Tiros no pé
Na verdade foram 2 os tiros que recentemente alcançaram os pés de ministros do STF, quase abalando os alicerces da instituição: os de Lewandowski, quando alardeou com antecedência, já para preparar os espíritos… que algumas penas dos envolvidos iriam prescrever. E os de Cezar Peluso, que usou do espaço de leitores no Estadão para explicar a justeza inexplicável de seu “voto de Minerva”… e aproveitando a ocasião para, com sutil juridiquês, intimidar o jornal e o jornalista João Bosco Rabello porque o ministro não gostou da interpretação que ele deu num seu artigo sobre o voto decisório que permitiu o retorno de Jader Barbalho ao Senado.
Ambas manifestações só serviram para jogar gasolina nas brasas em que, normalmente feneceriam os assuntos… No que se refere ao assunto mensalão, o resultado foi bom, pois Peluso resolver interferir no sentido de agilizar o processo que “poderá” ser julgado em maio de 2012, caso os réus não inventem uma liminar que protele o mesmo para que assim, finalmente, prescreva de vez. Já quanto ao assunto do voto de Peluso pró Jarbas… deu chabu… pois no meu entender o ministro, com a ajuda de seu colega de toga, Marco Aurélio de Mello, reagiu no mesmo dia atacando, mas atacando como? Tirando, através de uma liminar, os poderes do CNJ de investigar magistrados suspeitos… Como se vê, liminares são instrumentos muito úteis, mas que infelizmente também podem ser usados como objetos perfurantes no corpo já da democracia.
Mara Montezuma Assaf
Proffessora – montezuma.scriba@gmail.com
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