A eleição que não tem candidato, mas tem vencedor
Estamos praticamente há um ano das eleições para definir e apontar quem será o novo prefeito de Uberlândia. Embora dois nomes surjam com maiores chances de serem candidatos, um pelo lado da situação e outro pela oposição não temos ainda nenhuma candidatura formalmente anunciada. Só especulação e conjecturas.
Neste cenário de indefinição, em que o pleito está longe e os candidatos ainda não estão apresentados, penso que já existe um vencedor. Um protagonista que em todas as eleições sempre foi importante, mas nesta assume uma relevância fundamental, o tal do “se”.
A começar pelo “se” o candidato da situação será fulano. “Se” o candidato da oposição será beltrano. E “se” vai haver uma terceira candidatura, de quem será, qual papel vai ter para evitar uma polarização. De que lado vai estar. E o “se” é importante também para saber quais alianças vão ocorrer, de que lado partidos que têm um bom tempo no horário político vão ficar.
Outro aspecto em que o “se” será crucial e “se” um certo candidato vai ter o apoio incondicional e decidido de determinada liderança política. Porque “se” ele sair para a rua levando seu candidato a tiracolo e o apresentando como seu sucessor ideal essa aliança ganha uma dimensão próxima de ser considerada imbatível.
Agora “se” o outro tiver todo apoio, suporte e aval das mais carismáticas figuras políticas do país, e for ele quem vai receber essa mão no ombro e o suporte na disputa corpo-a-corpo a coisa muda. Também “se” a eleição em Uberlândia, além de uma disputa municipal se transformar numa disputa entre o governo do Etado com o Federal, o cenário fica bastante diferente. Mas, “se” essas influências e participações forem reduzidas, a disputa muda de dimensão.
E há outras vertentes para serem consideradas: “se” o eleitor local vai se deixar influenciar por apoios recebidos ou “se” vai focar exclusivamente no perfil dos candidatos.
Uberlândia que tanto crescimento vem conquistando nos últimos anos, atraindo uma população de fora que não tem tanta ligação com as tradições e história da cidade, torna toda eleição uma incógnita. Porque Uberlândia não é mais uma como foi no passado, mas muitas. A da gente daqui, nascida ou não, mas que a escolheu para amar e viver e as outras que já têm a maioria da população, constituídas por quem aqui está por razões muito mais racionais do que emocionais.
Daqui para frente, quando os fatos começarem acontecer e os nomes dos candidatos foram apresentados, o “se” vai começar a apontar as reais chances de cada um. A questão, portanto, está no “se”. Se o “se” vai acontecer ou não. E “se” acontecer com qual intensidade. O problema é que o “se” não é candidato…
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