Mães e amamentação
Neste mês de maio, quando se comemora o Dia das Mães, é preciso escrever sobre elas. O assunto é complexo, mas encontrei algumas frases na internet que expressam bem o que é ser mãe. Por exemplo, “no momento em que a criança nasce, a mãe também nasce. Ela nunca existiu antes. A mulher existia, mas a mãe, não. A mãe é algo absolutamente novo”. Ou seja, de repente, a mulher se torna mãe e descobre que a capacidade de criar filhos se aprende com cada experiência.
Além disso, se vê diante de uma grande responsabilidade, pois “os homens são o que suas mães fizeram deles”. Tudo é novo, conforme escrito numa poesia: “antes de ser mãe, eu comia os alimentos ainda quentes, não tinha roupas manchadas, dormia o quanto queria, não tropeçava em brinquedos, não me esquecia de escovar os dentes e os cabelos, ninguém vomitava nem fazia xixi em mim. Eu nunca imaginei que uma coisinha tão pequenina pudesse mudar tanto a minha vida e que pudesse amar alguém tanto assim. E que pudesse segurar uma criança por tanto tempo só por não querer afastar meu corpo dela.”
Ser mãe, realmente, é um longo aprendizado, com momentos de ternura e emoção, mas também de dor e sofrimento. Na amamentação, por exemplo. Nos últimos anos, acompanhei vários nascimentos e relatos de mães. Sei das inúmeras vantagens do leite materno e da beleza do aconchego mãe-filho. Mas também sei da dor de bicos de seios rachados, seios “pedrados” e doloridos, mastite, bebês que não conseguem pegar o seio da mãe, mães que fizeram redução de seio e se culpam por produzir pouco leite, mães com remorso por não amamentarem o filho, mães que dão muito leite em um seio e pouco no outro (um fica enorme e o outro pequeno).
Há também bebê que sufoca com o leite que sai em esguichos e bebê que dorme sempre que é colocado no seio, chegando até a roncar. Tem até mãe que chora de dor ao amamentar, devido às rachaduras, e o leite sai misturado com sangue, um horror. Como no caso da minha norinha, onde eu tinha a função de dar-lhe uma toalha para ela morder a fim de não gritar e assustar o bebê (mãe sofre).
Tem mãe que tira o seio, sem cerimônia, em qualquer lugar e na frente de qualquer pessoa, exercendo com naturalidade o ato de amamentar. Na Bahia, por exemplo, há bebês dependurados em seios expostos, para todo canto. Por aqui, já é um pouco mais velado. Nos States, ninguém faz isso. As mães têm um aventalzinho incrementado que colocam para cobrir os seios e o bebê, que fica mamando numa tendinha.
Por lá também existe uma espécie de faixa de pano com dois orifícios, utilizada para segurar nos seios a maquininha de tirar leite. Assim, enquanto a mãe é “ordenhada”, as mãos ficam livres para ela trabalhar no computador, dirigir, ler etc. Primeiro mundo é assim.
Enfim, ser mãe não é fácil, mas tem algo de divino. Deus, entre tantas bênçãos, deu a elas também o poder da doação, pois “uma mãe é uma pessoa que ao ver que só ficaram quatro pedaços de torta de chocolate quando existem cinco pessoas, é a primeira a dizer que nunca gostou de chocolate”. Mãe também faz tanta coisa ao mesmo tempo em que é possível pensar: ”se a evolução realmente existe, como é possível as mães terem apenas duas mãos?”
Concluindo, o bom mesmo é que os filhos existem. E, melhor ainda, as mães têm possibilidade de ser avós para curtirem as emoções numa dimensão diferente de doçura e entendimento. Parabéns a todas as mães e avós.
Ana Maria Coelho Carvalho
anacoelhocarvalho@terra.com.br
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