Adreana Oliveira

Novo Som

Novo Som A coluna Novo Som traz destaques do mundo da música pop, rock e alternativa. Aos sábados no Correio de Uberlândia. Na internet a qualquer hora!

18 de maio de 2013 7:00

Lana del Rey

Jornalista

Degustação em pequenas doses

O CD de Lana Del Rey “Born to die – The paradise edition” (Universal Music, duplo, R$ 34,90) ficou um bom tempo do lado do CD player, em casa. Isso por conta de uma resistência a mais uma cantora pop apresentada ao mundo com todos os clichês de praxe ainda em 2012: um videoclipe (“Born to die”) que abusa da sensualidade, busca causar impacto e o embate entre a santa e a pecadora.

A voz aveludada e empostada conta pontos para a essa nova-iorquina que completará 27 anos no próximo dia 21 de junho. Dá a ela um ar de diva. Em algumas músicas, como “Born to die”, “Blue Jeans” e “Carmem”, convence, principalmente por estar acompanhada por arranjos primorosos, mesmo que, por alguns instantes, as músicas pareçam ter pouca variação. O álbum tem mais de uma hora e meia. Por isso é recomendável, se chegar lá pela metade dele e tiver a impressão de que está ouvindo a mesma música, é hora de parar e voltar depois. Deguste o disco em pequenas doses.

Em alguns momentos como “Off to the races” e “Dark paradise”, Lana Del Rey soa como uma menina ainda dependente de grandes produtores.

É indiscutível que “Born to die” é um sucesso. A edição dupla chegou com oito canções inéditas para aproveitar o momento em que Lana Del Rey é assunto em várias rodas, seja pela música, seja pelos ensaios sensuais que tem feito.

É difícil imaginar que caminho ela vai tomar daqui para frente e ainda é cedo para definir o papel dela na música pop. Afinal, atualmente ídolos são esquecidos na mesma velocidade em que são criados. Se Lana Del Rey vai entrar neste grupo ainda não sei, mas ela realmente acertou a mão em algumas canções.

Giro Indie

Leave me Out

A banda uberlandense Leave Me Out termina hoje uma fase e começa outra. Logo mais será lançado o EP “Mirror of insanity”, o terceiro de uma trilogia que tem ainda “Leave me out” e “Junkhead”. Ao todo, são 16 composições próprias já lançadas. Agora, eles voltam todas as atenções para a gravação do primeiro CD full length. O show acontece no Open House (rua Santos Dumont, 803, Centro), a partir das 22h e tem entrada franca. Todas as músicas podem ser ouvidas por aqui: https://soundcloud.com/leavemeout.

11 de maio de 2013 7:00

Bling Pigs

Jornalista

Hobbie levado a sério

Jamais subestime a falta de ambição e a falta do que fazer dos adolescentes. De repente, 20 anos depois, aqueles moleques estarão em turnê, comemorando as duas décadas a serviço de uma arte que para muitos é marginal, para outros, estilo de vida. Jamais subestime o que uma banda pode fazer por você. De repente, 20 anos depois, você será, pela primeira vez, pego pela ansiedade antes de uma apresentação.

Depois de cinco anos sem tocar “em casa”, o Blind Pigs volta nesta noite a São Paulo, com show em um dos lugares mais badalados da capital paulista, o Cine Joia. “É a primeira vez que fico tão ansioso antes de um show”, disse o vocalista Henrike, na tarde de ontem, durante uma entrevista por telefone à Novo Som.

O nervosismo não é gratuito. O show desta noite, além de marcar a reta final da turnê dos 20 anos da banda, destaca o lançamento do novo disco, “Capitânia”, e da discografia do grupo em vinil. Eles vão aproveitar a oportunidade e o calor dos fãs ávidos por esse retorno à Pauliceia, para gravar mais um videoclipe. A música escolhida é “União”. “Essa noite vai ser especial”, disse Henrike. E na ocasião, a banda de rockabilly Folgatos também se apresenta. Foi com eles que o Blind Pigs dividiu o palco no primeiro show, em 1993.

Legado

Ao lado de Henrike sobem ao palco Gordo e Fabiano nas guitarras, Galindo no baixo e Arnaldo na bateria. Henrike afirma que, ao olhar para trás, o mais marcante é o legado construído pelo Blind Pigs. “Era uma brincadeira de um bando de moleque entediado que resolveu montar uma banda de punk rock e hoje é uma das mais representativas no Brasil”, disse o músico.
Apesar de ter praticamente toda a discografia lançada por selos gringos, o Blind Pigs ainda não embarcou em uma turnê internacional e, segundo Henrike, esse nunca foi um objetivo. “É bacana divulgar nossa música lá fora, mas nosso foco sempre foi o Brasil. A gente canta em português porque nosso lance é aqui e o Blind Pigs é nosso hobbie levado a sério.”

Fãs

Por mais que tenha dado algumas pausas na carreira, o Blind Pigs sempre esteve no inconsciente coletivo dos fãs do punk rock nacional, o que é comprovado pelo público que tem acompanhado os shows dessa turnê comemorativa. “É uma doideira, tem fã que hoje já leva os filhos, quem era muito novo quando começamos e hoje está na casa dos 16 anos também tem comparecido. Bizarro isso”, afirmou o vocalista Henrike.

Evolução

Por ironia do destino, mesmo com 20 anos de serviços prestados ao punk rock nacional, o Blind Pigs ainda é atração inédita em muitas cidades, como Uberlândia. Sinal de que o mercado não seguiu o mesmo ritmo da evolução da banda. “Tem produtor local que não dá valor para bandas nacionais. Não temos conseguido levar nosso show a Belo Horizonte, nem a Porto Alegre, por exemplo. Muitos promotores oferecem um cachê que não cobre nada, mesmo com garantia de que a casa vai encher. É uma pena não ter uma rede maior de produtores independentes”, disse Henrike.
Não que a banda faça questão de luxo. Preza pelo justo. Afinal, quem não se preocupa com uma estrutura decente não demonstra respeito ao público. E quem primeiro deve valorizar o próprio trabalho é a banda. “Para que este cenário melhore é preciso mais imposição por parte dos músicos”, disse Henrike.

Capitânia

Depois de seis anos sem gravar, o Blind Pigs retornou ao estúdio e presenteou os fãs com o CD “Capitânia” (R$ 22, Sweet Fury Records), também disponível em uma tiragem limitada de 250 cópias em vinil de 10 polegadas, cor transparente (Zona Punk), disponível apenas nos shows.

 


Giro Indie

Ufuzuê

No início desta semana, foram selecionados os aprovados no edital do UFUzuê, da Universidade Federal de Uberlândia (UFU). Em breve serão divulgadas as datas e atrações de música, teatro e dança para os campi. A convite da Diretoria de Cultura participei da seleção das bandas ao lado de Jorge Henrique Murati – músico e professor do Conservatório Cora Pavan Capparelli- e Cássio Ribeiro – técnico de som do Instituto de Artes da UFU. Dos 37 trabalhos inscritos foram escolhidos sete e três suplentes. Como avaliadora, vale aqui um conselho para as bandas e cantores que se inscrevem para qualquer edital. É importante que mandem um material de qualidade e coeso com a proposta do grupo. Muitas vezes o que se lia não correspondia ao que se via ou ouvia. Fica a dica.

4 de maio de 2013 6:11

ETINOCIDIO

Jornalista

“Nunca foi tão difícil entrevistar uma banda.” Foi isso que me disse o baterista da banda punk uberlandense Etinocidio, Heduardo Botelho, pouco tempo depois que cheguei para acompanhar um ensaio deles. Nem de longe foi difícil essa tarefa. Não me incomodou nem um pouco o espaço apertado, a temperatura alta nem os choques da guitarra do Everto Agostinho.

Luxo para quê? Naquele espaço, o Etinocidio improvisou uma sala de ensaios onde originalmente era uma cozinha. Ali, eles têm o que precisam para fazer com que as músicas – árduos gritos contra desigualdade social e as mazelas que corrompem a sociedade – continuem a fluir. Além de Heduardo e Everto, completam a banda o simpático baixista Maxuel e o vocalista Rogério, também conhecido como Verme.

É com essa formação que o Etinocidio gravou, dois dias depois desta entrevista, o segundo CD, que sairá novamente de forma independente e não será vendido, como o primeiro CD também não foi. “Vamos distribuir nos shows para quem comparecer. Ninguém está nessa banda por conta de sucesso ou grana. Emprego a gente tem. O Etinocidio é o nosso jeito de falar verdades que precisam ser ditas”, disse o vocalista.

Apesar das críticas que faz nas letras, a banda, que completa 10 anos em 2013, tem apoiadores. “Os discos só gravamos porque tem quem acredite na gente, só temos um banner bacana por isso também”, afirmou Rogério. O primeiro disco, lançado em 2005, teve cerca de 400 cópias distribuídas durante as apresentações da banda, adepta das coisas simples, porém verdadeiras.

GREEN ROOM

É sob uma luz verde em uma casa no bairro Nossa Senhora das Graças que o Etinocidio faz seus ensaios. Assim, se livram de uma despesa média de R$ 40 para ensaios em algum estúdio. E o espaço não é só deles. “Ensaia muita gente aqui e, sempre que possível, a gente cede o espaço”, disse o baterista Heduardo. Pelas paredes de toda a casa, que eles carinhosamente chamam de “squat”, a arte improvisada aparece em xilogravuras, pinturas e pôsteres dos Ramones. E sempre aparecem os amigos para acompanhar as novidades. “Já chegou a ter cinco bandas ensaiando aqui”, disse Maxuel. Heduardo, na verdade, mora na casa dos fundos, mas passa a maior parte do tempo ali, no espaço sem regras do Etinocidio. Ou melhor, tem uma regra: o barulho não passa das 22h, afinal, eles não querem extrapolar a política da boa vizinhança.

ATRASADO

Divulgação

Em breve, sai o segundo CD da Etinocidio, “O Abismo”. São dez músicas e todas foram mostradas durante o ensaio de quinta-feira à noite para a Novo Som. Uma das faixas aborda um problema cada vez mais sério nas grandes cidades, o crack. “É uma forma de alertar a garotada que vai aos nossos shows, que ouve nosso som, que isso pode acabar com a vida deles”, disse Rogério.

Quando se trata de assuntos como a violência policial, em “Solavanco”, não é difícil ser subentendido. “Nem sempre as pessoas entendem que ali não tem uma crítica aos policiais, a crítica é à repressão em si”, afirmou o vocalista.

 

Giro Indie