Adreana Oliveira

Novo Som

Novo Som A coluna Novo Som traz destaques do mundo da música pop, rock e alternativa. Aos sábados no Correio de Uberlândia. Na internet a qualquer hora!

25 de maio de 2013 7:00

Diablo Motor

Jornalista

Rock de Recife

O rock mais clássico sempre vai ter lugar no coração dos amantes da boa música, principalmente, entre os músicos que enveredam pelo rock and roll. Da terra do mangue beat vem mais uma dica de disco da Novo Som. A banda Diablo Motor lança o primeiro CD full lenght (“Diablo Motor”, Monstro Discos, 2012, R$ 22,90). O disco sai com dez músicas e sucede o EP de 2010, um primeiro laboratório de estúdio do grupo.

Hoje formado por Rafael Sales (voz), Filipe Cabral (guitarra e vocais), Bruno Patrício (baixo) e Thiago Sabino (bateria), o grupo, na estrada desde 2008, mostrar a que veio, principalmente, valorizando o que tem em casa. “Quando começamos, produzimos o primeiro EP muito rápido. Até a gravação do primeiro CD amadurecemos mais”, disse o baterista Thiago Sabino, em entrevista por telefone. Segundo ele, quando entraram em estúdio no ano passado, optaram por gravar tudo ao vivo, para captar melhor a energia da banda. “Uma banda, quando tá começando, quer muita coisa ao mesmo tempo”, afirmou Sabino.

No processo de amadurecimento, teve mudança na formação e a correria necessária de começar, aos poucos, a ganhar os palcos pernambucanos. Eles não saíram de Recife para gravar ou mixar o disco e, por hora, apesar da ambição de tocar em todos os lugares possíveis, eles sentem a necessidade de formar o público no lugar onde nasceram. “A gente sente que Recife ainda tem um espaço bacana para ser trabalhado e tem bandas e produtores muito bons também”, disse o baterista. “Ainda não esgotamos nossas possibilidades por aqui.”

Idioma

Às vezes, eu percebo que bandas como o Diablo Motor, que canta rock mais clássico em português, tendem a contar com alguma resistência na audiência já tão acostumada ao inglês. Está aí um grande desafio para eles. A partir de composições como “Al dente” e “A carta”, é possível perceber que eles estão no caminho certo. Segundo a conversa com o baterista Thiago Sabino, eles sabem que, a cada disco, tem que vir uma superação e não têm medo de trabalhar para isso.

Circulação

Com shows frequentes pelas cidades de Pernambuco, o Diablo Motor já chegou à Feira de Santana (BA) e se prepara para uma turnê por todo o Nordeste, que deve acontecer ainda neste ano. “Seria legal também fazer uma temporada no Sudeste, mas para ficar por pouco tempo, afinal, todos nós temos família aqui (Recife) e sei que temos muito o que contribuir com a cena”, disso o baterista Thiago Sabino.
E, nessas horas, a internet é uma aliada. Segundo o baterista, a Diablo Motor já teve mais de 100 mil reproduções das músicas em streaming ou download e isso se reflete quando chegam às cidades. “Em Feira de Santana, eu fiquei surpreso com o número de pessoas que cantavam as músicas.”

Vida Real

O Diablo Motor sabe que nem só de internet as bandas vivem. É uma parte importante da divulgação, mas o que vale mesmo é cair na estrada. “A internet ajuda a banda a se tornar mais conhecida, mas o que todo músico quer, mais que downloads, é cair na estrada e é com esse público formado por aí que você expande ainda mais os horizontes”, afirmou Thiago Sabino. “O MySpace já foi um bom termômetro para medir audiência de banda. Hoje talvez seja o Facebook; amanhã não se sabe. Por isso a importância de se fazer presente, ao vivo, e isso só com os shows”, disse o músico.

Produção

Para o primeiro disco, o Diablo Motor investiu pesado na produção. Trabalhou com o gaúcho Iuri Freiberger, que já produziu bandas como Plebe Rude, Frank Jorge e MQN. Para não falar que o álbum não teve interferências externas, a masterização foi feita em Nova York, no DG Mastering Studio, pelo norte-americano Don Grossinger. Ele tem no currículo finalização de discos para bandas como Brian Wilson, The Rolling Stones e Rage Against The Machine. Em 2010, ficou com o Grammy de masterização para CD e vinil de “Embryonic”, da banda Flaming Lips.

Amigos

Nas participações especiais do disco de estreia do Diablo Motor, um grupo de amigos deu às caras nos estúdios Casona, em Jaboatão dos Guararapes ou no Base, em Recife: Johnny Hooker (Candeias Rock City), Djalma Rodrigues (AMP), Diógenes Baptisttella (co-fundador da Volver), Ed Staudinger (Bande Dessinée) e João Nogueira (Terra Prima).

Diablo Motor

1 – “Sem moderação”
2 – “Al dente”
3 – “Garota fogo”
4 – “A mesma história”
5 – “A carta”
6 – “Não quero te entender”
7 – “Meio blues”
8 – “Cafa Song”
9 – “Silly little game”
10 – “Não pare”

Site – www.rockdiablomotor.com

Giro Indie

Viagem

Enquanto você estiver lendo essa coluna, eu estarei bem longe das Minas Gerais. Vamos ver o que Tóquio vai render para a Novo Som.

“Local Pain”

No dia em que lançou o EP “Mirror of insanity”, no último sábado, com o Open House lotado, a banda uberlandense Leave Me Out publicou, no Youtube, o primeiro videoclipe profissional. A música escolhida é “Local pain”.

Assista ao videoclipe de “Local pain”, de Leave Me Out

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Documentário

Ainda sem data de estreia definida, o documentário que conta a história de Duff McKagan tem gerado muita expectativa. O primeiro trailer já está circulando na internet. “O baixista do Guns n’Roses, Duff McKagan, conta a história de fama, música, abuso de drogas e sobriedade – a história de sua vida”. Esse é o texto que acompanha o trailer do documentário dirigido e escrito por Christopher Duddy. “It’s so easy and other lies” é baseado na biografia do baixista.

 

Assista ao trailer do documentário “It’s so easy and other lies”.

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18 de maio de 2013 7:00

Lana del Rey

Jornalista

Degustação em pequenas doses

O CD de Lana Del Rey “Born to die – The paradise edition” (Universal Music, duplo, R$ 34,90) ficou um bom tempo do lado do CD player, em casa. Isso por conta de uma resistência a mais uma cantora pop apresentada ao mundo com todos os clichês de praxe ainda em 2012: um videoclipe (“Born to die”) que abusa da sensualidade, busca causar impacto e o embate entre a santa e a pecadora.

A voz aveludada e empostada conta pontos para a essa nova-iorquina que completará 27 anos no próximo dia 21 de junho. Dá a ela um ar de diva. Em algumas músicas, como “Born to die”, “Blue Jeans” e “Carmem”, convence, principalmente por estar acompanhada por arranjos primorosos, mesmo que, por alguns instantes, as músicas pareçam ter pouca variação. O álbum tem mais de uma hora e meia. Por isso é recomendável, se chegar lá pela metade dele e tiver a impressão de que está ouvindo a mesma música, é hora de parar e voltar depois. Deguste o disco em pequenas doses.

Em alguns momentos como “Off to the races” e “Dark paradise”, Lana Del Rey soa como uma menina ainda dependente de grandes produtores.

É indiscutível que “Born to die” é um sucesso. A edição dupla chegou com oito canções inéditas para aproveitar o momento em que Lana Del Rey é assunto em várias rodas, seja pela música, seja pelos ensaios sensuais que tem feito.

É difícil imaginar que caminho ela vai tomar daqui para frente e ainda é cedo para definir o papel dela na música pop. Afinal, atualmente ídolos são esquecidos na mesma velocidade em que são criados. Se Lana Del Rey vai entrar neste grupo ainda não sei, mas ela realmente acertou a mão em algumas canções.

Giro Indie

Leave me Out

A banda uberlandense Leave Me Out termina hoje uma fase e começa outra. Logo mais será lançado o EP “Mirror of insanity”, o terceiro de uma trilogia que tem ainda “Leave me out” e “Junkhead”. Ao todo, são 16 composições próprias já lançadas. Agora, eles voltam todas as atenções para a gravação do primeiro CD full length. O show acontece no Open House (rua Santos Dumont, 803, Centro), a partir das 22h e tem entrada franca. Todas as músicas podem ser ouvidas por aqui: https://soundcloud.com/leavemeout.

11 de maio de 2013 7:00

Bling Pigs

Jornalista

Hobbie levado a sério

Jamais subestime a falta de ambição e a falta do que fazer dos adolescentes. De repente, 20 anos depois, aqueles moleques estarão em turnê, comemorando as duas décadas a serviço de uma arte que para muitos é marginal, para outros, estilo de vida. Jamais subestime o que uma banda pode fazer por você. De repente, 20 anos depois, você será, pela primeira vez, pego pela ansiedade antes de uma apresentação.

Depois de cinco anos sem tocar “em casa”, o Blind Pigs volta nesta noite a São Paulo, com show em um dos lugares mais badalados da capital paulista, o Cine Joia. “É a primeira vez que fico tão ansioso antes de um show”, disse o vocalista Henrike, na tarde de ontem, durante uma entrevista por telefone à Novo Som.

O nervosismo não é gratuito. O show desta noite, além de marcar a reta final da turnê dos 20 anos da banda, destaca o lançamento do novo disco, “Capitânia”, e da discografia do grupo em vinil. Eles vão aproveitar a oportunidade e o calor dos fãs ávidos por esse retorno à Pauliceia, para gravar mais um videoclipe. A música escolhida é “União”. “Essa noite vai ser especial”, disse Henrike. E na ocasião, a banda de rockabilly Folgatos também se apresenta. Foi com eles que o Blind Pigs dividiu o palco no primeiro show, em 1993.

Legado

Ao lado de Henrike sobem ao palco Gordo e Fabiano nas guitarras, Galindo no baixo e Arnaldo na bateria. Henrike afirma que, ao olhar para trás, o mais marcante é o legado construído pelo Blind Pigs. “Era uma brincadeira de um bando de moleque entediado que resolveu montar uma banda de punk rock e hoje é uma das mais representativas no Brasil”, disse o músico.
Apesar de ter praticamente toda a discografia lançada por selos gringos, o Blind Pigs ainda não embarcou em uma turnê internacional e, segundo Henrike, esse nunca foi um objetivo. “É bacana divulgar nossa música lá fora, mas nosso foco sempre foi o Brasil. A gente canta em português porque nosso lance é aqui e o Blind Pigs é nosso hobbie levado a sério.”

Fãs

Por mais que tenha dado algumas pausas na carreira, o Blind Pigs sempre esteve no inconsciente coletivo dos fãs do punk rock nacional, o que é comprovado pelo público que tem acompanhado os shows dessa turnê comemorativa. “É uma doideira, tem fã que hoje já leva os filhos, quem era muito novo quando começamos e hoje está na casa dos 16 anos também tem comparecido. Bizarro isso”, afirmou o vocalista Henrike.

Evolução

Por ironia do destino, mesmo com 20 anos de serviços prestados ao punk rock nacional, o Blind Pigs ainda é atração inédita em muitas cidades, como Uberlândia. Sinal de que o mercado não seguiu o mesmo ritmo da evolução da banda. “Tem produtor local que não dá valor para bandas nacionais. Não temos conseguido levar nosso show a Belo Horizonte, nem a Porto Alegre, por exemplo. Muitos promotores oferecem um cachê que não cobre nada, mesmo com garantia de que a casa vai encher. É uma pena não ter uma rede maior de produtores independentes”, disse Henrike.
Não que a banda faça questão de luxo. Preza pelo justo. Afinal, quem não se preocupa com uma estrutura decente não demonstra respeito ao público. E quem primeiro deve valorizar o próprio trabalho é a banda. “Para que este cenário melhore é preciso mais imposição por parte dos músicos”, disse Henrike.

Capitânia

Depois de seis anos sem gravar, o Blind Pigs retornou ao estúdio e presenteou os fãs com o CD “Capitânia” (R$ 22, Sweet Fury Records), também disponível em uma tiragem limitada de 250 cópias em vinil de 10 polegadas, cor transparente (Zona Punk), disponível apenas nos shows.

 


Giro Indie

Ufuzuê

No início desta semana, foram selecionados os aprovados no edital do UFUzuê, da Universidade Federal de Uberlândia (UFU). Em breve serão divulgadas as datas e atrações de música, teatro e dança para os campi. A convite da Diretoria de Cultura participei da seleção das bandas ao lado de Jorge Henrique Murati – músico e professor do Conservatório Cora Pavan Capparelli- e Cássio Ribeiro – técnico de som do Instituto de Artes da UFU. Dos 37 trabalhos inscritos foram escolhidos sete e três suplentes. Como avaliadora, vale aqui um conselho para as bandas e cantores que se inscrevem para qualquer edital. É importante que mandem um material de qualidade e coeso com a proposta do grupo. Muitas vezes o que se lia não correspondia ao que se via ou ouvia. Fica a dica.