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25/05/2011 6:00

Toma este cala a boca…

Fiz um exame pessoal deste nosso Brasil atual, desde o ribeirão da Piracanjuba até o rio Amazonas.
Devo dizer-lhes, meus leitores ingênuos, que apenas confirmei: as águas correm todas para o mar! Agora, quem leu o título vai curiosamente perguntar: caramba, onde entra nesta história o tal “cala a boca”?
Calma, eu chego lá. A origem do título é antiga, do meu tempo de vender zebu fiado a algum mascate escolado.

No meu caso, o comprador era muito e alegre amigo, boa pinta e boa praça, um esportista de roda zebuína.
Um certo sábado, ali na esquina do Marabá, encontrei-o contando piada e rindo com os amigos.
Delicado, puxei-o de lado, pensando no seu humor que parecia ótimo, e dei-lhe o aperto: fulano (anonimato ainda me levará ao céu…) porque você não comparece com aquela grana que me deve de quase um ano? O danado era macio, me puxou um pouco mais pra longe, meteu a mão no bolso e tirou de lá uma humilde nota de 20.

E finalizou solene: doutor, e a nossa amizade? Toma este “cala a boca” e espera, eu ainda chego lá…
Eram só 20, mas eu calei a boca: a esperança é a última canoa que afunda! Bem, vamos voltar lá em cima, se não no Amazonas no córrego da Piracanjuba, que a mim lembrou o tal “cala a boca”.
Não pense, meu amigo, que a minha ideia está variando demais. Como sempre, esta abertura tem razão e motivo, que pelas raivas e sofrimentos vou encurtar.

Aqui neste nariz do Triângulo Mineiro existe uma dívida governamental muito antiga, lutada e prometida: a nossa liberdade e independência de Minas.
Tivemos lutas homéricas chefiadas aqui por Uberaba e Uberlândia, o Hugo, deputado, o Ronan Tito, senador, e com eles os melhores nomes na cultura e na política de nossa terra.

Isto tem mais de 20 anos, o Guido Bilharinho sabe a história. Nós íamos ser analisados na Câmara dos Deputados, a oportunidade e a simpatia eram toda nossa, até a bandeira estava pronta. Mas… nós éramos amadores, esquecemos o tal Newton Cardoso, governador mineiro, que iniciava sua marcha da fortuna.
A gente só precisa uns 20 votos mais, coisa de até pouco preço… mas éramos idiotas patriotas, nem pensamos em ir a Brasília e dar lá um cala a boca… Resultado lógico: perdemos.

Agora, e por que esta dolorida lembrança? Amigos, em Brasília vão retornar as divisões territoriais, saiu na “Folha”.
Onde vamos ficar, nós idealistas aposentados ou enterrados? E esta juventude política, que cada vez mais pensa apenas em si, seus cargos, seus parentes colocados, seus cabos eleitorais garantidos?… ou seja, se quiserem enterrar minha sofrida crônica: cala a boca, João!

E jogando o final: a “Folha de S. Paulo” escreve que o governo federal reabriu a divisão territorial: Pará, Maranhão… e o Triângulo. Temos três deputados federais, mudos.
Cala esta boca, João!

João Gilberto Rodrigues da Cunha
Médico
Uberaba (MG)

Comentários 1

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  1. Wagner disse:27/05/11 9:25

    Muito oportuna esta sua lembrança, SR. João, tomará que desta vez, não tenhamos Newtões, esta na hora sim, de levantar a bandeira novamente, e corrigir este erro(i)historico, que uma “Dama”, certa vez, quis pra si. Cadê nossos representantes

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