Catástrofes expõem crises
Senti muito. Este desastre interrompeu vidas, eliminou sonhos e projetos pessoais e de famílias inteiras. Férias é momento de descanso, de confraternização, de sorrisos, de união familiar de novas amizades, enfim, é um momento aguardado por muitos. Quase tudo aniquilado.
Na natureza para toda agressão (ação) se tem normalmente uma reação com efeito devastador. Prometo não falar na “neura” do aquecimento global, pois até agora só conjecturas. Áreas ocupadas sem conhecimento da geologia do terreno, sem conhecimento pleno da hidrografia da região, sem análise e acompanhamento pluviométrico, uma sucessão de falhas. Aqui eu culpo o poder público, diretamente.
A ganância por IPTUs recheados de condomínios luxuosos, um avanço do turismo desenfreado sem se preocupar com infraestrutura, uma busca constante por impostos para “engraxar” a famigerada máquina pública. Aqui eu culpo novamente o poder público. Tudo isso vinha acontecendo nas montanhas fluminenses.
Não tem erro, para cada ação uma reação, e aqui, no caso de Petrópolis, Teresópolis e Nova Friburgo, a tragédia desafiou a física. A reação pela ação desastrosa do homem foi desproporcional. Um monte de ações incompetentes e uma reação assombrosa. Erros e incompetência.
Isso tudo me fez pensar se valeria a pena escrever sobre este assunto sabendo-se que aproximadamente mil pessoas perderam a vida. Foi um acidente, acidentes não acontecem a partir do nada, não acontecem na inércia pura. Acidentes acontecem por uma sucessão de acontecimentos, de fatos, de coincidências, de erros, de inoperância, não é do acaso. Concordo que choveu muito, que o terreno era fraco, construções irregulares, mas é vida gente, é vida.
Deputados falam, vereadores ponderam, senadores dão exemplos, prefeitos decretam “estado de calamidade” (deveriam decretar “calamidade administrativa”), governadores vertem lágrimas – que bom que não estão tão insensíveis – presidenta libera recurso, mais uma vez. Foi assim no ano passado. Parece tudo uma farsa moral, é a imoralidade da inoperante verborreia política nacional. É vida gente, é vida.
No país do cimento, no país de espaços, no país de pedreiros e serventes, no país com vultosas reservas financeiras, no país com uma taxa de crescimento excepcional, ainda vivemos crises no sistema habitacional, está é mais uma.
Todos os anos fazemos as comparações se morreram mais ou menos pessoas em acidentes de trânsito, agora temos que nos perguntar se morrerão mais ou menos no ano que vem, mas agora de desastres naturais, que quase sempre poderiam ser evitados.
É triste, quando se tem recursos, não se tem projetos, quando existe demanda, estão de olhos fechados.
Já elaboraram a receita para enfrentarmos o próximo verão; Tupã chegou – o nosso supercomputador. Farão um mapeamento detalhado das áreas de risco, novos projetos — alguns mirabolantes —, detalharão o processo de prevenção, emitirão avisos de novos tsunamis urbanos, irão treinar (uma vez por ano, a evacuação das áreas de pseudo-risco), enfim uma receita infalível.
Deixo a pergunta no ar: Você acredita nisso?
É vida gente, é vida.
Oswaldo de Barros Junior
Comerciante
Uberlândia (MG)
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Renato s disse:15/04/12 10:35
Moro em Teresópols e vç está cértíssimo pelo menos o povo daquí é explorado ao máximi pelas ganâncias dos ” donos ” desta cidade,infelizmente o resultado está ái.Veio a primeira chuva arrasou o interior nbinguém mudou as atitudes e nem ajudou o pôvo de lá a economia daquí quase ruiu muitos faliram o turista sumiu da cidade que já estava abandonada e ficou semí-destruída com as chuvas,agora novas chuvas nas regiões mais próximas da cidade e mais destruição e ninguém mudou ou aprendeu com isso então a próxima vai destruir a cidade cuja área é 75% ocupada pôr comunidades pobres mas que são de mão de obra barata para os comerciantes,não tem jeito não é melhor esperar sentado pelo pior
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