
Hobbie levado a sério
Jamais subestime a falta de ambição e a falta do que fazer dos adolescentes. De repente, 20 anos depois, aqueles moleques estarão em turnê, comemorando as duas décadas a serviço de uma arte que para muitos é marginal, para outros, estilo de vida. Jamais subestime o que uma banda pode fazer por você. De repente, 20 anos depois, você será, pela primeira vez, pego pela ansiedade antes de uma apresentação.
Depois de cinco anos sem tocar “em casa”, o Blind Pigs volta nesta noite a São Paulo, com show em um dos lugares mais badalados da capital paulista, o Cine Joia. “É a primeira vez que fico tão ansioso antes de um show”, disse o vocalista Henrike, na tarde de ontem, durante uma entrevista por telefone à Novo Som.
O nervosismo não é gratuito. O show desta noite, além de marcar a reta final da turnê dos 20 anos da banda, destaca o lançamento do novo disco, “Capitânia”, e da discografia do grupo em vinil. Eles vão aproveitar a oportunidade e o calor dos fãs ávidos por esse retorno à Pauliceia, para gravar mais um videoclipe. A música escolhida é “União”. “Essa noite vai ser especial”, disse Henrike. E na ocasião, a banda de rockabilly Folgatos também se apresenta. Foi com eles que o Blind Pigs dividiu o palco no primeiro show, em 1993.
Legado
Ao lado de Henrike sobem ao palco Gordo e Fabiano nas guitarras, Galindo no baixo e Arnaldo na bateria. Henrike afirma que, ao olhar para trás, o mais marcante é o legado construído pelo Blind Pigs. “Era uma brincadeira de um bando de moleque entediado que resolveu montar uma banda de punk rock e hoje é uma das mais representativas no Brasil”, disse o músico.
Apesar de ter praticamente toda a discografia lançada por selos gringos, o Blind Pigs ainda não embarcou em uma turnê internacional e, segundo Henrike, esse nunca foi um objetivo. “É bacana divulgar nossa música lá fora, mas nosso foco sempre foi o Brasil. A gente canta em português porque nosso lance é aqui e o Blind Pigs é nosso hobbie levado a sério.”
Fãs
Por mais que tenha dado algumas pausas na carreira, o Blind Pigs sempre esteve no inconsciente coletivo dos fãs do punk rock nacional, o que é comprovado pelo público que tem acompanhado os shows dessa turnê comemorativa. “É uma doideira, tem fã que hoje já leva os filhos, quem era muito novo quando começamos e hoje está na casa dos 16 anos também tem comparecido. Bizarro isso”, afirmou o vocalista Henrike.
Evolução
Por ironia do destino, mesmo com 20 anos de serviços prestados ao punk rock nacional, o Blind Pigs ainda é atração inédita em muitas cidades, como Uberlândia. Sinal de que o mercado não seguiu o mesmo ritmo da evolução da banda. “Tem produtor local que não dá valor para bandas nacionais. Não temos conseguido levar nosso show a Belo Horizonte, nem a Porto Alegre, por exemplo. Muitos promotores oferecem um cachê que não cobre nada, mesmo com garantia de que a casa vai encher. É uma pena não ter uma rede maior de produtores independentes”, disse Henrike.
Não que a banda faça questão de luxo. Preza pelo justo. Afinal, quem não se preocupa com uma estrutura decente não demonstra respeito ao público. E quem primeiro deve valorizar o próprio trabalho é a banda. “Para que este cenário melhore é preciso mais imposição por parte dos músicos”, disse Henrike.
Capitânia
Depois de seis anos sem gravar, o Blind Pigs retornou ao estúdio e presenteou os fãs com o CD “Capitânia” (R$ 22, Sweet Fury Records), também disponível em uma tiragem limitada de 250 cópias em vinil de 10 polegadas, cor transparente (Zona Punk), disponível apenas nos shows.


Giro Indie

Ufuzuê
No início desta semana, foram selecionados os aprovados no edital do UFUzuê, da Universidade Federal de Uberlândia (UFU). Em breve serão divulgadas as datas e atrações de música, teatro e dança para os campi. A convite da Diretoria de Cultura participei da seleção das bandas ao lado de Jorge Henrique Murati – músico e professor do Conservatório Cora Pavan Capparelli- e Cássio Ribeiro – técnico de som do Instituto de Artes da UFU. Dos 37 trabalhos inscritos foram escolhidos sete e três suplentes. Como avaliadora, vale aqui um conselho para as bandas e cantores que se inscrevem para qualquer edital. É importante que mandem um material de qualidade e coeso com a proposta do grupo. Muitas vezes o que se lia não correspondia ao que se via ou ouvia. Fica a dica.