Perder um amigo
Seja por que motivo for, pelo que representa e acrescenta em nossas vidas, perder um amigo é motivo de tristeza. Perdê-lo por morte acrescenta o fato de a perda ser irreversível, de cessar um relacionamento que nos é tão precioso. Nestes tempos de convívios superficiais, de pouca convivência afetiva, de predominância dos interesses e conveniências, um amigo é uma das riquezas que possuímos.
Toda pessoa é única, cada amigo tem um sentido em nossas vidas. Alguns são mais ligados às nossas atividades profissionais, outros, ao convívio pessoal. Uns são orientadores ou apoiadores, outros, companheiros e companhia. Há aqueles que são mais ligados às nossas atividades de lazer, outros, companheiros de acaloradas discussões, outros são solidários, estão conosco para tudo e em tudo. Outros nos acompanham mesmo a distância e, mesmo não estando frequentemente com eles, quando os perdemos sentimos a importância que tinham para nós. Todos eles são importantes em nossa existência.
Quando perdemos algum, se abre um vazio, um buraco em nossas vidas que, em muitos casos, nunca mais é preenchido. Sinto isso em relação a alguns amigos que se foram e continuam especiais em minha vida.
Amigos como Alemão, Ulisses Finotti, Cícero Naves, Massachika, Oyama, José Maria, Marcos Sahium, Zé Butão e outros que no momento me fogem à memória. Recentemente, perdi um amigo cuja morte me marcou de forma diferente, porque foi uma pessoa com quem convivi, quase que diariamente durante minha juventude, o Haroldo Cezar Neves. Estávamos sempre juntos, nos rachas de futebol, nos botecos, no Praia Clube. Era a turma do “Dgenas Paps”, que se reunia, religiosamente, e não era só para jogar bola.
O Haroldo sempre brincalhão e irreverente suportava com bom humor nossas brincadeiras relativas à sua pequena estatura. Com ele, conheci e fiz amizades com as famílias de seus pais, Tita e Juca, com as quais, apesar de hoje me relacionar menos, tenho o maior afeto e consideração.
Pena que Haroldo abandonou cedo os rachas, o que diminuiu a frequência de nossos encontros. Além dos contatos em função do serviço de seguro que ele prestava, o encontrava no Cajubá, uma das paixões de sua vida. Sei que ele, como era uma de suas expressões, gostava de mim com força. Porque eram frequentes suas ligações para comentar meus textos desta coluna, sua disponibilidade para me atender.
Estive com ele em abril quando descobriu que sofria de diabetes. Foi nosso último encontro. Depois seu quadro clínico se agravou e complicou e só fui vê-lo no velório de uma forma que não lembrava em nada o Haroldo com quem convivi. Sua morte me chocou pelo que ele representava para mim, pela estima e amizade que me dedicava e por uma certa frustração.
Estou muito longe de entender as razões da vida e da sua duração, mas fiquei com a sensação de que Haroldo partiu antes de completar sua jornada. Antes de ter concluído sua obra. De ter saído de campo antes de ter terminado seu jogo.
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