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27/04/2011 6:00

Proselitismo e prática escolar

Adorar a Deus pode ser em família ou até direcionado para todos em espaços coletivos, independentemente de credo.
Vale lembrar ainda que o ensino religioso é obrigatório para a grade curricular como parte do conteúdo programático, porém facultativo para o aluno, ou seja, os alunos maiores de idade podem optar por assistir às aulas, porém para os menores prevalece a vontade dos pais expressa no ato da matrícula, como indica a legislação (art. 210- LDBEN-9.394 §1º).

Desse modo, o ensino religioso, de matrícula facultativa, constituirá disciplina dos horários normais das escolas públicas de ensino fundamental.

No âmbito estadual, a resolução 2717/2001 do CEE regulamenta o artigo 33 da Constituição Federal, que assegura o respeito à diversidade cultural religiosa e propõe um programa aberto ao ensino religioso nas escolas, fundamentado nos princípios da cidadania e do entendimento do outro. Em que o conhecimento religioso não deve ser associado à imposição de dogmas, rituais, orações, mas um caminho a mais para sabermos sobre as sociedades humanas e sobre nós mesmos.

Assim, ao conhecermos o universo religioso, delimitarmos as nossas próprias crenças em relação às crenças religiosas e admitirmos que todas elas têm um valor intrínseco, buscaremos um diálogo inter-religioso, seja impulsionado pelo desejo de melhor entendimento humano ou conhecer para melhor convivialidade humana (BERKENBROOK, 1996).

Por conseguinte, a escola pública precisa ser entendida como lugar de desconstrução das discriminações que ainda estão presentes em nossa sociedade, de forma silenciosa ou denegada, que desrespeitam religiões e, sobretudo, seus adeptos, todos que perante a Constituição Federal são iguais. No entanto, ainda se veem, em alguns espaços escolares, gestores imporem suas crenças e pressionarem sutilmente o corpo docente a adotar ideias, comportamentos e práticas sobre as diversas formas de manifestações, como não trabalhar como deveria o indicado no currículo: o Carnaval, a Páscoa, o folclore, o Dia do Índio, dos Negros, das Mulheres, considerando a questão do gênero, e sem considerar também a bagagem cultural e religiosa do educando.

Perante isso, um gestor não deve ter um propósito doutrinante de uma determinada religiosidade, mas cultivar o espírito de solidariedade, cooperação, respeito e fraternidade, e promover assim uma educação sem proselitismo. Como proceder, então? Primeiro, o professor deve ser um pesquisador em todos os campos do conhecimento da teologia. Em segundo, a valorização da ética. Não da ética com regras e proibições, mas como imanência na consciência humana, como lei natural que se manifesta em todas as culturas e povos e que as diferentes religiões captam, de formas diversas em modelo de interpretação. Portanto o papel do educador que se preze deve ser de afastar do preconceito quaisquer manifestações religiosas e culturais.

E o melhor antídoto é o conhecimento. Poderá haver muito que o choque e o desagrade na religião alheia, porém terá também algo que o encante. Trabalhemos, assim, por um currículo multicultural, que respeite a diversidade cultural do nosso país. Com a adoção do diálogo aberto e sem estereótipos em sala de aula com alunos de todos os níveis da educação.

Júnia Alba Gonçalves e Liberace Maria Ramos Ferreira
Professoras da rede municipal de ensino

Comentários 1

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  1. Jorge Graciliano Rosa Machado disse:28/04/11 8:05

    Está certo, é lei. Tem que obedecer. Mas, que coisa mais sem sentido essa história de ensino de religião nas escolas.
    A escola é para ensinar bem português e matemática. Se ensinar bem isso basta. Ensinar religião é perda de tempo. Isso é o tipo de coisa que pai, mãe, avô, avó, tio, tia, padrinho, madrinha, padre, pastor, rabino, pai de santo, etc devem ensinar em casa e nos templos religiosos. Vai quem quer.
    Enquanto aqui no Brasil tem dessas coisa, lá na China e na Coréia as crianças estão aprendendo matemática para dominar o mundo. Assim, vamos continuar a ser um país de gente religiosa e cada vez mais pobre, enquanto que eles dominam o mundo e ficam cada vez mais ricos.

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