria os cristãos desavisados com suas mensagens anticristo. Em termos técnicos todos os shows foram equivalentes, mas a experiência e aparelhagem do Acheron comprovam que experiência nunca é demais.
No sábado (14), também no Gran Hall, em Uberlândia, aconteceu mais uma edição do Rock Contra Fome, já realizado há cerca de dez anos na cidade. E por incrível que pareça, as mesmas falhas das primeiras edições continuam. Marcado para as 14h, a primeira banda subiu ao palco por volta das 18h. A ordem das bandas passava por alteração a todo momento. Mais uma vez, como em anos anteriores, vi jovens músicos deixarem o local com a frustração estampada no rosto por não se apresentarem.
A causa é nobre, o festival não tem fins lucrativos, os alimentos são doados a pessoas que precisam deles. Ótimo. Porém, o RCF chegou a um ponto que, ou se profissionaliza de verdade ou encerra as atividades.
O sábado no Gran Hall teve um ponto positivo que foi o encontro de muitos músicos de diferentes gerações. Foi propício para colocar em dia a conversa com os amigos que há muito tempo não se via, confraternizar com os mais novos e ver que o público roqueiro na cidade existe.
Porém, a regulagem do som estava ruim a ponto de literalmente machucar os tímpanos. Para ser fazer rock é preciso ser bom além de ser alto. Ver no palco veteranos como Tim Garcia (guitarrista) e Caixeta (baterista), com a V8, se apresentando naquelas condições, com uma iluminação ruim e aparelhagem idem mostra que existe boa vontade.
LAST FACE
Não conheço pessoalmente os meninos que tocam na banda Last Face, mas vi a campanha que fizeram nas redes sociais durante algumas semanas sobre o festival. Não sei também a que horas eles deveriam tocar no sábado, apresentação que seria, inclusive, presenciada pela mãe de um dos músicos, que ouviu muita coisa que com certeza não lhe agradava para ver o filho no palco. Pouco depois das 23h vi eles saindo do Gran Hall, carregando a guitarra, o baixo e com aquele sentimento de frustração de quem se preparou bem para uma festa que para eles não aconteceu. Uma pena.
OUTRAS ATRAÇÕES
Não via primeira banda. Assisti a V8 e parte de um Raimundos Cover. Quando começou o cover do Metallica o som estava tão alto que optei por ouvir do lado de fora. O que aconteceu com a banda seguinte e depois com o cover de Avenged Sevenfold. Passava da 0h30 quando a Leave Me Out subiu ao palco para um show curto, de meia hora, no qual fez o que estava ao seu alcance. Quando o cover do Iron Maiden, que traz Lane Lothlórien nos vocais, subiu ao palco já era madrugada e o público estava reduzido a algumas dezenas de pessoas.
Se os horários tivessem sido cumpridos eles teriam um público bem maior para quem mostrar seu trabalho, que com certeza, foi moldado com horas e horas e ensaios.
CADA UM NA SUA
A tendência é que organizadores de festivais como o Rock Contra a Fome queiram abraçar o mundo, agradar a todos. Mas, infelizmente, isso não é possível. É preciso ter um foco profissional. Palco é lugar de artista, de banda em um evento desses. De forma alguma deve-se permitir que outros se movimentem neste espaço durante os shows por nada. Roadies, fotógrafos e produtores profissionais sabem muito bem qual é o lugar deles. Quando aparecem mais do que a banda, é porque tem algo de muito errado na produção.
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Ademir Bernardes disse:21/04/12 16:51
Falou tudo. Profissionalismo é fundamental para se realizar eventos deste porte. O engraçado é que essa está se repetindo,porém, em um festival de proporções bem maiores que é o Metal Open Air em São Luiz (MA) com várias bandas desistindo por falta de estrutura e desorganização, ou seja, desrespeito para com bandas e fãs e amadorismo puro.
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Don. Barreto disse:23/04/12 8:50
Com certeza Adreana, as bandas de Uberlândia merecem respeito e os organizadores geralmente não levam as bandas à sério por acharem que Uberlândia é terra somente para um determinado tipo de público. Não entendo por que o metal e os demais estilos que emglobam a sena undergroud de Uberlândia não tem chance de fazer sucesso sendo que há muitas pessoas que são fãs do estilo aqui, na nossa cidade. O que custa divulgar o um evento desses num comercial, não precisa ser na TV, pode ser atraves de um panfleto ou colado por aí. No dia que um evento deses for divulgado no MG TV, pode ter certeza que vai lotar por que as pessoas verão que se estão investindo, é por que estão nos levando à sério.
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LAST FACE - Oficial. disse:23/04/12 16:40
__Por imprevisto a LAST FACE infelizmente não pode se apresentar por motivo de saúde de um Familiar. E o motivo da mãe do integrante se Irritar foi com a demora para a LAST FACE se apresentar. que era a 5ª banda puseram como a penúltima que seria mais ou menos as 01:30Hs a 02:00Hs para se apresentar e com o familiar ainda Não passando Bem .. Mais em Breve LAST FACE estará fazendo o ROCK n´ROLL esperado pela a galera.. A banda LAST FACE Agradece a Compreensão de vocês.
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MachineGun disse:04/05/12 15:52
Otima materia Adreana, parabens !! Infelismente a maturidade de algumas pessoas esta acabando com o prestigio da galera do “rock” de uberlandia. Comenta sobre as bandas novas que estam aparecendo na cidade, e tambem de algumas que ja foram sucesso por aqui. Vlw
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Amy disse:07/06/12 17:52
Realmente o rock contra fome ficou devendo novamente :/
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Lurana Glória Guimarães disse:19/03/13 16:07
Será q o RCF deste ano será melhor???? Assim espero, no último sábado estive no show dos Raimundos e percebi q o Gran Hall ñ tem estrutura para show de rock. A acústica eh mt ruim, e lá eh mt quente e abafado, além de ser pequeno, acho q um show desse tipo deveria ser no Acrópole! Problemas a parte o show foi ótimo!


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