Os Ceos e os gerentes
As corporações, já há algum tempo, apropriaram-se de certas ferramentas e práticas da área governamental para criar uma atividade nova, denominada inteligência competitiva. As escolas de negócios incorporaram-na e já a oferecem como disciplina; outras a ampliaram para cursos de pós-graduação, pela sua relevância – tem a função de ser o radar das organizações, subsidiando o processo decisório de todas as áreas estratégicas.
Os recentes acontecimentos no mundo árabe e na Alemanha e a última eleição presidencial dos Estados Unidos mostraram-nos uma nova realidade: as guerras aconteciam na terra e no ar; agora, a mais eficaz é a virtual, por meio das mídias sociais, como blogs, fóruns, vídeos, geolocalização, “facebooks” e outros, levando, como num passe de mágica, as pessoas às praças a derrubar ditaduras como nunca vimos antes – e em alguns casos, lideranças, sem derramar uma gota de sangue, como aconteceu com o ministro alemão Karl-Theodor zu Guttenberg: cotado para premiê alemão de Defesa e acusado de fraudar a sua tese de doutorado, forneceu motivo para surgimento de um site de caça ao plágio, fato que o fez pedir demissão do cargo.
Clarke, autor do melhor estudo sobre o tema, afirmou anteriormente que a guerra cibernética tinha começado, o que, dentre outras coisas, motivou o presidente Barack Obama a criar um conselho para tratar exclusivamente desta área.
As instituições de vanguarda já passaram a guerra cibernética para a pauta e começam a formar os soldados cibernéticos a fim de atuar neste novo campo de batalha em uma rede sem líder (ou com um novo tipo de liderança) e sem controle, operando 24 horas com informações e mudando em tempo real.
Já estamos trazendo para a sala de aula, por meio da disciplina inteligência competitiva, esta discussão. Os alunos, principalmente a geração Y, participam com muita naturalidade, até porque o mundo virtual já fazia parte de seus jogos e filmes de ficção, estes é que se tornaram realidade. Sem que a maioria percebesse, isso veio para ser uma ferramenta superior a todas inventadas até hoje e com um potencial incalculável para todas as áreas. Vamos ter agora os CEOs e os gerentes cibernéticos.
O desafio é imensurável, tudo pode mudar, as informações velhas podem ser recicladas, inovação é mais que palavra de ordem, mas o que não vai mudar é a necessidade de se ter lideranças competentes.
Os jovens estão conseguindo, através das redes de relacionamento, mudar governos, regimes, derrubar ministros, mas há uma nova questão sendo levantada: os governos autoritários caíram por uma revolução iniciada por meio da internet, mas quem está por detrás das redes está preparado para assumir os cargos dos depostos? A gestão, que sempre foi um problema, continua a sê-lo. Não há como nem devemos tirar o mérito das redes, mas o calcanhar de aquiles em todas as áreas continua na formação de lideranças com coragem, qualidade e ética.
O desafio da sociedade das organizações é como incorporar de forma saudável este novo modelo, este novo tempo. A única certeza é que a criatura está surpreendendo os seus criadores. As redes estão tomando tamanha dimensão, que governos, corporações e a própria academia estão sendo surpreendidos.
Hélio Mendes
Prof. e Consultor de Estratégia e Gestão
latino@institutolatino.com.br
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