Celso Machado

Um jeito de ver gente

Papo Geraes A coluna é publicada aos sábados no CORREIO de Uberlândia

19/02/2011 6:00

Sentir Raiva

jornalista

Tem pessoas, e infelizmente não são poucas, que trazem e cultivam tanta raiva dentro de si que têm raiva de tudo e de todos. A cada momento mudam e elegem o alvo de sua ira, de seu rancor, de suas mágoas, colocando para fora ressentimentos cultivados nas sombras de relacionamentos com quem nunca esteve atento a isso.

Para elas, tudo que acontece de errado, tudo que não dá certo em suas vidas é culpa de alguém. Normalmente, dos que estão próximos ou dos que lhe são próximos. E se estes ainda são pessoas bem- sucedidas, que conquistaram espaço, sucesso ou projeção em suas jornadas, a raiva ainda se torna maior. Nada as irrita mais do que verem aqueles com quem convivem ou conviveram se darem bem na vida.

Tão concentradas e focadas estão em colocar nos outros a culpa e responsabilidade por seus insucessos, que não tiram proveito nem aprendizado daquilo que aconteceu em suas jornadas.

Não procuram analisar e refletir sobre o que não deu certo. Sobre eventuais equívocos e erros que cometeram. Sobre suas limitações e imperfeições. Sobre suas deficiências. Sobre o que precisam aprender e aprimorar.

Simplesmente se eximem da responsabilidade que têm sobre a consequência de seus comportamentos, sobre seu próprio papel, sobre seus gestos e atitudes e pelas conseqüências e resultados deles.

Preocupados em culpar os outros deixam de burilar a si próprios. De assumirem a rédea de suas vidas, de conduzirem seus destinos em função do modo como se comportam. Dedicam tanto a fomentar o sentimento de raiva, que são incapazes de se enxergar.

Não entendem que ao se abastecerem de rancor deixam de se abrir para cultivar aquilo que vale a pena: a capacidade de evolução e melhora que cada um possui. O maravilhoso dom que Deus deu a cada de um de ser o condutor de suas próprias vidas. De assumir a direção e o rumo que desejarem.

Pessoas assim não criam relacionamentos, até porque não os cultivam. Não criam vínculos de valor porque não estão de verdade relacionando no intuito de compartilhar, apenas e tão somente no de usufruir, de ganhar, de usar. Quem sente raiva tem um sentimento tão ruim que faz mal tanto a quem é alvo do seu direcionamento como também a seu próprio emissor.

Todas as pessoas que nutrem isso deveriam aprender, enquanto há tempo, enquanto podem construir e manter relacionamentos sustentáveis, que se existe uma raiva que possa valer a pena e fazer sentido na vida: é a raiva de ter e sentir raiva. De alguém, de alguma coisa, de qualquer circunstância…

Comentários 0

Ao enviar suas informações de registro, você indica que concorda com os Termos do serviço e leu e entendeu a Política de Privacidade do site do Correio de Uberlândia. Só serão liberados comentários cujos autores estejam identificados por nome e sobrenomes e que não contenham expressões chulas e/ou palavras de baixo calão.