O professor do futuro
Todo mundo é muito amigo do professor. Todo mundo ou quase todo mundo, anda chorando as pitangas, clamando que o professor precisa disto, daquilo. A questão é que não ocorrem, atualmente, propostas concretas, seja por parte do poder público ou dos movimentos organizados. Apenas uma lamentação infinita e indefinida.
Acontece que cada vez menos seres humanos querem ser professores. De fato, as pesquisas mostram isto. Se observarmos as escolas públicas verificaremos: alunos sem aulas, docentes de quatro qualidades (efetivos, efetivados, contratados, em regime probatório). Constataremos também que a maior parte dos filhos dos trabalhadores está tendo aulas proferidas por leigos (principalmente as disciplinas de química e física).
Todos são sabedores disto. Que os estudantes concluintes do ensino médio estão fugindo dos cursos de formação para professores, portanto vou poupá-los da continuidade destas informações e incorrer nas propostas concretas na forma de um indicativo de decreto-lei.
Iniciando com a questão salarial: que o mínimo de piso salarial não seja o máximo, mas que seu índice acompanhe os reajustes “auto-ajustaveis” dos deputados, senadores e vereadores.
Que se constitua o trabalhador em educação a partir de um plano para a sua carreira e não de planos que o incentivem a sair em carreira (fuga do trabalho, abstinência, síndrome de Burnout, etc.).
Que a jornada do professor seja de no máximo 40 horas semanais, sendo destas, 12 horas para atividades em sala de aula e o restante (28 horas) como preparação de aula, elaboração de atividades e sua devida correção, reuniões pedagógicas, reuniões do conselho escolar, da APM e de horário para atendimento à comunidade com dedicação exclusiva ao seu local de trabalho.
Como a pesquisa é fundamental para o exercício da docência será instituído um período sabático e de capacitação sendo que o professor terá direito a cada cinco anos, um ano de afastamento integral de suas atividades para participar de cursos de aperfeiçoamento especialização, com direito a receber seus proventos e mais uma bolsa de estudos. Caso o docente queira fazer seu mestrado ou doutorado, de igual forma ele terá direito garantido, após período de cada cinco anos de dedicação exclusiva ao serviço público.
Todos os professores receberão o “Kit Cultura” (já que está tão em moda falar em kit). O kit cultura será composto de uma coleção de clássicos da economia, da filosofia, da sociologia e da literatura romanesca. Fará parte ainda do kit: CDs de musicas clássicas, de MPB e de música raiz; filmes em DVD (escolhidos por diretores brasileiros conceituados); assinaturas em jornais, revistas e de TV paga e, finalmente, para superar o analfabetismo digital professoral, um notebook ou notebook.
Para completar, o docente gozará plenamente suas férias nos meses de dezembro, janeiro e julho (sem ser incomodado pelos seus superiores) e terá direito a um pacote de férias no fim ou início do ano e no meio do ano (conforme ele escolher e como bem lhe convir).
Bem, estas são algumas propostas viáveis que todos aqueles que estão tão preocupados com a saúde física, psicológica e operacional dos professores podem se tornar signatários. Esta pode ser uma forma de fazermos a revolução educacional que este país “tanto” precisa, e que tantos proclamam. Ah! Se estas pequenas sugestões alteram a qualidade da educação? Isto é papo para outro artigo.
Antonio Bosco de Lima
Professor da Faced/UFU
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João disse:05/04/11 15:17
Adorei este “ponto de vista”, pois realmente acho que já esta mais do que hora do professor receber alguma gratificação do seu trabalho prestado a comunidade, falo por experiência,pois quando era aluno de escola publica, sempre ouvi dizer que professor ganha mal, que mal da para sobreviver, e que a profissão de professor é para aqueles mal-amados, e que não conseguiram se tornar outra coisa na vida, etc. Mas mesmo sabendo de tudo isso, fiz parte de um projeto de ensino de linhas estrangeiras para crianças carentes, dei monitoria para meus amigos e colegas de sala sobre diferêntes matérias, e admito ganhava mal, era menosprezado, e maltratado, as pessoas só procuravam um dia antes das provas , ou quando a situação estava muito feia, me mandavam e-mails, mensagens no orkut e MSN todos os dias perguntando por novas maneiras de estudar ou memorizar contéudos de semestres inteiros em apenas dois dias, chegou a ponto de me procuram e me forçarem a ensiná-los uma determinada matéria.
Ser professor é muito complicado, muita gente não dá valor a profissão, e muitos acham que professor é baba de aluno, e escola é creche. Mas quem sabe se a propaganda de professor mudar, assim como as gratificações e beneficios o quadro “professor mal-amado” pode mudar, assim como todo o sistema de ensino do Brasil.
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