Mobilidade social
A mudança tecnológica possibilita a observação da mobilidade social no interior do sistema de classes sociais dos indivíduos (intrageracional) e a mobilidade das famílias (intergeracional). Nas sociedades industriais modernas a família e a escola surgem como instâncias fundamentais. A função desses mecanismos é assegurar a permanência da estrutura social no interior do fluxo permanente dos indivíduos que as compõem. A educação de massa é um exemplo de como a estrutura social tradicional foi modificada em seu funcionamento. A evolução tecnológica transforma de forma brutal a estrutura social contemporânea. O Estado de direito democrático funciona como um mecanismo de democratização dessas mudanças tecnológicas intra e inter geracional.
O Brasil com 190 milhões de habitantes tem em serviço 203 milhões de celulares. Densidade média de 107 celulares por 100 habitantes. No mundo são 5,3 bilhões de telefones móveis, com uma população de 6,8 bilhões de habitantes. Ethevaldo Siqueira, no O Estado de São Paulo, Economia, 06-02-2011, B12, prevê que a universalização da comunicação móvel em torno de cinco anos. Acredita que “a humanidade vive a revolução da mobilidade: uso do vídeo móvel e das imagens sobre o texto e a voz na internet”. Em 2015 os 7,3 bilhões de habitantes do planeta usarão mais de 8 bilhões de dispositivos móveis: celulares comuns, smartphones, tablets, netbooks e iPods. A estrutura social está sofrendo uma mobilidade social? Parece que sim. Qual estrutura social está em movimento, em função mudança tecnológica? As estruturas sociais do passado recente estão em conflito com as mudanças tecnológicas.
A novidade é que toda essa “revolução” apresenta diferenças internacionais sensíveis, mas, de alguma maneira ou em parte, todos os países experimentam essas mudanças tecnológicas. O Brasil com sua perene desigualdade social possui “ilhas” de mobilidade social e tecnológica. A evolução dessas mudanças é muito maior nas sociedades desenvolvidas, em função da industrialização, crescimento econômico e o desenvolvimento da educação. As comparações sobre os graus de desigualdade social entre os países possibilitam uma boa aproximação de como ocorrem mobilidade social e tecnológica: é assim que classificamos os países em desenvolvidos e subdesenvolvidos, em todos os níveis sociais. O âmbito e a taxa de difusão de mudanças tecnológicas são impressionantes, no século XXI, nas áreas: bem-estar, engenharia civil, transporte, comunicação e medicina.
O determinismo tecnológico defende que a mudança tecnológica explica mudanças na cultura, na política e na economia. Cada um de nós experimenta dia a dia essas mudanças de maneira particular, resistindo às mudanças do padrão social determinado pela tecnologia. Há vida alternativa às transformações tecnológicas. Talvez seja mais realista afirmar que vivenciamos um interacionismo tecnológico: relação mútua entre mudança tecnológica e social. Crenças e estruturas sociais modificam e restringem o grau de mudança tecnológica. A “revolução da mobilidade tecnológica” de Ethevaldo Silqueira sofre restrições culturais, mesmo alterando, profundamente, as instituições e práticas sociais. O mundo inteiro não é apenas uma reserva disponível para manipulação permanente dos seres humanos por um sistema tecnológico. Não esqueçamos da destruição ambiental causada pela essa mudança tecnológica, juntamente com seu impacto libertador.
João Batista Domingues Filho
Cientista Político e Professor da UFU
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FONSECA disse:08/08/11 5:42
tentem ser mais explicitos com a materia que vcs metem na net por tem muitos estudantes q prescisam dela
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