Celso Machado

Um jeito de ver gente

Papo Geraes A coluna é publicada aos sábados no CORREIO de Uberlândia

21/07/2012 7:01

Sobre perdas e preços

jornalista

Toda perda, todo desconforto, seja qual for tem um custo. Tem seu preço. Desde as mais singelas às mais impactantes. Podem ser coisas aparentemente fúteis como o desligamento de uma turma de convívio que pode ser de pescaria, de racha, de happy hour; modificação no corte de cabelo, de planos de uma viagem ou a desistência de uma atividade prazerosa qualquer. De mudança de uma cidade ou de academia. De ir a uma festa ou ficar em casa. De dormir até mais tarde ou levantar cedo. De trabalhar muito ou relaxar mais. A decisão de abrir mão de hábitos regulares para adotar outros mais saudáveis. Como largar de fumar e praticar atividades esportivas. Ou maiores como uma mudança de emprego ou de casa. A venda de um imóvel ou veículo. Pode ser um prejuízo financeiro ou a ruptura de um relacionamento afetivo.

Tudo que provoca mudança irá sempre alterar hábitos, mexer com costumes, obrigar a rever procedimentos e processos. Mesmo que seja para melhor toda mudança gera incômodo e também leva a perdas. Porque temos que abrir mão de rotinas confortáveis em busca do que pretendemos conquistar. Temos que fazer trocas. Temos que abrir mão de comodidades para assumir o novo que por ser novo é diferente. Exige mais esforço e dedicação.

Quem quer manter o peso controlado entende bem disso. Não basta ter vontade se não tiver alteração de atitude. Não se emagrece mantendo o padrão alimentar que levou a pessoa a ter sobrepeso. A perseverança tem que ser forte porque enquanto a tentação é sempre de curto prazo a recompensa, pelo contrário, demora para chegar. E quando chega exige mais determinação ainda. Para se manter aquilo que se conquistou com tanto sacrifício.

Tudo tem preço. Tudo gera uma dívida. Seja ela qual for melhor pagá-la à vista. Como se recomenda também nas transações comerciais porque os juros dos parcelamentos sempre são elevados e aumentam o valor da dívida. Quando não se está em condições de fazer isso é recomendável avaliar com discernimento os desdobramentos possíveis de adiar.

Quanto mais longo for o prazo e a quantidade de parcelas pior porque os valores podem ficar fora de controle e o risco da dívida durar para sempre.

Como na vida tudo é relativo pode ser que protelar e dar um tempo se constitua numa alternativa a ser considerada. Mas é imprescindível avaliar se o tempo vai ajudar ou piorar as condições de pagamento.
O melhor é só fazer dívidas quando se tem condições confiáveis de se pagá-las. E quando não tiver como evitá-las, mesmo que o sacrifício seja alto é sempre recomendável quitá-las no ato. Para que elas não se tornem impagáveis e venham a ganhar proporções imprevisíveis tanto para o devedor quanto para o credor.

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