Celso Machado

Um jeito de ver gente

Papo Geraes A coluna é publicada aos sábados no CORREIO de Uberlândia

2/06/2012 7:01

A diferença nada sutil entre falar e fazer

jornalista

Acho que é natural do ser humano uma certa tendência à crítica, ao julgamento, a avaliação. E a preferência para ser mais enfático nos comentários do que fazer as coisas como sugere ou defende.

Assistindo a uma palestra de um notável ex-ministro aqui em Uberlândia há bastante tempo ouvi uma resposta que não vou esquecer jamais. Depois de uma explanação brilhante ele foi arguido por uma pessoa da plateia porque não havia implementado aquelas ideias que acabara de defender quando era ministro.

Ele sorriu e com seu humor sarcástico respondeu: uma coisa é ter ideias e outra, implantá-las. Da mesma forma a liberdade e inconsequência de falar como palestrante é bem diferente de agir como ministro. Ele continua como colunista e palestrante e nunca mais voltou a ser ministro.

Por isso, e talvez haja muito preconceito nisso, tenho uma certa precaução com quem é sempre crítico. Crítico ferino que aponta falhas, mas não propõe, não apresenta alternativas factíveis e principalmente não as pratica.

Claro que a divergência acrescenta. Que é na discussão e no conflito que aumenta nosso conhecimento, que somos abastecidos por pontos de vista que podem estar passando desapercebidos.

Não é a estas críticas que me refiro, mas a de quem não faz e não acrescenta. E quem tem sempre uma capacidade mais acurada em olhar defeitos nos outros do que analisar, enxergar e tentar corrigir os seus próprios.

Isto me faz avaliar antes de qualquer comentário ou observação que venha a fazer se não estou sendo mais um desses de quem quero distância.

Ainda buscando referências na memória me lembro de um ex-coronel que acabara de se tornar relações públicas de uma grande empresa e que chegou ao seu subordinado com um comentário que também não deletei. Disse ele que não era bom para escrever, mas que era ótimo em mexer no que os outros escreviam.

Tamanha sinceridade, para usar um termo mais palatável, criou uma relação de velada batalha entre os dois. Para não ver seus textos modificados toda vez que redigia alguma coisa seu assessor evitava escrever e com isso a competência em mexer do ex-coronel se tornou pouco produtiva.

Acredito que cada vez mais a crítica vai ser ter um papel fundamental nas relações e nas atividades. E terá mais impacto, efeito e contribuição quando for emitida por quem tem autoridade e competência comprovada em exercê-la.

Em quem antes de falar como palestrante pensa como ministro se colocando no lugar do outro e refletindo se seria realmente capaz de assumir as consequências dos palpites e opiniões que pretende emitir.

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