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Celso MachadoPapo Geraes

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Celso Machado A coluna é publicada aos sábados no CORREIO de Uberlândia

18/06/2011 8:19

Crônica – Envergonhado

Tem coisas que nos deixam envergonhados. Constrangidos mesmo, ainda que muitas vezes não estejam diretamente ligadas conosco. Porque certos comportamentos e atitudes extrapolam a relação direta das partes envolvidas.

Por exemplo, ter que pedir para uma pessoa que está falando exageradamente alto num ambiente público para diminuir o tom porque está incomodando os outros.

Também ver alguém interromper o outro quando este está falando, demonstrando claramente que o interlocutor só tem utilidade para ouvir não para falar. Talvez pior ainda seja quando percebemos um olhar de indiferença e distanciamento durante uma conversa, que sugere um desprezo total pelo outro.

Ou quando vejo uma autoridade dar “uma carteirada” extrapolando o poder que lhe é atribuído, se colocando numa posição de superioridade sem respeitar justamente aqueles que lhe outorgaram essa condição.

Sinto vergonha quando vejo um motorista furando a fila no trânsito para se postar descaradamente na frente de todos. E ainda quando se porta como “dono da rua” fazendo ziguezague à sua frente, buzinando ou dando sinal de luz sem respeitar as boas normas de condutor.

Mas fico envergonhado mesmo quando vejo (o pior é que isto se tornando meio rotineiro aqui em Uberlândia) alguém de carro jogar latinha vazia, embalagem ou papel na rua. E quando ouço o som estridente de certos veículos cuja intensidade chega a fazer palpitar mais forte nossos batimentos e agride no limite nossos tímpanos.

E quando você vai a um bar ou boteco e tem que pedir para uma pessoa que está com a perna esticada em outra cadeira para baixá-la para permitir sua passagem?

E numa festa o avanço para ocupar uma mesa, para se servir primeiro, para pegar os tão cobiçados docinhos ainda mais quando a pessoa coloca no bolso ou faz uma sacolinha para pegar uma quantidade maior?

Fico constrangido quando estou num evento em que outros chegam atrasados e começam a perturbar o ambiente querendo arrumar lugar, reclamando em voz alta e triste, falando ao celular em voz alta. E uma série de outros comportamentos onde a pessoa não respeita o ambiente em que se encontra e principalmente os demais que como ela também tem direitos.

Sinto vergonha quando vejo alguém sendo deselegante seja com quem quer que seja. Porque entendo que a gentileza deve ser uma conduta permanente. Claro, que muitas vezes tanto os outros certamente como nós, provocam gestos deselegantes por descuido, involuntariamente ou por algum outro fator maior.  Até mesmo por uma infelicidade de um descontrole momentâneo. Mas não são a esses que estou me referindo e sim àqueles que consideram que o mundo é só deles. Que legislam em causa própria, que se comportam com ganância, que não respeitam os outros, que não oferecem as mesmas condições que buscam usufruir. Que não respeitam regras e normas de bons comportamentos. De solidariedade.

Ainda que o gesto seja do outro nos envergonha porque demonstra uma falta de civilidade que acaba nos envolvendo porque somos parte do todo da qual aquela pessoa faz parte. E porque muitas vezes quando fazemos uma intervenção, essas “figuras” ou ficam aborrecidas ou acabam sendo agressivas e mais grosseiras ainda…

Pena que isto aconteça freqüentemente. E acompanhada da desculpa esfarrapada da urgência como prerrogativa para justificar o que não passa de grosseria e egocentrismo.

Sinto vergonha e fico constrangido sim. Até mesmo de ter que escrever sobre isso.

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