Celso Machado

Um jeito de ver gente

Papo Geraes A coluna é publicada aos sábados no CORREIO de Uberlândia

12/03/2011 11:39

Riqueza Verdadeira

jornalista

Conheço e convivo com duas pessoas absolutamente distintas, mas que têm algo em comum, que no fundo é o que todos nós gostaríamos de conseguir. Um é muito bem sucedido, empresário de diferentes negócios e dono de um patrimônio invejável. Tem acesso ao que há de melhor e, com freqüência, usufrui dessa condição conhecendo diferentes lugares e curtindo excelentes programas.

O outro, pelo contrário, é quase seu oposto. Tem uma situação financeira muito regrada, vive com certa dificuldade e nunca foi bem sucedido nos seus empreendimentos. Por mais que tenha tentado e ainda o faça com dedicação, perseverança e fé, não consegue sucesso. Talvez fruto de escolhas erradas e de uma convicção que o leva a insistir num segmento complicado e pouco compensador.

Essa diferença tão grande entre duas condições de vida, oferecem, no entanto, uma analogia muito válida e sempre oportuna sobre o conceito de riqueza. Ambos possuem uma riqueza invejável: amam e são amados. Quem prestar atenção no sorriso, na alegria, no carinho e não no entorno, não notará diferença entre eles. Até porque têm outra característica comum: a simplicidade.

Cada qual com sua condição financeira, mas ambos felizes porque têm parceiras que os respeitam, apóiam, tornam suas vidas mais encantadoras pelo amor que nelas acrescentam. Não que o dinheiro não seja importante nem proporcione conforto, segurança e acesso a prazeres, saúde, conhecimento e tudo mais. Mas o que torna uma pessoa feliz, o que proporciona riqueza de verdade na sua vida é amar e ser retribuído.

Pode ser e faz todo sentido numa etapa da vida dar prioridade na ambição de possuir mais dinheiro. Mais posses, fortuna material. Se isto for durante uma etapa na vida, vai lhe fazer bem porque a ambição é que move o ser humano. É o que estimula, excita e provoca sua criatividade, sua força. O que o leva a ter motivação para fazer mais.

O problema é quando a pessoa se torna obcecada pelo desejo de ter mais, de possuir mais, de ganhar mais. E faz da riqueza financeira a razão maior de sua existência.

Com isso, por paradoxal que seja, vai ficando cada vez mais distante da riqueza que todos almejamos, que é a riqueza de ser feliz. Pobre gente rica que tem tanto, mas que não tem o mais valioso, o amor da pessoa querida.

Estou longe de ser uma pessoa financeiramente abastada, mas construí um patrimônio razoável, o que me dá uma certa qualificação para afirmar que, por mais difícil que seja, ganhar dinheiro é sempre mais fácil do que conquistar e manter o amor da pessoa querida.

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