Programa de ação afirmativa
Entristece-me quando ouço que o Programa de Ação Afirmativa de Ingresso no Ensino Superior (Paaes), da Universidade Federal de Uberlândia, é um programa de inclusão social. Um Edital de Processo Seletivo Seriado que não permite a participação de alunos de escolas particulares? Isso é inclusão social? Por que para incluir alguns há de se excluir outros? Incluir é somar, é adicionar. Mas no processo de seleção da UFU são excluídos alguns para beneficiar outros. Isto é equidade? Isto é justiça social? Ou é apenas o avesso de um mesmo preconceito?
Haveria inclusão se a UFU tivesse continuado com o Programa Alternativo de Ingresso ao Ensino Superior (Paies) e destinado uma porcentagem das vagas a cotas sociais. No edital do Paaes não houve cotas, mas sim todo um Processo Seriado destinado a apenas um grupo de alunos, dentre eles alguns que estão matriculados em escola pública e fazem cursinho pré-Paaes em escolas particulares (basta verificar nos sítios das principais escolas particulares de Uberlândia). Ao contrário do Paies, o Paaes é um programa que nasceu fracassado, com centenas de mandados de segurança questionando a legalidade do mesmo. Isso é inclusão social?
A relação candidato/vaga revela uma discrepância entre o Paaes e o Vestibular. Sem concorrência no Paaes (em alguns cursos não houve um inscrito por vaga) e sem nota mínima para aprovação, somos levados a crer que o sistema de mérito e a necessidade de esforço para entrar na Universidade só existem para o Vestibular.
Nós, que acreditamos que para um futuro promissor é necessária uma boa educação e, portanto a priorizamos, fomos punidos juntamente com nossos filhos, com a substituição do Paies por um programa de exclusão social, o Paaes. Nenhum assalariado neste país matricula seus filhos em escolas particulares sem se sacrificar ao extremo, sem renunciar a muitos planos. E acreditem, não é por escolha que isto é feito. Mas por sinceridade de propósitos, por acreditar que o maior investimento que se pode fazer para um filho é a educação.
Não acredito em cotas de forma nenhuma, mas se a intenção é ”remendar” e não resolver o problema da educação neste país, sugiro a implantação de cotas sociais para os alunos de baixa renda e não necessariamente de escola pública, destinando apenas uma porcentagem de vagas ou a implantação de sistema de bônus no Vestibular e no Paaes, com a exigência de pontuação mínima para aprovação.
A meu ver, a Universidade tem o compromisso de formar profissionais competentes. Se a concorrência da metade das vagas, no início do ano, for apenas entre os alunos de escolas públicas, o quadro de vagas ociosas que estamos presenciando na UFU tende a piorar, visto que mesmo com alunos de escolas particulares inscritos no programa Paaes 2008/2011 (informaram que eram de escolas particulares no ato da inscrição), a relação candidato/vaga foi muito baixa.
Espero que o reitor da UFU resolva essa situação desconfortável para todos nós, que encontre uma saída que não seja prejudicial a nenhum aluno, seja ele rico, pobre, de escola pública ou de escola particular, visto que o mesmo ressaltou a importância do ingresso por mérito, quando em campanha das eleições para reitor da UFU.
Os alunos são “espelhos” da universidade. Uma boa universidade não rejeita bons alunos.
Helena Rodrigues
Mãe de alunos de escola particular
helenabrb@hotmail.com
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Xadem disse:26/02/11 14:55
Dona Helena, com muito respeito me dirijo à senhora, mãe, preocupada com o futuro do seu filho.
Nesse tema, não está em discussão o mérito, está em discussão a igualdade, a justiça.
Sei que ningúem tem nada a ver com a senhora ter condições de manter seu filho na escola particular, mas, temos a obrigação de consertar os erros do passado, onde milhares de pessoas não tiveram oportunidade nem de comer.
Se tens condições de pagar um cursinho, por favor, pague uma faculdade.
Não deveríamos estar nem discutindo isso. Temos mesmo é que acabar com a gratuiddade no ensino superior e implantar um sistema de bolsas eficiente.
Quem puder pagar, que pague. Que não puder, que deixe de ser EXCLUÍDO.
Com todo respeito:
Xadem
sou@xadem.com-
Marcelo disse:03/03/11 10:47
Quando esses esquerdistas queriam reivindicar direitos, agrediam a todos aqueles que eles consideram “elite”. Agora que a “elite” (segundo a hipocrisia deles”) quer reivindicar, vem esse pessoal com esse discursinho “educado”, mas impregnado de preconceito e autoritarismo: “Não deveríamos estar nem discutindo isso”. Antes era permitido discutir, agredir, gritar “Fora FHC” (sustentar golpes contra o estado democrático). Agora, quando uma mãe defende de forma legítima os direitos dos filhos, aparecem esses argumentos pseudo-educados, mas que escondem o autoritarismo dessas ideologias que só sucateiam a educação para dominar cada vez mais.
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Jorge Graciliano Rosa Machado disse:26/02/11 16:22
A solução do problema é muito simples: sair da escola privada e ir para a escola pública! Assim o aluno poderá concorrer a uma vaga na UFU pelo paaes, a família economizará (a escola pública é gratuita) e, o mais importante, a convivência com de jovens de todas as classes sociais ensinará ao aluno o que é ser cidadão.
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Ana Flávia Borges Paulino disse:02/03/11 8:50
ótima carta!!! concordo em todos os termos!
lembro que todos tem igual direito de acesso à universidade pública. TODOS pagamos impostos e não é porque tenho condição de pagar ou não escola particular a meu filho que não posso dar a ele o direito de concorrer em igualdade ao ingresso em uma universidade pública. Parem de ficar pedindo “esmola” de vaga, lutem por uma escola básica de melhor qualidade e deixem a universidade pública para livre e igualitário acesso de todos com um processo seletivo igual, impessoal, de livre e ampla concorrência seja para quem for. Me formei na UFU, estudei em escola particular com grandíssimo sacríficio de meus pais. Não criem o estereótipo de que quem estuda em particular é filhinho de papai pois esta não é a verdade. Não deve ser o Brasil um “país de todos”?? PAAES para todos, seja de onde vierem os alunos, é o justo, é o certo!! -
Andressa disse:02/03/11 21:58
“Nesse tema, não está em discussão o mérito”. Isso é piada né? Pensem antes de fazer comentários criticando cartas como essa. E estudar em escola pública não significa ser pobre! E o contrário também vale, pois fiz o ensino médio inteiro com bolsa de estudos em escola particular, desejando aumentar minhas chances de entrar em uma boa universidade. Aí de repente, quando estou no meio do primeiro colegial, a UFU divulga que eu não poderia fazer a prova! Nem se eu quisesse daria tempo de me matricular em escola pública, uma vez q a UFU só aceita alunos que estudaram desde o ensino fundamental até o médio inteiramente na rede pública. Isso é justiça?!
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Olinda disse:06/03/11 12:08
A universidade se constitui no tripé: Ensino, Pesquisa e Extensão. Enquanto Ensino e Pesquisa ela tem que ser isenta de cor, raça, classe social ou qualquer variável que estabeleça diferenciações. Tem que primar pela excelência e qualidade. Por que não diminuir discrepâncias sociais através da Extensão e promover igualdade de conhecimento?
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Jorge Graciliano Rosa Machado disse:13/03/11 16:20
Por que não ter apenas escolas públicas? Toda a sociedade ganharia com isso.
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Aparecida disse:19/03/11 10:24
É isso aí Jorge Graciliano, seria ótimo para todos nós se tivesse apenas escolas públicas de boa qualidade, aliás esse é o papel do Governo. Assim todos teriam a mesma condição de concorrer as vagas nas Universidade Públicas, sem precisar esperar por uma “vaguinha”.
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Luísa Damião Anjos disse:07/03/11 11:37
Acredito que é uma grande injustiça privar alguns alunos de participar do processo seletivo de ingresso na UFU… ainda mais os alunos bem preparados!
Também concordo que necessita-se uma igualdade, uma justiça, mas não é só pra um parte envolvida; é para TODOS.
Pra mim, o que é mais injusto, é ‘proibir’ um aluno que passou no processo, e não PODE estudar! Acho isso uma vergonha para qualquer universidade!! Não aceitar um BOM aluno, que se tornaria um ótimo profissional, e além de não aceitá-los, ainda preenchem suas vagas com alunos de mérito bem menor, que em muitas vezes não vão conseguir nem cursar toda a graduação…
Não estou falando que alunos de escolas públicas são incapacitados, mas não são preparados da mesma forma que os outros alunos, privilegiados.
Além de uma nova forma de ingresso na UFU, precisa-se também em mais investimento na educação pública, pra quem sabe assim, todos possam concorrer juntos e sem injustiças. -
Linekeer Dias da Silva disse:22/10/11 10:59
Estou satisfeito com a proposta sugerida pelo PAAES. Acredito que se uma mãe tem escalão para pagar uma escola particular isso de forma alguma privaria seus filhos de conseguirem ingressar no ensino superior. Já que uma das portas de entrada foi fechada para a “elite social” de Uberlândia que partam para o ENEM. Mesmo que não consigam bolsas integrais, o que contradiz o discursinho de alguns de que viriam a ser bons alunos, os mesmos teriam dinheiro suficiente para pagar uma parcela significativa do curso que viabilizam. Quando optam pelo ensino particular em vez do público devem ter em mente que uma vaga em uma faculdade federal também é de punho público. Se estudaram em uma escola particular a vida toda, menosprezando e reconhecendo as falhas da rede pública de ensino, que optem também por uma faculdade particular. É um tanto quanto dogmático pretenderem concorrer com um aluno de escola pública na hora de ingressar em uma faculdade federal. Alunos assim acreditaram na educação pública desde o começo (ou em outros casos só tiveram uma opção) e agora vão ter essa escolha reconhecida com o PAAES. Lembre-se jamais poderemos colocar um aluno de escola particular frente a um de escola pública e compará-los. A diferença é grotesca. Porém, os que vão compor vagas de cursos muito almejados farão juz a isso, não sendo escolhidos graças a um programinhas, mas a educação que obtiveram com muito sacrifício em meio as condições as quais estavam sujeitos no ensino público. PAAES SIM !
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Márcia Pedrosa disse:13/01/12 13:04
Acho totalmente ridículo o comentário dessas pessoas que pedem por igualdade de direitos entre alunos de escola particular e pública. A diferença da qualidade de ensino entre uma escola particular e uma pública é gigantesca e obviamente quem teve mais e melhor acesso as máterias se sairão melhor nas provas. O que se via no PAIES era somente vagas sendo ofertadas a alunos de escola particular, pode procurar nos registros de matrículas que vc verá isso. O aluno de escola pública não tinha a menor chance, simplesmente porque não chegava nem a ver todas as materias que eram cobradas nesse processo seletivo. Eu posso dar o meu exemplo aqui, estudei a vida toda em escola publica, sempre fui umas das melhores alunas da sala, e no entanto consegui apenas a 27ª vaga para o curso de direito noturno no qual eram oferecidas 20 vagas. Com a nota que tirei daria para passar em varios outros cursos mais para os mais concorridos ainda era baixa. E digo mais, podemos encontrar alunos de escola publica muito mais inteligentes do que alunos de escola particular. Quando ingressei na UFU pelo vestibular, que era a unica chance de ingresso na UFU pelos alunos de escola publica, pois oferece mais vagas, estive entre os 5 melhores alunos da sala, e só para constar passei no vestibular em uma posição muito atrás das deles. O que mais uma vez mostra isso, que o que se vê é uma diferença na qualidade do ensino publico e particular, não tendo nenhuma relação com a capacidade do aluno. Alunos medíocres são esses de escola particular que querem competir com pessoas que não estão no mesmo nível de ensino que eles, que ainda nem ouviram falar de uma matéria que eles já aprenderam a muuuiiito tempo atrás. SE LIGUEM!!!
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