Celso Machado

Um jeito de ver gente

Papo Geraes A coluna é publicada aos sábados no CORREIO de Uberlândia

4/08/2012 7:43

Mais um adeus

jornalista

Ainda que cada ser humano seja único todos temos uma realidade em comum: estamos aqui de passagem. O que nos diferencia é a forma com que marcamos nossa passagem. A história de vida que cada um escreve com seu jeito, atitude e comportamento.

Mesmo sabendo que toda passagem tenha um encerramento e ainda que isso tenha acontecido num momento de idade mais avançada nem assim deixa de ser sofrida e lamentada. Principalmente quando o seu protagonista escreveu uma história de vida que marcou. Marcou pelo que construiu, pelo significado de sua trajetória profissional, social e humana. Marcou pelo que foi e pelo que deixou. Porque para quem fica, fica a saudade de não ter mais a companhia de quem foi tão companheiro a vida toda.

Valdir Melgaço Barbosa foi uma pessoa assim. Foi um político importante com passagens marcantes pela câmara municipal de Uberlândia ainda numa época em que os vereadores não eram remunerados e cuja única atribuição que o cargo lhes proporcionava era trabalhar gratuitamente pelo desenvolvimento da cidade.

Deputado estadual por dois mandatos teve participação relevante em iniciativas que foram determinantes para o progresso do Triângulo Mineiro e de outras regiões de Minas Gerais.

Exerceu cargos de direção em diferentes instituições e empresas. Desses que fazem as pessoas se tornarem importantes. Mas isso nunca modificou seu jeito de ser. Estivesse onde estivesse era sempre o mesmo. Não mudava o comportamento e muito menos a atenção que dedicava a todos. Era o Valdir de sempre. Descontraído, alegre, brincalhão.

Mas foi no ambiente familiar que Valdir Melgaço construiu os capítulos mais bonitos de sua história de vida. Ali ele foi único na sua forma de ser. Companheiro, pai, amigo. Uma pessoa do bem que, especialmente nos últimos anos de sua vida foi um presente para seu círculo mais próximo de convivência.

Desfrutei do seu convívio desde minha infância. Fui com ele também que tive minha primeira atuação numa campanha política. E, depois ao longo de mais de 50 anos, tive oportunidade de compartilhar de várias etapas de sua vida. Penso que de todas as habilidades que ele possuía uma era especial: ser amigo, ser humano, ser gente.

Tudo na vida é passageiro. Mas nem tudo passa, porque ficam a saudade e as lembranças. No caso de Valdir Melgaço fica a história de vida tão bonita de uma pessoa especial. De uma pessoa que foi importante, mas nunca quis ser importante. Escrita com simplicidade e originalidade. Escrita por quem foi gente.

Comentários 0

Ao enviar suas informações de registro, você indica que concorda com os Termos do serviço e leu e entendeu a Política de Privacidade do site do Correio de Uberlândia. Só serão liberados comentários cujos autores estejam identificados por nome e sobrenomes e que não contenham expressões chulas e/ou palavras de baixo calão.