Viver é o que mantém a vida viva
Aos 28 anos com todo vigor da idade, praticante apaixonado por futebol de salão recebi um baque quando me preparava para uma singela operação de vesícula. Ao fazer os exames prévios de rotina foi constatado que tinha um problema cardíaco congênito, uma hipertrofia do septo comumente denominado “sopro”. Uma deficiência que submetia o coração a falhas no bombeamento do sangue quando submetido a esforço intenso. O histórico familiar com uma irmã falecida aos 18 anos, provavelmente por um quadro parecido, não era nada animador. O médico que diagnosticou essa anomalia foi ainda mais alarmante: eu devia eliminar a prática desportiva da minha vida, mudar radicalmente de hábitos e tomar uma série de outras precauções.
Recebi a notícia e as recomendações como uma paulada. Tranquilo como a vida me fez, fiquei refletindo sobre como poderia ser minha conduta dali para a frente. Eliminado o futebol, minha prática esportiva predileta, considerei me dedicar a outra que para mim era igualmente fascinante, a pescaria. Só que fiquei pensando, como não podia fazer grande esforço físico deveria usar sempre uma linha mais fraca. Só que ainda assim corria sempre o risco de pegar um peixe maior. Nesse caso, refleti: o jeito vai ser carregar um canivete e cortar a linha. Só que talvez isso não fosse suficiente, pois o médico também me recomendara não ter emoções fortes. Isto soara quase que como uma sentença de morte: como um pretenso poeta viver sem grandes emoções?
Naquele momento compreendi que a vida não acaba só quando cessam os batimentos cardíacos, ela começa a acabar quando deixamos de viver aquilo que é verdadeiramente relevante para nós: nossos desejos, nossos sonhos, nossas realizações, nossas emoções. Compreendi que por isso morremos todos os dias quando deixamos de viver aquilo que nos motiva e dá sentido a nossa vida.
Depois disso, enfrentei uma cirurgia cardíaca, passei também pela de vesícula e muitas outras adversidades, casei e tive filhos, dei continuidade a minha vida com todas as aspirações que me motivam, jogo e pesco até hoje e por aí afora. Entre viver sem o que dá sentido a vida, optei por viver tudo que me motiva a viver.
E sobretudo estimulo e vivo minhas emoções. Não me envergonho de manifestá-las, mesmo que muitas vezes para alguns dito mais sérios, isso possa sugerir pieguice.
Como se gostar e manifestar esse sentimento não possa ser considerada uma atitude séria. Afinal, penso que vivemos pelo que amamos e para quem amamos.
Pode ter alguma coisa mais importante e relevante do que isso?
Como por exemplo expressar sempre e também em datas especiais como no Dia dos Namorados nosso sentimento para a pessoa que amamos, com quem compartilhamos nossa jornada e que é fonte de nossa inspiração.
Prefiro ser considerado piegas do que deixar de falar para quem amo o quanto ela é importante na minha vida. O quanto me inspira, motiva e energiza. Que a cada dia ela para mim é mais bonita, atraente e sedutora.
Que por ela, mais do que pelo futebol e pescaria, do que pelos cargos e conquistas, tem valido a pena viver…
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