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19/06/2012 9:11

Luiz Fernando Quirino

Fui visitar o Luiz Fernando no Bom Pastor. Ele estava quietinho lá, deitadinho no fundo da cova com aquele sorrisão franco na pequena lápide que indicava quem era o infeliz que estava ali. Infeliz? Talvez não, quem sabe? Fiz uma oração. Não sei se os altos corpos celestes aceitaram – coisa de pecador impenitente. Mas foi o meu carinho. Disse-lhe um tchau e pensei: gostaria de ser como você, tirando alguns excessos. Tinha um estopim curto demais.

Certa vez escreveu uma crônica que ofendeu alguém. Era um cara importante. Disse que ia dar um tiro nele. O Quirino soube e foi rondar o Café Imperial, aonde o cara ia. Quando o desafeto chegou, emparelhou com ele no balcão: “Você disse que ia dar um tiro em mim. Tô aqui. Pode dar.” Deu? Eu queria ser assim, mas nem tanto. Não sou.

E quando fomos procurar o Aryzinho lá no Coliseu? O Luiz foi entrando numa sala onde um segurança não permitia. Quando se interpôs, o Quirino deu-lhe um empurrão e meteu-lhe um palavrão nas fuças que o grandão quase desmaiou de susto. Éramos dois velhinhos. Eu queria ser assim. Não sou.

Eleições. Amigo do Tenório Cavalcanti (que loucura, sô!), pegou um ônibus, rodou que nem um louco noite adentro e foi votar de manhã no amigo, o homem da “Lurdinha”, o homem da capa preta. Não pôde. A lei tinha mudado e, pela primeira vez, o Quirino não votou. Eu queria ser assim. Não sou.

Ele me dizia com aquela franqueza (eu queria ser assim!) que o marcou: “você não é meu amigo, você é meu companheiro”. Depois que o “companheiro” Marçal Costa se foi, o cara na imprensa que mais me incentivou e me ajudou foi esse “companheiro” Quirino. Me levou para todos os jornais em que trabalhou. Reconhecendo meus estudos sobre a história da música, fez comigo uma reportagem de capa de um suplemento do CORREIO de Uberlândia com a minha triste cara ocupando todo o espaço colorido da primeira página e o título: “Antônio Pereira Música da Silva”.

Um dia, visitando outro companheiro, o dr. Jerônimo José Alves, ele abriu um armário e puxou o velho suplemento do CORREIO com o meu carão na capa e me mostrou. Também gostava de mim.

Entrevistou-me em todas as emissoras e programas onde trabalhou. Companheirão. Rodamos por aí. Discutimos (quem não discutia com ele?). Trocamos farpas e acordos sobre a história da MPB. Do período em que trabalhou em rádio e TV, uns 50 anos, por aí, ele sabia tudo. Que memória (eu queria ser assim)! Até das letras das músicas ele se lembrava.

Ah… Não vou falar mais nada, não. Olha, Luiz, daqui a pouco apareço por aí. Receba-me com aquele sorrisão da lápide. Dê-me um abraço. Sei que você gosta de mim. Se não gostasse, fecharia a cara e me perguntaria: “Que cocê veio fazer aqui?” (eu queria ser assim).

Antônio Pereira da Silva
Jornalista
Uberlândia

Comentários (4)

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  1. Aninha B. Martins disse:19/06/12 11:07

    Parabéns para você, nosso estimado amigo Mario Borges, rogando que as bênçãos de Deus protejam o seu caminho.

    Apesar de você não gostar de comemorar as primaveras, julgando-se no outono da vida,(risos) aqui vai o nosso carinho nesta ocasião tão calorosa quanto os dias mais quentes do Verão. Felicidades!
    Abraços e Feliz Aniversário!

    abraços.

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  2. Mário Borges disse:20/06/12 11:06

    Olá Antonio Pereira, o Grande Quirino fazia parte da famosa mesa um do Praia Clube ,era amigo de todos lá e em especial do Cicero Naves, faz falta.

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  3. Núbia Mota disse:22/06/12 11:13

    Os textos do senhor, seu Antônio, têm tanta vida, mesmo quando falam de pessoas que já se foram. É como se nos transportasse para aquele momento exato. Tive a chance de conhecer o Quirino nos meus tempos de estagiária na TV Paranaíba. Mas como eu era muito nova e inexperiente, ficava receosa com aquele jeitão dele. Ele parecia tão bravo (risos). Não tive a oportunidade, nem a maturidade de me aproximar. Uma pena!
    Hoje recupero o tempo perdido lendo as crônicas e textos do senhor…e pedindo socorro sempre, porque a inexperiência continua, mesmo eu não sendo mais uma estagiária de 17 anos. Como diz meu avô de 92 anos, vivemos aprendendo e morremos sem saber nada.
    Sou grata por ter no meu convívio pessoas como o senhor. Obrigada por me ajudar. Muita vida e saúde!

    “Se todos fosse iguais a você…que maravilha viver”.

    Núbia Mota
    Jornalista

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  4. Joao Roberto spini machado disse:24/06/12 9:03

    LUIZ FERNANDO QUIRINO,FOI UM GRANDE HOMEM DE IMPRENSA,EM MINAS GERAIS E UBERLANDIA.PENA QUE NAO TEVE UMA DESCENDENCIA JORNALISTICA A ALTURA DELE.FAZ FALTA…

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