Investindo no Patrimônio Pessoal
Faço sempre questão de deixar claro que não sou psicólogo nem terapeuta, não tenho conhecimento nenhum da área, mas gosto de fazer observações sobre comportamento. Sobre o lado humano do ser. E, sobretudo, como as pessoas têm uma capacidade incrível de criar armadilhas para as próprias vidas.
Ao longo da minha trajetória na qual exerci diferentes cargos e tive oportunidades maravilhosas de aprendizado notei como quase a totalidade das pessoas investe mais no seu crescimento e projetos profissionais do que num plano de vida pessoal.
O paradoxo é que num mundo de atitudes cada vez mais egoístas o ser humano não quer o melhor para si, mas aquilo que o promova e o coloque acima dos outros. E com isso acaba se tornando seu principal predador.
Nos ambientes profissionais é comum a reclamação do exagero de atividades, de tarefas e compromissos, de não ter tempo de cuidar da família, do lazer, de outras atividades. E muitos diante de uma situação de conflito, colocam o relacionamento familiar em segundo plano.
Não é que as críticas não tenham fundamento, o que a pessoa não percebe ou não tem coragem de assumir é que muitas vezes dedica mais a empresa do que a família, porque não tem um ambiente saudável em casa. No trabalho tem o prazer do cargo que lhe dá poder, que muitos confundem com mandar e em casa o relacionamento não é regido por níveis hierárquicos nem por delegação de poder. É por estima, afeto, exemplo e verdade.
A desculpa verdadeira que é o pior tipo de desculpa, de que a dedicação intensa à carreira é por um tempo, para construir riqueza, para oferecer melhores condições para a família é questionável. Poucos têm a coragem de perguntar em casa o que as pessoas, especialmente o cônjuge priorizam: se o conforto do dinheiro ou a energia pura do carinho verdadeiro.
Porque bens se compram, têm valor, mas o preço de conquistar e compartilhar afeto exige investimentos mais delicados. Chega uma hora do casal em que os filhos vão seguir suas vidas e o que eles têm para desfrutar é o relacionamento de afeto que construíram.
E aqueles que acreditam que o afeto que não foi dado ontem pode ser dado hoje ou a qualquer hora correm um risco danado de quebrar a cara. Achar que as pessoas estão sempre disponíveis a nossa espera pode ser um erro capital. Da mesma forma que quem descuida do corpo, quem não cuida das relações de afeto paga um preço caro por isso.
Porque chega uma hora em que a pessoa pode até ter muito dinheiro, mas perde o poder do cargo, perde outros poderes, perde parte das belezas físicas, perde a influência, perde uma série de outras coisas.
Ela só não perde as relações verdadeiras de afeto que construiu. Não perde aquilo que faz dela uma pessoa rica na vida dos outros. Este sim é o seu mais valioso patrimônio pessoal.
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